Papa Leão XIV reza em Lampedusa e pede compaixão para migrantes
Vatican Media
São Paulo - O Papa Leão XIV visitou hoje a ilha de Lampedusa, faixa rochosa entre a África e a Europa considerada o principal porto de entrada para milhares de migrantes que atravessaram de barco saídos da Líbia ou da Tunísia, muitas vezes contrabandeados por traficantes de pessoas.
Na ocasião, o Papa prestou homenagem aos migrantes e pediu compaixão e generosidade às pessoas forçadas a deixar seus territórios. “Recebê-los com compaixão e generosidade não é apenas um ato de caridade, mas também um reconhecimento da dignidade que pertence a cada pessoa humana”, declarou o sacerdote máximo da Igreja Católica, e completou:
"Devido à sua localização geográfica e à sua estrutura institucional, a Europa é capaz de enfrentar a crise de forma orgânica, inserindo os primeiros socorros num plano estratégico de longo prazo, que permita acolher, proteger, promover e integrar os migrantes e, ao mesmo tempo, trabalhar em prol do desenvolvimento, para que ninguém seja obrigado a emigrar."
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Em memória do Papa Francisco
A visita remete a um ato de Papa anterior, o argentino Francisco, que em 2013 denunciou a “globalização da indiferença” e chamou a atenção do mundo para o drama dos migrantes que arriscam a própria vida em busca de melhores condições, em particular, dessa rota migratória do Mediterrâneo que havia definido como "o maior cemitério da Europa".
A visita pastoral a Lampedusa começou com o atual Papa colocando flores sobre os túmulos dos migrantes do cemitério local, que morreram durante a travessia. No setor dedicado a migrantes, estimativas apontam que estão sepultadas de 40 a 70 pessoas, a maioria não identificada.
Ao longo das últimas décadas, muitos migrantes identificados foram transferidos para as suas famílias e outros foram enterrados em outros locais da Sicília por falta de espaço em Lampedusa.
Em seguida, o Pontífice foi até a "Porta da Europa", um monumento criado pelo artista Mimmo Paladino, em 2008, em memória às milhares de pessoas que perderam a vida cruzando o Mar Mediterrâneo. A grande porta é feita de cerâmica e ferro, com cerca de 5 metros de altura e voltada para o mar.
"Lampedusa encontra-se hoje em 'uma estrada perigosa', como aquela que descia de Jerusalém a Jericó. Aqui vocês viram não apenas um, mas milhares de seres humanos que caíram nas mãos de salteadores que lhes roubaram tudo, os espancaram cruelmente e se afastaram, deixando-os meio mortos. O mar acolheu os outros, aqueles que não conseguiram chegar onde desejavam”, ressaltou o Papa, e completou:
O desinteresse pelo bem comum e a corrupção nos lugares de origem, um sistema econômico mundial que gera pobreza e exclusão, o medo que alimenta preconceitos e desprezo, a ideia de que tais problemas não nos dizem respeito, os cálculos criminosos de quem lucra com o drama alheio, a lenta e difícil passagem de uma mera gestão de emergências à elaboração de políticas orgânicas e partilhadas: tudo isto reproduz hoje a pressa de 'passar adiante'".
(Com informações da Broadcast e da Vatican News)
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