Facebook Viva Youtube Viva Instagram Viva Linkedin Viva
Eleições 2026
Cidadania e Direitos / Política

Candidaturas: dados do TSE expõem diferenças de gênero e raça nos partidos

Lula Marques/Agência Brasil

De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, de 20.560 candidaturas, 7.165 são mulheres, o equivalente a 34,85% do total - Lula Marques/Agência Brasil
De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, de 20.560 candidaturas, 7.165 são mulheres, o equivalente a 34,85% do total
Por Marcel Naves

26/08/2026 | 16h34 ● Atualizado | 19h50

São Paulo – As eleições de 2026 chegam às urnas marcadas por diferenças nas representações partidárias. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrou 20.560 candidaturas que servem de base para calcular os porcentuais para a destinação dos recursos do Fundo Partidário e do FEFC (Fundo Eleitoral). 

A Resolução TSE nº 23.752/2026 estabelece que:

  • Mulheres: o partido deve destinar recursos de acordo com a proporção de candidaturas femininas, respeitado o mínimo de 30%;
  • Pessoas negras: a destinação não pode ser inferior a 30%;
  • Pessoas indígenas: os recursos devem seguir, no mínimo, a proporção das candidaturas indígenas dentro dos recortes de gênero do partido.

Do total levantado pelo TSE,  7.165 são mulheres, o equivalente a 34,85%, enquanto os homens representam 13.394 ou seja 65,15%. Entre pretos ou pardos os números chegam a 10.206, o que corresponde a 49,64%. Apenas 191 candidatos, ou seja, 0,93% se declararam indígenas.

A diferença entre as legendas

Em algumas legendas a participação feminina ultrapassa 40%. O  União Popular (UP) aparece com o maior porcentual, com 100 mulheres entre 186 candidatos, ou 53,8%. Na sequência estão PCdoB, com 44,5%; Cidadania, com 42,9%; PSTU, com 40,5%; e PSOL, com 40%.

Maioria das candidaturas negras

O recorte racial também revela diferenças entre as legendas. No conjunto, as candidaturas negras representam praticamente metade da base utilizada pelo TSE: 49,64%.

O porcentual de candidatos pretos e pardos chega a 65,2% no PCB, seguido por Mobiliza, com 63,6%; Rede, com 62,5%; Partido Socialismo e LIberdade (PSOL), com 61,8%; e Solidariedade, com 61,4%.

Entre os partidos com maior número de candidaturas, o Avante apresenta 60,1% de candidatos negros. No PT, são 542 candidatos pretos ou pardos, correspondentes a 49,5% do total. No PL, são 610, ou 37,7%. O MDB tem 628 candidatos negros, equivalente a 45,2%.

O menor porcentual entre as legendas com maior número de candidatos aparece no PL, seguido por Missão, com 37,9%, e PP, com 39,5%.

Candidaturas indígenas ainda são menos de 1%

A presença indígena permanece reduzida. Dos 20.560 candidatos considerados pelo TSE, apenas 191 se declararam indígenas, sendo 84 mulheres e 107 homens. O porcentual nacional é de 0,93%.

A distribuição também é desigual entre os partidos. O PCO apresenta a maior proporção, com dez candidatos indígenas em um total de 146, ou 6,8%. A Rede aparece em seguida, com 19 indígenas entre 349 candidaturas (5,4%).

O PT registrou 37 candidatos indígenas, correspondentes a 3,4% de sua lista, enquanto o PSOL contabilizou 20, ou 2,5%. Em várias legendas, entretanto, não há candidatos indígenas na base considerada. 

Dados influenciam a distribuição de recursos

Para o diretor executivo da Ong Legisla Brasil,Fernando Haddad Moura, além de ampliar a presença de diferentes grupos nas eleições, a distribuição dos recursos de campanha é apontada como um fator decisivo para o resultado das candidaturas.

O desafio, segundo o especialista, é evitar que o dinheiro público fique concentrado em poucos candidatos e garantir condições para que mais concorrentes tenham chances de chegar ao Legislativo.

Não podemos deixar de pensar nas condições de financiamento, garantindo que o recurso destinado a esses grupos não seja extremamente concentrado em poucos nomes.”

Para chegar aos números, o tribunal considerou os pedidos de registro aceitos até às 23h59 de 18 de agosto de 2026 e excluiu candidaturas substitutas. O levantamento tem como objetivo orientar a aplicação dos recursos do Fundo Partidário.

A coordenadora de pesquisa juridica da Fundação  Getúlio Vargas - FGV, Luciana Ramos acredita que os números do TSE mostram que a diversidade ainda avança de forma desigual entre os diferentes grupos que disputam as eleições.

Na avaliação da especialista, o desafio não está apenas em ampliar o número de candidaturas, mas garantir condições para que elas tenham efetiva possibilidade de chegar aos cargos.

Os partidos recebem muitos incentivos para incluir, por exemplo, mais mulheres na política, mas o fato é que eles não têm uma consciência de que isso é, de fato, relevante.”

Comentários

Política de comentários

Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.

Últimas Notícias