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Polícia indicia sócios de academia em que mulher morreu após usar piscina

Reprodução/TV Globo

Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, passou mal após entrar na piscina para aula de natação - Reprodução/TV Globo
Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, passou mal após entrar na piscina para aula de natação
Por Estadão Conteúdo

12/02/2026 | 10h26

São Paulo 12/02/2026 - A Polícia Civil indiciou por homicídio nesta quarta-feira, 11, os três sócios da academia C4 Gym, localizada na região de São Lucas, zona leste de São Paulo. No último sábado, 7, a professora Juliana Bassetto, de 27 anos, morreu depois de passar mal durante uma aula de natação no local.

A suspeita é que ela tenha entrado em contato com gases tóxicos gerados por produtos químicos usados para a limpeza da piscina. Outras quatro pessoas, que também frequentaram a mesma atividade estão hospitalizadas.

Leia também: MP vai investigar rede de academias em que mulher morreu após usar piscina

Os proprietários da academia, os sócios Cesar Bertolo Cruz, Celso Bertolo Cruz e Cezar Miquelof Terração, que ainda não tinham se manifestado sobre o caso, prestaram depoimento à polícia nesta quarta. A reportagem busca contato com a defesa. O espaço segue aberto.

No pedido de indiciamento, encaminhado ao Ministério Público de São Paulo, o delegado Alexandre Bento, do 42° DP (São Lucas), cita que os sócios foram displicentes no atendimento às vítimas e que ainda teriam tentado dificultar as investigações do caso.

"No mesmo momento em que os médicos declaravam o óbito de Juliana em um hospital no ABC Paulista, um dos sócios orientava um funcionário a comparecer à empresa a fim de tentar dissipar os gases e descaracterizar a cena do crime", diz o delegado.

O responsável por fazer a mistura de produtos para a limpeza da piscina era o funcionário Severino Silva, de 43 anos, que não tem formação técnica para a função. Na terça, 10, ele informou aos investigadores que era orientado pelos donos do local quanto à mistura e dosagem, via mensagens de celular.

Perícia

A polícia aguarda o laudo necroscópico da professora, além dos laudos pericial e químico, realizados na academia e nas amostras da água e dos produtos utilizados por Severino, para confirmar as causas da morte da professora e das internações das demais vítimas.

A principal linha de investigação é que o cloro pode ter sido misturado com outro cloro de tipo ou marca diferente ou, então, com algum produto químico inadequado. Nos dois casos, há a possibilidade de a mistura gerar uma reação química tóxica.

"Os relatos colhidos indicam a inadequação na utilização de cloro em quantidades excessivas, por pessoas sem habilitação profissional ou conhecimento técnico, empregada de forma consciente e deliberada pelos sócios da empresa C4 Gym, visando exclusivamente à vantagem financeira (lucro)", cita Henrique Bento.

O delegado afirma ainda que, ao tomarem conhecimento sobre os acontecimentos, os sócios "nada fizeram pelas vítimas" e teriam demonstrado "completa impassividade".

Pelo contrário, buscaram preservar a empresa e dificultar as investigações, na medida em que simplesmente orientaram os funcionários a fecharem a empresa e deixarem o local."

"Entendendo que os investigados, pelos motivos acima expostos, assumiram o risco do resultado morte, ao dispensarem o auxílio de profissional com habilitação e capacidade técnica, por egoísmo e ganância, visando apenas e tão somente à redução dos custos", acrescentou Alexandre Bento.

(Por Caio Possati)

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