Lula diz querer provar ao mundo quem fala a verdade na guerra tarifária
Valter Campanato/Agência Brasil
Brasília e Rio - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que não tem interesse em "fazer guerra" com os Estados Unidos após a imposição de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros e afirmou que quer "provar ao mundo quem está falando a verdade."
As declarações foram feitas por Lula em visita ao Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO), no Rio de Janeiro, na tarde desta sexta-feira, 17.
"Eu já falei três vezes ao presidente Trump que o Brasil não tem nenhum interesse em fazer guerra. Nós daqui somos da paz. Agora, a guerra que eu quero fazer com ele é a guerra da narrativa. É a guerra da verdade. Eu quero provar ao mundo quem é que está dentro da verdade nessa guerra tarifária entre Brasil e Estados Unidos", declarou.
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Lula ainda repetiu que não falou sobre o tarifaço porque Trump ainda não se manifestou. "Quem falou do tarifaço foi o pessoal do segundo escalão dele. E o meu pessoal já respondeu hoje. Quando o Trump falar, eu vou falar. De presidente para presidente da República", prometeu.
'Disputa equivocada'
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, repetiu hoje que o governo continuará buscando com os Estados Unidos a reversão do cenário de cobrança de 25% sobre a venda de produtos brasileiros para o mercado norte-americano. Ele reconheceu que as conversas com o governo de Donald Trump “sempre foram mais genéricas”, mas ponderou que o diálogo continua.
“Não eram pautas muito específicas, mas a gente via que os interesses maiores dos Estados Unidos sempre se referiam ao etanol, explicitando que aqui era 18% e eles tinham uma tarifa menor”, afirmou, em entrevista à GloboNews. Segundo ele, o governo brasileiro contra-argumentava que a maior parte do etanol nacional é via cana-de-açúcar.
Em seguida, ele afirmou que essa disputa é equivocada, pois os EUA são os maiores produtores de etanol do mundo, seguidos pelo Brasil. “Não temos que vender um para o outro, temos que vender para terceiros mercados”, defendeu.
Segundo Alckmin, em outros setores, o Brasil já possui tarifas baixas, então o governo americano focou em temas não-tarifários. Ele citou como exemplo a questão das big techs para defender a integração entre os dois países. “Eu mesmo fiz reunião com a área das big techs com a presença de setores dos Estados Unidos. E o Brasil não tarifa”.
Questionado sobre o setor automotivo brasileiro, Alckmin afirmou que o Brasil cumpre rigorosamente as normas da Organização Mundial do Comércio (OMC). “Para você importar um veículo, é 35% o imposto de importação. A Europa está aumentando agora para 45% o imposto de importação. Então, nós sempre cumprimos as regras da OMC. E os automóveis estão fora disso”, argumentou o vice-presidente.
'Medida injusta e descabida'
Alckmin reforçou ainda que considera a medida “injusta e descabida, porque eles têm superávit conosco, quem deveria aumentar tarifa somos nós, que temos déficit com os Estados Unidos”. E frisou que o governo brasileiro não sairá da mesa de negociação.
Por fim, ele repetiu o que tem dito outras autoridades, sobre o Brasil fortalecer a busca de novos mercados, com apoio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), BNDES e Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI).
Nós vamos chamar os setores. O presidente Lula pediu que a gente vá ouvir os setores, vamos apoiá-los através de recursos do Brasil Soberano”, completou Alckmin.
(Por Gabriel de Sousa, Lavínia Kaucz, Gabriela da Cunha, Flávia Said e Renan Monteiro)
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