Pré-candidato quer rever privilégios e ajustar idade mínima de aposentadoria
Isabella Finholdt/Estadão Conteúdo
São Paulo - Estreante em disputas nacionais, o pré-candidato do Missão à Presidência, Renan Santos, tenta ocupar o espaço aberto pelo que descreve como esgotamento do bolsonarismo e pela falta de entusiasmo de parte do eleitorado com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Fundador do Movimento Brasil Livre (MBL), Renan afirma que sua estratégia é consolidar viabilidade eleitoral até o início oficial da campanha, em agosto, mirando a marca de 10% nas intenções de voto para atrair o eleitor antipetista que busca uma alternativa competitiva.
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Na Previdência, Renan diz que pretende conduzir uma mudança “paramétrica”, com correção de regras que, na avaliação dele, mantêm exceções. “É uma reforma paramétrica”, afirmou, ao defender alterações voltadas a “privilégios para o funcionalismo e algumas diferenças de idade para alguns casos especiais”. A proposta, segundo ele, inclui “estabelecer um gatilho baseado no IBGE para o aumento da idade da aposentadoria”, de forma que, se a expectativa de vida do brasileiro subir, a idade mínima aumente automaticamente, sem depender de uma nova reforma aprovada no Congresso. Renan sustenta que o serviço público estará no centro da revisão por concentrar a maior parte das exceções.
‘Tirar fraudes’ e frentes de trabalho
No Bolsa Família, o pré-candidato afirma que o programa precisa ser redesenhado, apontando que a Região Nordeste, que tem 40% dos domicílios no Bolsa Família, é “claramente um lugar que está doente”. Ele argumenta que existe um modelo de incentivos na política brasileira em que o político é premiado se ele dá coisa para a população e não tem compromisso com o aumento da atividade econômica nem com a consecução de políticas públicas que melhorem a formação daquele capital humano dessas cidades.
“Nós temos que tirar fraudes do Bolsa Família, assim como do BPC”, afirmou, acrescentando que é preciso levar para os municípios frentes de trabalho para que, especialmente homens e mulheres, mulheres sem filho, em idade para trabalhar, possam participar. “Do jeito que está, não dá. Até por uma questão de justiça. Alguém está pagando o Bolsa Família dessas pessoas.”
Ao tratar de estratégia eleitoral, Renan afirma ter boa interlocução com jovens nas redes sociais, mas diz ver maior desafio nas faixas mais velhas, que estariam menos mobilizadas politicamente. “Quem está alienado e desesperançoso são as pessoas mais velhas”, afirmou, ao avaliar que esse público demonstra frustração tanto com o governo Lula quanto com o bolsonarismo. Ainda assim, ele relativiza o foco direto desta fatia da população e diz que a principal disputa, para sua campanha, está no eleitorado de 25 a 55 anos - que, segundo ele, vive mais intensamente o cotidiano das ruas e temas como violência e insegurança.
Na economia, Renan defende uma revisão profunda das renúncias fiscais e dos benefícios concedidos a setores produtivos, com transição gradual. Em segurança pública, o pré-candidato propõe endurecer o combate ao crime organizado, com medidas excepcionais para retomar territórios dominados por facções e mudanças legais para ampliar o poder do Estado contra organizações criminosas.
O pré-candidato do Missão avaliou ainda que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é "inviável" como alternativa da oposição a Lula e resume sua posição dizendo que a candidatura do parlamentar não se sustenta: “A campanha do Flávio é uma campanha morta. É uma campanha de defesa, não é uma campanha de ataque”.
(Por Gabriel Máximo e Luci Ribeiro)
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