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Lula diz que Trump “conhece pouco o Brasil” e pede respeito às eleições

Ricardo Stuckert / PR

Presidente falou à imprensa após reunião do G-7, na Suíça - Ricardo Stuckert / PR
Presidente falou à imprensa após reunião do G-7, na Suíça
Por Broadcast

17/06/2026 | 20h10

Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, “conhece pouco o Brasil” e que os Estados Unidos “poderiam aprender com o Brasil” sobre como ter “eleições mais tranquilas, mais leves e menos conturbadas”. Lula foi enfático ao cobrar que Trump “não se meta nas eleições do Brasil” e respeite a soberania brasileira.

Ele conhece pouco o Brasil. Se ele conhece o Brasil pela relação que ele tem com a família Bolsonaro, ele desconhece o Brasil. O Bolsonaro já está preso”, afirmou.

“Os EUA poderiam aprender com o Brasil de eleições mais tranquilas, mais leves e menos conturbadas. Não tem país do mundo que tenha sistema de urnas eletrônicas como o nosso, em que duas horas depois de terminar as eleições já sabemos quem são os eleitos. A gente não fica como no século passado, com voto no papel, uma lista com 500 nomes. Então, se tem alguém que tem que aprender com as eleições civilizadas no Brasil é meu amigo Trump”, declarou.

Lula ainda brincou, dizendo que na próxima vez em que se encontrar com o norte-americano vai “levar uma urna eletrônica para mostrar para ele como funciona”.

O presidente brasileiro disse, ainda, que Trump “tem o direito de ter as preferências eleitorais e ideológicas dele”.

“Só espero que ele não fira o código de ética entre as nações que querem ser respeitadas na sua soberania. Só espero isso. Ele pode continuar gostando do Bolsonaro pai, filho, neto. Não tem nenhum problema, é problema dele, afinal de contas gosto não se discute. Mas não se meta nas eleições do Brasil, porque as eleições do Brasil são um problema do Brasil, como as eleições americanas são um problema deles, não meu. A única coisa que quero é o respeito pelo Brasil como eu tenho pelos Estados Unidos”, declarou.

A declaração, dada em entrevista coletiva à imprensa antes de deixar Genebra, na Suíça, para retornar ao Brasil, após a reunião do G7, foi uma resposta ao que o presidente norte-americano disse mais cedo, que o Brasil é um “país duro politicamente” e “um pouco perigoso politicamente”.

“Tem sido feio, ouvi que eles prenderam alguém que está concorrendo à Presidência. Ouvi que prenderam o Bolsonaro Jr., ele estava indo bem nas pesquisas”, afirmou o norte-americano, em entrevista coletiva após a Cúpula do G7.

Trump confundiu Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal condenado nesta terça-feira, 16, pelo Supremo Tribunal Federal, com seu irmão, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), este, sim, pré-candidato à Presidência.

O norte-americano completou: “eles jogam pesado, mas ninguém joga mais duro que os Estados Unidos”.

Reunião bilateral

Lula também afirmou que não pediu uma reunião bilateral com Trump para tratar das tarifas sobre produtos brasileiros, porque ainda está em negociação com o país. O presidente disse que Trump fez “coisa desaforada” contra o Brasil e que ele tem conhecimento disto. “Por isso que eu digo que ele ainda continua agindo como um imperador”, declarou o presidente.

Lula disse ainda que Trump não é um bom ouvinte em reuniões e que, por este motivo, entregou documentos escritos durante a última reunião que teve com ele, na Casa Branca, no início de maio.

O chefe do executivo disse ainda que tem a expectativa de conseguir um acordo com os Estados Unidos, apesar do que chamou de “rompante contra o Brasil”. O presidente afirmou que pode ligar para Trump caso as negociações atuais se tornem infrutíferas.

(Por Gabriel Hirabahasi e Gabriel de Sousa

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