Trump: impedir Irã de obter armas nucleares é mais importante que petróleo
Daniel Torok/The White House
São Paulo - O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que, para ele, impedir que o "império maligno" do Irã de possuir armas nucleares e "destruir o Oriente Médio" é de maior interesse e importância do que as mudanças nos preços do petróleo, em publicação na Truth Social.
"Os Estados Unidos são, de longe, o maior produtor de petróleo do mundo, então, quando os preços do petróleo sobem, ganhamos muito dinheiro", escreveu. Trump sugeriu que Teerã poderia "destruir o mundo" se tivesse armas nucleares, mas não permitirá que isso aconteça.
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Na noite desta quarta-feira, 12, Trump afirmou que seu governo precisa terminar o trabalho no Irã antes de suspender as ações militares, para que não seja necessário retomar os ataques ao país persa “a cada dois anos”. Ele ainda justificou que os ataques foram direcionados a eliminar pessoas malignas do Irã.
“Os preços do petróleo estão caindo e não vamos sair até que eles se estabilizem”, disse Trump durante um evento em Kentucky.
O mandatário também citou a liberação pela Agência Internacional de Energia (AIE) de 400 milhões de barris de petróleo para conter a alta nos preços da commodity e garantiu que o governo americano está “trabalhando para garantir que o petróleo continue fluindo” no Estreito de Ormuz.
“Neutralizamos a Marinha do Irã e 31 embarcações usadas para lançar minas navais”, disse o presidente americano, após afirmar que Teerã estaria instalando minas marítimas na região. “Teríamos que atualizar de hora em hora o que estamos destruindo deles”, acrescentou.
Ataques
Apesar das declarações do presidente americano, os ataques prosseguiram nesta quinta-feira. Tanques de armazenamento de combustível no porto de Salalah, em Omã, pegaram fogo após dias de ataques do Irã ao país vizinho. O ministério das Relações Exteriores do Kuwait condenou o alvejamento do porto e dos tanques de combustível, classificando-os como "escalada perigosa" que ameaça o comércio global.
Há também relatos de que dois drones iranianos atingiram nas proximidades do aeroporto de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, que abriga a companhia aérea Emirates e é o mais movimentado do mundo para viagens internacionais. Quatro pessoas ficaram feridas, mas os voos continuaram, informou o Escritório de Mídia de Dubai.
No Iraque, dois petroleiros estrangeiros carregando petróleo iraquiano foram submetidos a ataques não identificados dentro da área marítima do país, causando incêndio em ambos, segundo informou uma autoridade do porto para a Reuters. Bagdá evacuou 25 membros dos dois navios, enquanto o incêndio continua a consumir as embarcações.
Em Teerã, testemunhas relataram ouvir fortes ataques aéreos, explosões e intenso fogo de baterias antiaéreas. Também era possível ouvir o zumbido de drones sobrevoando. Uma pessoa que dirigia para Teerã descreveu o céu nublado enquanto a fumaça de bombas e explosões de mísseis se misturava no ar, que cheirava a pólvora queimada e gasolina.
Ainda assim, navios petroleiros pertencentes ao Irã parecem continuar a navegar pelo Estreito de Ormuz sem ligar seus aparelhos de rastreamento, que mostrariam onde as embarcações estão. Segundo a Kpler, o Irã retomou as exportações no terminal petrolífero de Jask, no Golfo de Omã, em 7 de março.
Paralelamente, Israel continua sua campanha de ataques contra o Hezbollah no Líbano. Conforme o Wall Street Journal, a ofensiva israelense atingiu áreas suburbanas do sul de Beirute, depois que a milícia libanesa atirou dezenas de mísseis contra Israel.
(Por Pedro Lima, Isabella Pugliese Vellan e Laís Adriana, com informações da Associated Press)
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