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Eleições 2026

Flávio usa voto útil como trunfo para superar desgastes antes do 1º turno

Flávio Bolsonaro enfrenta desafios como financiamento e desgaste com católicos, mas se mostra competitivo nas pesquisas eleitorais.

Broadcast

Por Broadcast

02/10/2026 | 13h39

Reprodução Instagram/@flaviobolsonaro

Flávio Bolsonaro aposta no voto util e alianças para um segundo turno - Reprodução Instagram/@flaviobolsonaro
Flávio Bolsonaro aposta no voto util e alianças para um segundo turno
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Flávio Bolsonaro, chega ao primeiro turno das eleições sem esclarecer o financiamento de sua cinebiografia e enfrenta desgaste com católicos devido a boatos sobre Nossa Senhora Aparecida.

Apesar de desconfianças iniciais do mercado e de não conseguir alianças partidárias, Flávio se apresenta como uma figura representativa do bolsonarismo e do antipetismo.

Com foco em um discurso anticorrupção e na defesa do voto útil, Flávio evita atacar adversários da centro-direita para garantir apoio futuro, enquanto tenta mitigar os impactos de polêmicas.

São Paulo - O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, chega ao primeiro turno da eleição, no domingo, 4, ainda sem explicar o financiamento e o uso de recursos para o Dark Horse, cinebiografia do pai Jair Bolsonaro, sem apoio formal de outros partidos e com um desgaste de última hora com os católicos por um boato sobre o título de padroeira do Brasil atribuído a Nossa Senhora Aparecida.

Apesar disso, o senador carioca, que começou o pleito desacreditado pelos próprios pares no campo bolsonarista, chega à decisão competitivo ante o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e mais próximo de setores econômicos estratégicos.

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Em uma candidatura arquitetada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Flávio Bolsonaro apostou desde o começo na polarização com seu principal adversário, Lula, com quem aparece em empate técnico nas pesquisas de intenção de voto no primeiro e no segundo turnos.

Após meses afirmando que escolheria uma vice mulher e falhar em conseguir alianças partidárias para dar musculatura a seu nome, o senador teve de optar por uma chapa pura com o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como vice, de olho no discurso anticorrupção. Flávio espera, no entanto, atrair siglas como PP, União Brasil e Republicanos para um eventual segundo turno, apontam estrategistas da campanha.

Nas vésperas da votação, Flávio Bolsonaro aposta na defesa do voto útil e prega a união da direita em torno do seu nome contra Lula.

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"Com todo o respeito aos meus adversários, mas quem pode vencer o Lula é Flávio Bolsonaro. Peço oportunidade aqui, humildemente, para você que está me assistindo, me dê esse voto de confiança já no primeiro turno", disse em transmissão em seu canal no YouTube na semana passada.

Para o cientista político e professor da FGV/EAESP Eduardo Grin, Flávio Bolsonaro chega ao primeiro turno com uma candidatura "muito competitiva" e se mostrou a escolha "acertada" como representante do bolsonarismo e do antipetismo.

Ele conseguiu ter essa força política mesmo contrariamente à expectativa negativa de partidos e de parte do mercado que era cética ao candidato. Flávio Bolsonaro consegue, muito pela força do nome e pela identificação com o pai, representar um grande movimento político anti-Lula na sociedade brasileira. Isso o torna o candidato com chances reais de ganhar".
Eduardo Grin, professor da FGV/EAESP

Grin avalia que Flávio ainda é uma "incógnita" para parte do eleitorado e termina a primeira fase da campanha com questões não respondidas, como o envolvimento com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o caso das rachadinhas, a participação na loja da Kopenhagen e um suposto envolvimento com as milícias.

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"Parece que isso não é relevante para a parte da sociedade brasileira, já que o principal objetivo é derrotar o Lula e o PT", observou Grin, que vê maior facilidade do senador em negociar com os partidos dos candidatos alternativos por apoio no segundo turno. "O apoio dos partidos não é majoritário e considera as questões regionais", ponderou.

Tropeços

Ao anunciar sua intenção de concorrer à Presidência, em dezembro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enfrentou a desconfiança do mercado financeiro e do agronegócio, que preferiam o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Para contornar a resistência, vendeu uma imagem de "Bolsonaro vacinado" e "moderado", realizando viagens internacionais para se apresentar.

A partir daí, a campanha foi organizada em eixos como o endurecimento penal, acenos a mulheres, críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ataques à política econômica do governo Lula, focando no encarecimento dos alimentos e no endividamento das famílias, mas sem detalhar propostas para evitar medidas impopulares.

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A trajetória, contudo, sofreu abalos, como a revelação de que pediu dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para o filme "Dark Horse", sobre seu pai, o que resultou em uma investigação por suspeitas de lavagem de dinheiro e corrupção. O caso aumentou a desconfiança de partidos do Centrão.

Em junho, um conflito com a madrasta, Michelle Bolsonaro, que o acusou de maltratá-la, causou desgaste junto ao eleitorado feminino.

Com foco eleitoral no Sudeste e na luta para reduzir a vantagem de Lula no Nordeste, Flávio passou a se definir como "o carioca mais nordestino" e a prometer a manutenção de benefícios sociais.

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A poucos dias do 1° turno, Flávio Bolsonaro passou por mais um revés em sua campanha: o boato de que, se eleito, retiraria de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. Com temor de perder pontos, Flávio Bolsonaro atacou a CNBB e depois reforçou as agendas e os acenos aos católicos e passou a defender publicamente "ser a favor de todas as religiões".

Sem ataques a adversários de olho em 2° turno

Flávio adotou a tática de ignorar ataques de adversários da centro-direita, como Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante). Evitou criticar os adversários de direita afirmando que pretende contar com o apoio deles em um eventual segundo turno.

Outra estratégia foi amenizar críticas à proibição das bets e ao reajuste do Bolsa Família a fim de evitar ruídos com os públicos beneficiários das medidas. Nas últimas semanas, diante do cenário de empate técnico nas pesquisas, o senador carioca intensificou o pedido pelo voto útil em seu nome.

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Por Naomi Matsui e Isadora Duarte

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