Inflação de março vai a 0,88% com guerra no Irã e supera previsões
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São Paulo e Rio - A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,88% em março, , informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ficou acima do teto das estimativas colhidas pelo Projeções Broadcast, que iam de 0,47% a 0,82%, com mediana de 0,77%.
A taxa é a mais elevada desde fevereiro de 2025, quando havia avançado 1,31%. Para meses de março, trata-se do maior resultado desde 2022, quando foi de 1,62%. Em março de 2025, a alta havia sido de 0,56%. O índice também acelerou em relação a fevereiro deste ano, quando registrou 0,70%.
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Com o resultado, a inflação acumulada em 12 meses voltou a ganhar força, passando de 3,81% em fevereiro para 4,14% em março. O dado ficou acima da mediana das projeções, de 4,03%, mas dentro do intervalo estimado, de 3,72% a 4,40%.
Entre os componentes, o grupo Alimentação e bebidas teve alta de 1,56% em março, após avanço de 0,26% em fevereiro, respondendo por um impacto de 0,33 ponto porcentual no índice geral. A alimentação no domicílio subiu 1,94%, ante 0,23% no mês anterior, enquanto a alimentação fora do domicílio avançou 0,61%, após alta de 0,34%.
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Analistas atribuem parte relevante da pressão inflacionária a fatores externos. Segundo o economista-sênior do banco Inter, André Valério, a alta foi “amplamente motivada pelos efeitos globais do conflito no Irã, como se nota no comportamento dos preços de combustíveis”. Ainda assim, ele destaca que houve “melhora qualitativa no resultado do índice que reafirma a tendência de moderação da inflação subjacente”.
De acordo com o economista, a média dos núcleos desacelerou de 0,62% em fevereiro para 0,44% em março. Ele acrescenta que, caso se confirme um cessar-fogo de duas semanas na guerra, “a chance de uma contaminação do restante da inflação pelo choque do petróleo diminuirá ainda mais”.
Apesar disso, a avaliação é de que o cenário ainda exige cautela da política monetária. “Esperamos que o comitê continue o ciclo de cortes, em ajustes de 25 pontos-base. O comportamento do câmbio dá tranquilidade suficiente para esse corte”, afirmou Valério.
Após a divulgação do IPCA acima do esperado, a curva de juros futuros ampliou as apostas de redução de 25 pontos-base da taxa Selic em abril para 90%, de 75% no dia anterior, enquanto a probabilidade de corte de 50 pontos-base recuou para 10%, de 25%.
A projeção para a Selic no fim de 2026 subiu para 13,55%, ante 13,45% na véspera, segundo o economista-chefe do banco Bmg, Flávio Serrano.
(Por Fernanda Bompan, Daniela Amorim e Letícia Correia)
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