Líderes mundiais manifestam apoio a Trump após tiroteio e criticam violência
Truthsocial.com/@realDonaldTrump
São Paulo - Líderes mundiais prestaram apoio ao presidente dos EUA, Donald Trump, e às demais autoridades americanas que o acompanhavam no jantar anual de correspondentes da Casa Branca, no hotel Washington Hilton, que foi encerrado na noite deste sábado, 25, de maneira abrupta após um atirador disparar no local do evento. Apesar da gravidade do incidente, não houve feridos e o suspeito foi preso.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse estar “aliviada” por saber que Trump, a primeira-dama, Melania Trump, e os demais presentes no evento “estão bem”. Em postagem no X hoje, ela ressaltou que a “violência não tem lugar na política, jamais”.
Em comentário semelhante, o presidente da França, Emmanuel Macron, disse que a violência não tem lugar na democracia e classificou o ataque armado como “inaceitável”. A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, afirmou que “nenhum ódio político pode encontrar espaço nas democracias” e acrescentou que não permitirá que “o fanatismo envenene os espaços do livre debate e da informação”.
Já o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, mencionou “choque” diante da situação e defendeu que qualquer ataque às instituições democráticas ou à liberdade de imprensa deve ser condenado “nos termos mais veementes possíveis”.
No Canadá, o primeiro-ministro Mark Carney disse que seus pensamentos estão com todos aqueles que foram abalados pelo que chamou de “evento perturbador”. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, publicou uma mensagem dizendo que “a violência nunca deve ser o caminho”. O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, o de Israel, Benjamin Netanyahu, e a do Japão, Sanae Takaichi, também prestaram solidariedade.
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Republicanos e democratas condenam tiroteio
Legisladores democratas e republicanos condenaram o tiroteio. O líder republicano na Câmara, Steve Scalise, que estava presente no evento, afirmou em postagem no X que a violência não tem lugar nos Estados Unidos. O líder democrata, Hakeem Jeffries, declarou, também na rede social, estar em oração pela segurança de todos os que pudessem estar em perigo. O presidente da Câmara, Mike Johnson, que também participava da cerimônia, foi visto sendo retirado às pressas do local por agentes de segurança logo após os disparos serem ouvidos.
O presidente Donald Trump e as demais autoridades de alto escalão que o acompanhavam, incluindo o vice-presidente JD Vance e os secretários Pete Hegseth e Marco Rubio, saíram ilesos do episódio. De acordo com o Serviço Secreto e as forças policiais, o homem efetuou disparos dentro do hotel, mas em uma área externa ao salão principal onde as autoridades e cerca de 2.600 convidados estavam reunidos. Esta foi a primeira vez que Trump participou do jantar como presidente, em um edifício que historicamente já foi palco do atentado contra Ronald Reagan na década de 1980.
Quem é o suspeito?
Em coletiva de imprensa realizada na Casa Branca na noite deste sábado, o presidente Donald Trump confirmou que o suspeito foi preso e portava diversas armas. Trump descreveu o atirador como uma "pessoa doente", um "lobo solitário" e chegou a publicar fotos do suspeito em sua rede social, Truth Social, nas quais o homem aparece rendido no chão com as mãos atrás das costas.
Postagens em redes sociais que parecem corresponder à imagem do suspeito mostram que ele, identificado como Cole Tomas Allen, é um tutor altamente instruído e desenvolvedor amador de videogames na Califórnia.
Allen, de 31 anos, obteve um diploma de bacharel em engenharia mecânica em 2017 pelo Instituto de Tecnologia da Califórnia, em Pasadena, e mencionou sua participação em uma associação estudantil cristã e em um grupo no campus que participava de batalhas com armas de brinquedo Nerf em página no LinkedIn. O perfil também mostra um mestrado em ciência da computação pela Universidade Estadual da Califórnia, Dominguez Hills.
O professor de ciência da computação Bin Tang da universidade disse à Associated Press que Allen cursou algumas de suas disciplinas antes de se formar.
Ele era um aluno excelente, sempre sentava na primeira fila da minha sala, prestava atenção e frequentemente enviava e-mails com dúvidas sobre as tarefas. De voz suave, muito educado, um ótimo rapaz. Fiquei muito chocado com a notícia”, escreveu.
Uma emissora local da ABC em Los Angeles exibiu uma entrevista com Allen durante seu último ano de faculdade, como parte de uma reportagem sobre novas tecnologias para auxiliar pessoas na terceira idade. Ele havia desenvolvido um protótipo de um novo tipo de freio de emergência para cadeiras de rodas.
De acordo com registros federais de financiamento de campanha, Allen contribuiu com US$ 25 para um comitê de ação política do Partido Democrata em apoio à candidatura de Kamala Harris à presidência em 2024.
O currículo online de Allen indica que ele trabalhou nos últimos seis anos na C2 Education, uma empresa que oferece serviços de consultoria para admissão e preparação para testes a estudantes que desejam ingressar na universidade. Uma publicação de 2024 na página da empresa no Facebook listava Allen como o professor do mês. A empresa não respondeu imediatamente a um e-mail solicitando comentários na noite de sábado.
Allen também publicou que havia desenvolvido um videogame para a plataforma Steam baseado em química molecular. Uma publicação em nome de Allen dizia que ele estava trabalhando no desenvolvimento de um novo jogo de tiro com visão de cima para baixo, ambientado no espaço sideral.
Homem se hospedou no hotel do evento
O chefe interino de polícia do Departamento de Polícia Metropolitana de Washington, Jeffery Carroll, disse que os investigadores acreditam que o suspeito estava hospedado no hotel e que parece ter sido assim que ele conseguiu entrar no momento do evento. O hotel foi fechado ao público a partir das 14h (horário local) de sábado, em antecipação ao jantar, que começou às 20h, mas não foi divulgado quando o suspeito fez check-in no local.
Dentro do salão do jantar, havia medidas adicionais de segurança. O Serviço Secreto dos EUA manteve outro perímetro ao redor de Trump, incluindo uma área de separação (buffer) entre ele e outras pessoas sentadas à mesa principal e o restante dos participantes. Placas blindadas estavam escondidas sob a mesa onde o mandatário americano estava sentado, e agentes do Serviço Secreto estavam posicionados e armados em frente ao palco e nas laterais para responder a ameaças. Equipes de segurança de dezenas de outros participantes de alto perfil também estavam no salão.
Por conta do incidente com Reagan, há 45 anos, o hotel construiu amplas modificações de segurança especificamente para acomodar presidentes, incluindo uma garagem protegida projetada para comportar a limusine presidencial, que leva a um elevador e a uma escadaria dedicados para conduzi-los a uma suíte protegida reservada para uso pessoal.
(Por Isabella Pugliese Vellani, Guilherme Nannini, Alexandre Rocha e Isadora Duarte)
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