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Neymar não joga, mas ainda manda: por que ele segue como líder da seleção?

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Neymar treina com a seleção na Granja Comary; jogador é reverenciado pelos colegas - CBF
Neymar treina com a seleção na Granja Comary; jogador é reverenciado pelos colegas
Por Robson Morelli

31/05/2026 | 16h43

São Paulo - Uma semana na Granja Comary ao lado de Neymar foi suficiente para o técnico Carlo Ancelotti descobrir a liderança do atacante sobre os demais jogadores da seleção brasileira. E também a reverência de todos eles ao atleta de 34 anos.

Um dos mais experientes dos 26 convocados, com três Copas nas costas e uma carreira estupenda desde que chegou à Europa para jogar no Barcelona, Neymar ainda desperta admiração de boa parte dos jogadores que estão com ele em Teresópolis e vão embarcar nesta segunda-feira para a 23ª Copa do Mundo

Há uma mistura de respeito e admiração por Neymar. Há uma explicação para isso. Neymar esteve perto dos grandes que o futebol mundial já viu em ação, como Messi, Cristiano Ronaldo, Ronaldinho, Garrincha, Pelé... Não foi nenhum deles, mas esteve à mesma mesa ou na mesma prateleira com todos durante boa parte da sua carreira.

Neymar é ídolo de uma geração

O que poucos esquecem é que Neymar é o maior ídolo de uma geração de brasileiros que não viu nenhum outro maior do que ele, que pegou Messi e Cristiano Ronaldo na ladeira abaixo. Para essa turma mais nova, Neymar ainda é a maior referência de um craque na concepção da palavra.

A seleção de Ancelotti carece de jogadores com mais personalidade para assumir vitórias e derrotas, sucessos e fracassos de um jogo ou de uma Copa do Mundo. Mesmo os mais experientes, como Marquinhos e Casemiro, estão longe da liderança de Neymar e do fardo que ele sempre carregou.

Fardo no sentido de costas largas sem fugir do pau. Neymar foi esse jogador nos três últimos Mundiais pelo tamanho que tem. E ele não fugiu da raia nem se curvou diante da sua responsabilidade. Assumiu os tombos da seleção quando ninguém mais o fez. Neymar nunca pediu para dividir a bronca pelas eliminações das Copas passadas. 

Por isso também, o elenco pediu a presença de Neymar entre os 26. Ele não está ali para ganhar a Copa do Mundo para o Brasil como nas outras vezes, mas para ajudar que o grupo faça isso pelo País e por ele.

Mas é reserva do Brasil e sem lugar no time

Neymar é reserva e não cabe em um ataque que se desenha com Matheus Cunha, Luiz Henrique, Raphinha e Vini Júnior, com reservas como Lucas Paquetá, Endrick, Martinelli... Neymar tem outra missão nesta Copa dos Estados Unidos, México e Canadá, mesmo machucado na panturrilha e sem se saber ao certo quando e se vai se recuperar a tempo de atuar.

Neymar ainda é o "presidente" do vestiário e vai usar a camisa 10. Portanto, ainda é dele que se espera as primeiras movimentações. Ancelotti disse que ele entendeu o "seu papel" na seleção e se dispôs a ajudar. Todos o queriam por perto. Se algum jogador tivesse ido contra a sua presença, ele não teria sido chamado.

Quem já assistiu à série da NetFlix "Brasil 70: A Saga do Tri", dos diretores Pedro Morelli e Paulo Morelli, pode fazer facilmente uma analogia entre Pelé de 1970 e Neymar de 2026 em relação ao mandos e posicionamentos nas discussões de vestiários e decisões do time.

Claro que na Copa de 1970, também no México, Pelé tinha 29 anos e estava no auge da sua forma física. Era a maior esperança do Brasil. Mas Pelé também tinha os seus "fantasmas". Ele se questionava se conseguiria jogar bem aquela competição, se daria conta da pressão dos torcedores e do que se esperava dele em campo. 

Neymar chegou desta mesma forma para as edições anteriores das Copas e fracassou em todas elas. Nunca ganhou um Mundial. Desta vez, ele entra no grupo na última vaga e já não anda mais na janelinha, mas é inegável que levará para a disputa tudo o que representa ou representou para o futebol brasileiro. E isso nenhum jogador de Ancelotti tem. Nem Vini nem Raphinha.

Por isso que todos abriram as portas da Granja Comary para o atacante do Santos. A presença de Neymar na seleção não tem nada a ver com o seu futebol, que, a bem da verdade, já não existe mais como antigamente.

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