Lula confirma candidatura de Haddad ao governo de São Paulo
Roberto Sungi/Ato Press/Estadão Conteúdo
Brasília e São Paulo - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou nesta quinta-feira, 19, a candidatura do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao governo de São Paulo, afirmando que o aliado aceitou a missão diante de um cenário político que classificou como “grave” no Brasil e no mundo.
Segundo Lula, a decisão de Haddad de disputar o Palácio dos Bandeirantes está ligada à necessidade de mobilizar lideranças para defender a democracia.
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Se a gente não pegar as melhores pessoas que a gente tem e não resolver fazer a luta, corremos o risco de, por omissão, entregar a democracia outra vez aos fascistas”
A fala de Lula foi feita durante evento no Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo do Campo.
O presidente afirmou que Haddad está “mais do que preparado” e o classificou como “o ministro da Fazenda mais exitoso” do País, destacando sua capacidade de negociação com o Congresso, que, segundo ele, alcançou resultados “acima da média”. Lula também avaliou que, embora a situação econômica seja positiva, ainda há necessidade de melhorar a percepção da população.
Haddad, por sua vez, adotou tom cauteloso ao iniciar seu discurso como pré-candidato, afirmando que derrotas eleitorais são possíveis, mas que o fundamental é evitar derrotas políticas. “Mais importante do que qualquer coisa é saber do lado de quem você vai estar, com quem você vai lutar e qual o plano que vai apresentar”, declarou.
O ministro reconheceu que a disputa pelo governo paulista será difícil, mas disse que não a encara como sacrifício e sim como oportunidade de promover um “despertar” no Estado. Segundo ele, há uma “inércia” que prejudica estruturas importantes, tanto no governo estadual quanto na capital.
Haddad também relacionou o cenário político nacional e internacional à falta de lideranças “sensatas”, citando o agravamento de crises globais, e defendeu a continuidade do projeto do governo federal. Ele afirmou que a gestão atual trabalha para reconstruir políticas públicas e evitar retrocessos associados à extrema-direita.
O ministro ressaltou ainda que conta com o apoio direto de Lula, a quem chamou de principal capital político da campanha, além do vice-presidente Geraldo Alckmin. Disse que disputará a eleição “para ganhar”, e não para “barganhar”.
A candidatura ocorre após Lula convencer Haddad a entrar na disputa, mesmo diante da intenção inicial do ministro de coordenar a campanha presidencial à reeleição. O presidente busca fortalecer o palanque em São Paulo, maior colégio eleitoral do País, em um cenário de polarização com adversários nacionais.
Haddad deve deixar o comando do Ministério da Fazenda nesta sexta-feira, 20, para se dedicar integralmente à campanha ao governo paulista.
(Por Gabriel Hirabahasi, Gabriel de Sousa e Eduardo Laguna)
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