Impacto da propaganda eleitoral será bastante limitado neste ano, diz Atlas
Instagram @lideglobal
São Paulo - O cientista político e CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, afirmou nesta segunda-feira, 27, que o impacto da propaganda eleitoral deverá ser "bastante limitado" nas eleições deste ano. Segundo ele, as propostas perderam relevância em uma disputa cada vez mais orientada pela rejeição dos eleitores aos candidatos.
"85% dos brasileiros dizem já ter escolhido seu candidato à Presidência. Desses, cerca de 70% afirmam que nada poderia fazê-los mudar o voto. Ao combinar esses porcentuais, entendemos que o impacto da propaganda eleitoral é cada vez mais limitado", disse Roman durante almoço empresarial organizado pelo Grupo Lide, em São Paulo.
Leia também
Na avaliação do cientista político, a maioria dos candidatos já constrói sua base política por meio de uma campanha permanente nas redes sociais, estratégia que, segundo ele, tem permitido ao influenciador Renan Santos (Missão) mobilizar seu público.
Roman afirmou ainda que as mudanças na comunicação digital, sobretudo em um contexto de polarização, vêm reduzindo a importância de elementos tradicionais das campanhas, como recursos partidários, coligações, apoios políticos, envolvimento de prefeitos e tempo de televisão.
"Entendo que, também, as propostas não são tão relevantes, porque as eleições cada vez mais viraram, como pauta central, assuntos de quem você rejeita mais", continuou. "É muito mais um tema de quem você realmente não quer que te governe. Isso não é apenas um tema no Brasil; é um tema do mundo inteiro."
Qual a situação de Lula?
Roman destacou também uma clara "erosão" na base de apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nos últimos anos, fator que pode ser decisivo para as eleições de outubro.
Entre os pontos que comprovam essa avaliação, mencionou que o nível de aprovação do governo em alguns Estados da Região Nordeste é hoje bastante inferior à média histórica, o que tem refletido, também, em uma menor intenção de voto em favor do petista.
"Existem Estados do Nordeste onde potencialmente a votação do Lula pode cair no primeiro turno em até 10 pontos neste ciclo eleitoral. A mesma erosão estrutural do Lulismo se reflete entre os jovens e também na classe C, na classe média baixa", detalhou.
Roman ponderou, porém, que, apesar dessa configuração estrutural negativa para Lula, o atual presidente segue com uma condição "favorável" nas últimas pesquisas. Conforme o CEO da AtlasIntel, houve uma série de situações "bastante problemáticas" para o principal candidato de oposição, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
"Quando se trata inclusive de uma análise temática, se o maior problema do País continua sendo a corrupção, é difícil fazer uma campanha, de oposição, em prol da luta anticorrupção tendo um grande desgaste, ou grandes elementos negativos afetando a figura do candidato que teria que fazer esse tipo de defesa", pontuou.
Quais os problemas de Flávio Bolsonaro?
O cientista político considerou, porém, que os recentes escândalos associados à figura de Flávio Bolsonaro, por enquanto, ainda estão restritos à parcela do eleitorado que é mais bem informada.
"Isso faz com que esse quadro conjuntural negativo para a oposição, pelo menos quando se trata da campanha do Flávio Bolsonaro, no meu entender é que, ao longo da campanha de primeiro turno, deve continuar", avaliou, acrescentando que isso pode aumentar as chances da terceira via no pleito.
São Paulo é o Estado mais decisivo
O presidente da Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo, afirmou que, ao contrário do que tradicionalmente ocorre, o Estado mais decisivo para o resultado das eleições presidenciais deste ano deverá ser São Paulo, e não Minas Gerais. A consideração também foi feita durante o almoço do grupo empresarial Lide, em São Paulo.
"Numa eleição apertada como deve ser, eu não tenho dúvida em afirmar para você que o Estado decisivo não vai ser Minas. São Paulo vai decidir quem será o próximo presidente. Hoje, o Lula tem essa desvantagem, que foi o desempenho dele de quatro anos atrás contra Jair Bolsonaro. Prestem muita atenção nisso", alertou Hidalgo.
Segundo ele, a tendência que se desenha para este ano também é de um menor envolvimento dos candidatos a governador nas campanhas presidenciais. "Pode ver que, até agora, eles [governadores] estão um pouco mais distantes", frisou.
Ainda sobre os desempenhos nos Estados, Hidalgo mencionou ser importante observar se haverá ou não segundo turno em unidades da Região Nordeste:
Acho que é uma luz amarela no segundo turno, se tivermos o segundo turno, para o presidente Lula. Há risco de ter de 70% a 75% dos eleitores do Nordeste não votarem no segundo turno. Hoje, é bem possível que em Pernambuco, Ceará, Bahia, Piauí e Alagoas, essa eleição termine no primeiro turno. Teria menos mobilização de eleitor para o segundo turno."
(Por Geovani Bucci e Daniel Tozzi)
Comentários
Política de comentários
Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.