Pesquisa mostra que 54% evitam falar sobre política no trabalho
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São Paulo - Em ano eleitoral, a velha máxima de que futebol, política e religião não se discute volta a ganhar espaço nas empresas. Levantamento feito pela Heach Recursos Humanos com 2.080 profissionais em todo o País revela que 54,4% dos entrevistados evitam mostrar suas opiniões políticas por receio de serem prejudicados no trabalho.
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A pesquisa "Política sob Pressão" revela que 23,5% dos pesquisados relataram já terem sofrido coação direta ou indireta de seus superiores. Em 54,7% desses casos, a pressão partiu dos proprietários do negócio, sócios ou da liderança da empresa.
Para o CEO da Heach Recursos Humanos, Elcio Paulo Teixeira, o levantamento mostra um problema muito mais sério do que a simples omissão de uma opinião.
Quando mais da metade dos trabalhadores afirma que evita se posicionar por receio de consequências profissionais, o problema ultrapassa a discussão política. O silêncio deixa de ser simplesmente uma escolha pessoal quando é motivado pelo medo.”
Jovens, terceirizados e o clima corporativo
Confira outras conclusões do levantamento:
- 61,2% dos profissionais de 18 a 24 anos preferem ocultar suas opiniões políticas.
- 28,4% dos temporários e terceirizados afirmam ter sofrido pressão de superiores
- 44,8% disseram que divergências partidárias já prejudicaram o relacionamento entre colegas
- 42,7% dos profissionais pesquisados alegaram que já presenciaram ou sofreram constrangimentos no ambiente de trabalho
- 43,2% afirmam que há conteúdos eleitorais em canais institucionais das empresas (como grupos de WhatsApp e redes sociais)
Falta de orientação e canais de denúncia
Apesar da frequência dos episódios, os mecanismos de defesa são escassos. Cerca de 59,4% dos entrevistados declararam que não encontram canais de denúncia confiáveis ou simplesmente não sabem como agir.
A omissão das companhias se soma à falta de orientação sobre prevenção do assédio eleitoral ou respeito à diversidade de opiniões. Para Elcio Paulo Teixeira, a neutralidade das organizações deve focar no combate ao abuso de poder:
A neutralidade institucional não significa proibir pessoas de conversar sobre política. Significa estabelecer um limite muito claro: ninguém pode utilizar posição hierárquica, poder econômico ou relações profissionais para tentar interferir na liberdade política de outra pessoa.”
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