Trump critica Papa Leão XIV como 'péssimo em política externa'
Alan Santos /PR
Washington - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atacou o Papa Leão XIV nas redes sociais neste domingo, 12, dizendo que o pontífice deveria “parar de ceder à esquerda radical”.
Os ataques têm como motivação a guerra no Irã. “O papa Leão XIV é FRACO no combate ao crime e péssimo em política externa”, escreveu o presidente norte-americano nas redes sociais. E acrescentou: “Não quero um papa que ache aceitável que o Irã tenha armas nucleares”.
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Pouco tempo depois, falando com repórteres após o pouso do Air Force One, vindo da Flórida, perto de Washington, Trump disse: “Não gostamos de um papa que diz que é aceitável ter uma arma nuclear.” “Ele é uma pessoa muito liberal”, disse Trump, antes de acrescentar: “Não sou fã do papa Leão XIV”.
A publicação de Trump veio após o papa ter denunciado, no fim de semana, a “ilusão de onipotência” que está alimentando a guerra entre os EUA e Israel contra o Irã, e ter exigido que os líderes políticos parassem e negociassem a paz.
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A resposta do Papa
Aos cerca de 70 jornalistas que o acompanham em avião com destino à África, uma hora após a decolagem, o pontífice respondeu:
Eu não vejo o meu papel como o de um político; não sou um político, eu não quero entrar em um debate com ele. Eu não tenho medo do governo de Trump”.
E completou: "Continuarei falando com voz forte sobre a mensagem do Evangelho, aquela pela qual a Igreja trabalha”.
Segundo o Papa, a mensagem do Evangelho não deve ser deturpada como alguns estão fazendo. “Nós não somos políticos - repete Leão - não olhamos para a política externa com a mesma perspectiva. Mas acreditamos na mensagem do Evangelho como construtores de paz”.
Leão XIV, nascido nos EUA, não mencionou os Estados Unidos ou Trump nominalmente em sua oração no final de semana. Mas o tom e a mensagem de Leão XIV pareceram direcionados a Trump e a autoridades americanas, que se vangloriaram da superioridade militar dos EUA e justificaram a guerra em termos religiosos.
(Fonte: Associated Press e Vatican News)
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