Enem 2026: fibromialgia, TDAH e outros transtornos terão atendimento especial
Divulgação/Ministério da Educação
São Paulo - O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pelas provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), alterou o edital deste ano para ampliar a acessibilidade para condições relacionadas a transtornos mentais e fibromialgia.
Pessoas que convivem com essas condições, que incluem Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), dislexia e diversas outras condições, representam uma parcela significativa de participantes no Enem. Porém, até o ano passado, nem sempre recebiam o tratamento especializado no dia das provas.
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Uma pessoa diagnosticada com histórico de crise de ansiedade ou Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), por exemplo, poderá contar com um acompanhante. Essa pessoa de suporte ficará em uma sala de acompanhante autorizado reservada, monitorada por fiscais, para casos de necessidade de apoio ou estabilização do participante.
Já pessoas que precisam de cão de apoio emocional também podem levar o animal no dia do exame. Antes, o recurso era restrito apenas ao cão-guia.
Avanço
Para a gerente de conteúdo do FTD Resolve, Amanda Voivodic, a ampliação é um avanço real e necessário. Ela menciona que , segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), a taxa de prevalência de transtornos mentais entre crianças e adolescentes no Brasil está entre 7% e 12,7%, sendo TDAH, ansiedade e depressão os principais diagnósticos.
"São jovens que existem, estudam e merecem um cenário justo para mostrar o que sabem. Ver essas características reconhecidas oficialmente no edital do maior exame do País é um passo importante para uma educação mais equitativa", comenta.
Quem pode solicitar o atendimento especializado no Enem?
O Inep explica que a classificação de condições consideradas na aplicação do exame alcança pessoas com deficiências, transtornos e que realizam acompanhamentos específicos de saúde. Inclui também pessoas idosas e mulheres em gestação ou lactação e estudantes em classe hospitalar, entre outras necessidades.
Segundo o Ministério da Educação, em 2025, pouco mais de 116 mil participantes pediram atendimento especializado.
Como solicitar o atendimento especializado?
A solicitação deve ser feita exclusivamente no ato da inscrição, pela Página do Participante (enem.inep.gov.br/participante), até o dia 5 de junho. O interessado deverá indicar a condição que motiva o pedido e anexar documento comprobatório.
Para diagnósticos como TDAH, dislexia, discalculia e transtornos mentais, é aceita declaração ou parecer emitido por profissional habilitado da área da saúde. Candidatos com TEA podem apresentar a Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (CIPTEA).
Quais são os recursos previstos?
As possibilidades de atendimento variam de acordo com a condição apresentada no momento da inscrição, e podem incluir os seguintes recursos:
- Mobiliário acessível: mesas, cadeiras ou carteiras que garantam a realização das provas com conforto e segurança.
- Sala com acessibilidade: local de prova com acessibilidade para pessoas com mobilidade reduzida, incluindo pessoas idosas.
- Sala para lactentes: sala para a acomodação de crianças em fase de amamentação e do acompanhante adulto indicado pelo responsável legal para guarda da criança.
- Prova ampliada ou superampliada com cartão-resposta ampliado.
- Videoprova em Libras: prova em vídeo traduzida em Libras, executada em um computador disponibilizado pelo Inep.
- Leitor de tela: prova compatível com os softwares DosVox e NVDA, executada em um computador disponibilizado pelo Inep.
- Tradutor-intérprete de Língua Brasileira de Sinais (Libras): profissional habilitado para mediar a comunicação entre surdos e ouvintes e, no ato da prova, esclarecer dúvidas na leitura de palavras, expressões e orações escritas.
- Leitura labial: serviço de leitura da prova para pessoas com deficiência auditiva ou surdez que não desejam a comunicação por meio de Libras, mas que se valem de técnicas de interpretação e da leitura dos movimentos labiais.
- Auxílio ledor: leitura da prova para pessoas com cegueira, deficiência visual, deficiência intelectual, transtorno do espectro autista, déficit de atenção com hiperatividade ou dislexia.
- Auxílio para transcrição: ajuda no preenchimento das provas objetivas e discursivas para participantes impossibilitados de escrever ou de preencher o cartão-resposta.
- Guia-intérprete: profissional especializado em formas de comunicação e técnicas de guia, tradução e interpretação para mediar a interação entre as pessoas com surdocegueira.
- Classe hospitalar: ambiente no qual ocorre o processo formal de escolarização do participante na condição de estudante internado para tratamento de saúde.
- Tempo adicional: 60 minutos a mais para a realização das provas.
- Calculadora: recurso disponível para quem tem discalculia.
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