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Banco Central confirma indícios de dois servidores suspeitos no caso Master

Agência Brasil

Banco Central afasta cautelarmente servidores por indício de fraude - Agência Brasil
Banco Central afasta cautelarmente servidores por indício de fraude
Por Broadcast

04/03/2026 | 15h58

Brasília, 04/03/2026 - O Banco Central confirmou que identificou indícios de que dois servidores receberam vantagens indevidas do Banco Master e comunicou os fatos à Polícia Federal. Como mostrou a Broadcast, essa comunicação resultou na operação contra o ex-diretor de Fiscalização Paulo Sérgio Neves de Souza e o ex-chefe do departamento de Supervisão Bancária Belline Santana nesta quarta-feira. 

"De imediato, o Banco Central afastou cautelarmente os referidos servidores do exercício de seus cargos e do acesso às dependências da instituição e a seus sistemas, instaurou procedimentos correcionais para apuração dos fatos e comunicou os indícios de prática de crimes à Polícia Federal", informou a autoridade monetária em nota divulgada nesta tarde.

Leia também: Banco Master: entenda a fraude que levou à prisão de Daniel Vorcaro

A autarquia afirmou que as investigações da PF são "passo essencial para o pleno esclarecimento dos fatos". Disse, ainda, que as infrações identificadas serão sujeitas à "devida resposta sancionatória, de acordo com a lei", respeitando-se o devido processo legal e o direito à ampla defesa.

No primeiro mês do ano, o BC informou a PF sobre indícios de irregularidades envolvendo o Banco Master e dois então chefes do departamento de supervisão bancária: o ex-diretor de Fiscalização (2017-2023) Paulo Sérgio Neves de Souza, em cujo o mandato à frente da diretoria o banco cresceu, e o servidor Belline Santana.

Ambos estavam totalmente afastados dos cargos por decisão administrativa desde janeiro, quando o BC lançou uma investigação interna sobre a ascensão e a queda do Master, determinada pelo seu presidente, Gabriel Galípolo. Até o momento, não havia acusações formais contra Souza ou Santana. Eles ficam afastados judicialmente dos cargos.

A comunicação desencadeou a investigação policial contra os servidores e ocorreu porque a PF tem o poder de solicitar quebra de sigilos, por exemplo, uma ação considerada importante para que as investigações avançassem. As irregularidades podem envolver até mesmo o período em que Souza era diretor da autoridade monetária. 

Leia também: Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, é preso novamente em operação da PF

Operação da Polícia Federal

O servidor Belline Santana estava no rol dos nomes cogitados para assumir a vaga de diretor de Fiscalização da instituição, que acabou sendo ocupada pelo também funcionário dos quadros da autarquia, Ailton Aquino.

Belline foi um dos alvos da terceira fase da Operação Compliance Zero da Polícia Federal, que cumpriu, nesta quarta-feira, 4, o mandado de prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, por suspeita de irregularidades na gestão da instituição. A ação foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso na Corte.

A escolha de Aquino se deu no mesmo momento em que Gabriel Galípolo chegou à instituição para ocupar o cargo de diretor de Política Monetária, antes de assumir o comando do BC. Ambos foram aprovados pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e pelo plenário do Senado em julho de 2023.

Apesar de as indicações já terem ocorrido no mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente da autarquia ainda era Roberto Campos Neto, que, por sua vez, foi escolhido pelo então presidente Jair Bolsonaro por causa das novas regras da Lei de Autonomia do BC aprovadas pelo Congresso Nacional em 2021.

A circulação do nome de Belline para o cargo ocorreu no contexto de uma pressão para que a diretoria colegiada do BC contasse com pelo menos um membro negro, atendendo a uma demanda de maior representatividade na autarquia. A escolha, porém, recaiu sobre Aquino, também funcionário de carreira da instituição e negro.

(Por Cícero Cotrim e Célia Froufe)

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