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Cidadania e Direitos / Política

Lula não vai à debate e fala de Lulinha e taxa das blusinhas à Record

Paulo Pinto/Agencia Brasil

Na entrevista, Lula disse ser favorável a que o povo consuma, mas 'olhando o quanto ganha' - Paulo Pinto/Agencia Brasil
Na entrevista, Lula disse ser favorável a que o povo consuma, mas 'olhando o quanto ganha'
Por Broadcast

24/08/2026 | 08h00

São Paulo - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em entrevista gravada à TV Record e exibida na noite deste domingo, que anunciará o fim da taxa das blusinhas, cobrança do imposto federal de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50. 

Na mesma entrevista, defendeu que seu filho, Fabio Luís Lula da Silva, o Lulinha, seja investigado, comentou a conversa que teve com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e reafirmou propostas nas áreas de segurança pública e educação.

Lula mencionou a reunião que teve com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), no dia 12. Dois dias após o encontro, Alcolumbre informou que determinou o encaminhamento do fim da escala 6x1, da PEC da Segurança Pública e do projeto de uma política nacional de minerais críticos.

A taxa das blusinhas foi temporariamente suspensa em maio, mas a isenção depende da aprovação de uma medida provisória pelo Congresso até 8 de setembro.

Com o fim da taxa, produtos de até US$ 50 comprados em lojas que participam do programa Remessa Conforme deixarão de pagar Imposto de Importação de 20%. As compras, no entanto, continuarão sendo obrigadas a pagar ICMS, imposto estadual cuja alíquota varia de acordo com o Estado.

Na entrevista, Lula disse ser favorável a que o povo consuma, mas "olhando o quanto ganha". Ele ainda afirmou que vai criar, como projeto de governo, educação de economia popular.

O presidente também fez comparações entre seu governo e o do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). "A inflação de alimentos no governo passado chegou em quatro anos a 56,16%; a nossa, chegou em 13,64%, quatro vezes menor", confrontou. "O déficit fiscal no governo deles chegou a 2,8%; no nosso, o máximo foi 0,8%", disse.

Lula também citou a primeira eleição presidencial da qual participou, em 1989, que marcou o retorno do voto popular para presidente após 29 anos. Ao citar os então adversários Leonel Brizola, Mário Covas e Guilherme Afif Domingos, afirmou que hoje diminuiu a importância dos políticos que disputam as eleições. "O nível da política caiu muito, se você não gostava da política de 30 anos atrás, tem muito menos razão para gostar da de hoje."

Investigação sobre Lulinha

Questionado sobre Fabio Luís Lula da Silva, o Lulinha, o presidente defendeu que o filho seja investigado. Em entrevista à Rede Record, veiculada durante o debate de candidatos à Presidência da República, promovido pela Rede Bandeirantes e outros veículos de imprensa, entre eles o Estadão, do qual não participou, Lula disse que não é "juiz, procurador nem delegado", mas que todos são obrigados "a agir corretamente".

Se alguém está agindo de forma errada tem que ser investigado. Ninguém está impune se cometer um erro; vale para meu filho ou para qualquer pessoa."

Lulinha é alvo de três inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF). As apurações conduzidas pela Polícia Federal investigam suspeitas de tráfico de influência em negócios de aliados no governo federal. Lula voltou a dizer que, se houve prejuízo aos cofres públicos, é preciso pagar.

O presidente, no entanto, defendeu o direito à presunção da inocência. "Todo mundo tem o direito de se provar inocente", afirmou. "Nós somos obrigados a fazer a coisa certa, mas se alguém fizer a coisa errada, pagará pelo que fez", declarou.

Sobre corrupção, disse que é "uma coisa quase incontrolável". "Tem em qualquer lugar." Lula afirmou, no entanto, que o País tem capacidade de investigação e que a Polícia Federal (PF) está preparada para investigar.

Segurança pública

Lula reafirmou também que vai criar o Ministério da Segurança Pública, hoje integrado à pasta da Justiça, e que aumentará a autonomia dos governadores no setor. Garantiu ainda que, se reeleito, vai trabalhar com governos estaduais e prefeituras, com a utilização da PF e das Polícias Rodoviária Federal (PRF) e Penal.

Ele defendeu a devolução do território da periferia ao povo e pregou punição a quem tiver que ser punido, mas "não matando quem não precisa morrer".

Lula falou ainda sobre feminicídio. Segundo ele, os três Poderes podem se unir "em luta" contra os assassinatos de mulheres por motivação de gênero. "Precisa trabalhar um processo educacional porque educação está equivocada, tem gente que acha que é dono da mulher e que a mulher não pode fazer nada, mas a mulher quer ser livre, fazer o que ela quiser", disse.

Conversa com Trump

O presidente afirmou ainda que o telefonema que fez nesta semana ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já deu frutos. "Espero que sejam frutos saborosos", afirmou. Segundo Lula, Trump determinou que seus auxiliares conversem com os dele.

Lula relatou ter dito a Trump que as bases das novas sanções tarifárias ao Brasil são mentirosas. O presidente brasileiro afirmou também estar disposto a trabalhar junto com os EUA no combate ao crime organizado.

Os Estados Unidos classificaram, em junho, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), grupos criminosos brasileiros, como organizações terroristas. O governo do Brasil rejeita a classificação, ao argumentar que ela pode ferir a soberania nacional.

Como relatou o Broadcast Político, o tom do telefonema entre os dois presidentes foi caracterizado como ameno e cordial por interlocutores brasileiros.

Na ligação, Lula reiterou o pedido para que Brasil e EUA insistam na negociação para retirar o tarifaço imposto a produtos brasileiros. Trump, segundo o governo brasileiro, "concordou com a necessidade de preservar vínculos comerciais fortes e propôs que equipes dos dois países voltassem a se reunir o mais brevemente possível".

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