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Trump diz que acordo provisório com Irã 'acabou', mas mantém negociações

Daniel Torok/Casa Branca

Declaração ocorre em meio à escalada do conflito entre os dois países - Daniel Torok/Casa Branca
Declaração ocorre em meio à escalada do conflito entre os dois países
Por Broadcast

08/07/2026 | 08h38

São Paulo – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (8) que considera encerrado o acordo provisório com o Irã, embora tenha sinalizado que representantes americanos poderão dar continuidade às negociações.

A declaração ocorre em meio à escalada do conflito entre os dois países, marcada por uma nova ofensiva militar dos EUA e pela resposta iraniana contra instalações militares americanas no Golfo.

"Para mim, acho que acabou", disse Trump ao ser questionado sobre a situação do cessar-fogo. "É simplesmente uma perda de tempo lidar com eles."

A declaração foi feita à margem da cúpula de dois dias da Otan, em Ancara, na Turquia, poucas horas depois de os Estados Unidos lançarem uma nova rodada de ataques contra alvos no Irã. Segundo Trump, as conversas diplomáticas poderão prosseguir, mas ele demonstrou ceticismo quanto aos resultados.

Eles podem falar, mas acho que estão perdendo tempo."

Ofensiva contra o Irã

Na noite de terça-feira (7), o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) informou ter concluído uma nova ofensiva contra o Irã, atingindo mais de 80 alvos em resposta aos ataques iranianos contra navios comerciais no Estreito de Ormuz.

De acordo com o Centcom, as forças americanas atacaram sistemas de defesa aérea iranianos, redes de comando e controle, instalações de radar costeiro, capacidades de mísseis antinavio e mais de 60 embarcações de pequeno porte do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica posicionadas dentro e nas proximidades do estreito.

Segundo o comando militar, a operação teve como objetivo reduzir a capacidade do regime iraniano de realizar ataques contra embarcações comerciais. O comunicado cita como alvos das hostilidades iranianas os navios Al Rekayyat, com bandeira das Ilhas Marshall, Wedyan, da Arábia Saudita, e Cyprus Prosperity, da Libéria.

"Essa agressão injustificada por parte das forças iranianas constitui uma violação clara e perigosa do cessar-fogo e compromete a liberdade de navegação", afirmou o Centcom. O comando acrescentou que as forças americanas permanecem em prontidão "para responsabilizar o Irã sempre que o acordo não for respeitado ou cumprido".

Resposta iraniana

Horas depois da ofensiva americana, a Guarda Revolucionária do Irã anunciou ter lançado uma "resposta inicial" contra 85 instalações militares dos Estados Unidos no Bahrein e no Kuwait.

Em comunicado divulgado no Telegram, a guada afirmou que "o exército americano, assassino de crianças e terrorista, violou abertamente o cessar-fogo e o entendimento de Islamabad nas primeiras horas desta manhã", ao realizar ataques aéreos contra bases costeiras e instalações civis nas províncias iranianas de Hormozgan e Mahshahr.

Segundo a Guarda Revolucionária, a ação ocorreu durante o funeral do líder supremo Ali Khamenei, realizado desde o fim de semana.

Após o anúncio da ofensiva iraniana, os governos do Bahrein e do Kuwait informaram que acionaram seus sistemas de defesa aérea para tentar interceptar os mísseis e drones disparados pelo Irã.

A troca de ataques amplia a tensão na região e coloca em dúvida a continuidade do acordo provisório entre Washington e Teerã, apesar de Trump afirmar que os canais de negociação poderão permanecer abertos.

(Por Sergio Caldas e Isabella Pugliese Vellani, com informações da Associated Press)

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