Segundo turno: candidato à Presidência que ficou em 2º pode virar a eleição?
Lula e Flávio Bolsonaro disputam a Presidência com menos de 3 milhões de votos de diferença, mas nunca houve virada desde 1989
Marina Uezima e Eduardo Carmim (Agência O Dia) - Estadão Conteúdo
Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro disputam o segundo turno das eleições presidenciais de 2026, com uma diferença de menos de 3 milhões de votos, mantendo a disputa acirrada pela presidência.
Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos no primeiro turno, enquanto Lula ficou com 45,16%, e a abstenção de mais de 33 milhões de eleitores pode influenciar o resultado final.
O segundo turno ocorrerá em 25 de outubro, e além da presidência, os eleitores também decidirão sobre governadores em cinco estados e no Distrito Federal.
São Paulo - Após a pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira, 22, registrar empate exato no segundo turno presidencial, com 50% dos votos válidos para Lula (PT) e 50% para Flávio Bolsonaro (PL), surgiu a questão: um candidato que termina o primeiro turno em segundo lugar pode vencer a eleição no segundo?
A legislação eleitoral permite essa possibilidade, e o resultado depende da votação na etapa decisiva. Apesar disso, nunca houve uma virada desse tipo nas eleições presidenciais brasileiras desde a redemocratização.
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Na disputa de 2026, Lula e Flávio chegam ao segundo turno, marcado para domingo, 25 de outubro, com uma diferença inferior a 2,5 milhões de votos. O resultado mantém aberta a disputa pela Presidência da República.
No primeiro turno, Flávio Bolsonaro recebeu 47,03% dos votos válidos, o equivalente a 56.104.268 votos. Lula ficou com 45,16%, ou 53.879.538 votos.
Para Magno Karl, cientista político e diretor-executivo do Livres, a vantagem de Flávio Bolsonaro é real, mas a disputa pela Presidência segue aberta. Segundo ele, Lula precisa manter os eleitores que já conquistou e ampliar sua votação.
"Essa não é uma tarefa fácil, e ela também envolve conquistar eleitores dos candidatos eliminados, além garantir o comparecimento às urnas de quem está disposto a votar em você", afirma o especialista.
Karl ressalta, porém, que uma eventual virada não é impossível, embora o segundo turno não apague as preferências demonstradas nas urnas na primeira etapa. "A disputa recomeçou do zero", diz.
O que pode favorecer uma virada no segundo turno?
A transferência de votos de candidatos que ficaram de fora da disputa pode influenciar o resultado. Os eleitores também podem mudar de escolha entre as duas votações.
Outro fator é a abstenção. No primeiro turno de 2026, mais de 33 milhões de eleitores não compareceram às urnas, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O índice chegou a 21,08% do eleitorado. Além disso, os votos brancos corresponderam a 1,84% do total, enquanto os nulos representaram 2,93%.
A participação desses eleitores no segundo turno, assim como a decisão de quem votou em outras candidaturas, pode alterar o resultado.
Nós tivemos menos ausentes no segundo turno de 2022 do que tivemos no primeiro turno daquele ano. Mas a composição do grupo dos ausentes é complexa o suficiente para que nenhum candidato possa presumir que o aumento da presença será vantagem ou desvantagem.
Magno Karl, cientista político
Por isso, a diferença registrada na primeira etapa não garante a vitória de nenhum dos concorrentes. Assim, mesmo com a vantagem numérica de Flávio na primeira votação, Lula ainda pode vencer a eleição, desde que obtenha mais votos válidos na etapa final.
O que aconteceu nos segundos turnos anteriores?
Desde 1989, quando o Brasil voltou a realizar eleições presidenciais diretas após a ditadura militar, o candidato mais votado no primeiro turno sempre venceu o segundo turno nas disputas em que houve essa etapa.
Na primeira eleição presidencial após a redemocratização, Fernando Collor de Mello terminou a primeira votação à frente de Lula e confirmou a vantagem no segundo turno.
Nas eleições presidenciais de 2002, 2006, 2010, 2014, 2018 e 2022, o candidato que liderou o primeiro turno também acabou eleito após o segundo.
"Quem chega à frente já demonstrou maior capacidade de reunir votos, e muitas das razões dessa escolha permanecem na etapa seguinte. Mas sete eleições, realizadas em condições diferentes, não estabelecem uma regra para a próxima", afirma Karl.
O cientista político pondera que fatores como a distância entre os candidatos, a rejeição aos concorrentes e a conquista de novos eleitores também influenciam o resultado.
O que mais será decidido em 25 de outubro?
Além de escolher o próximo presidente da República, os eleitores também votarão para governador em cinco Estados: Acre, Amazonas, Espírito Santo, Rio Grande do Norte e Tocantins. O Distrito Federal também terá segundo turno para o governo local.
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