Zema abre série de entrevistas da Globo sem priorizar aposentados
Reprodução TV Globo
São Paulo - O candidato do Novo à Presidência da República, Romeu Zema, apresentou nesta segunda-feira (24) uma campanha baseada na redução de gastos públicos, queda dos juros e maior liberdade econômica. Os temas foram tratados na abertura da série de entrevistas do Jornal Nacional, da TV Globo, com os principais candidatos à Presidência.
Durante a sabatina, o presidenciável afirmou que considera a medida de tornar vacinas obrigatórias por questão de saúde é antidemocrática.
“Eu tomei todas as vacinas da covid, acredito na ciência, recomendo que tome. Em Minas eu recomendei que as crianças tomassem. Agora, eu não posso permitir que uma família, uma criança seja perseguida porque alguém não tomou a vacina. Então, eu tenho em mim essa questão de que ser obrigatório, transformar num crime, isso não é o que pode acontecer num país democrático", declarou.
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Propostas econômicas
Na área econômica, Zema afirmou que pretende reduzir a taxa básica de juros, atualmente em 14% ao ano, para cerca de 6%. Segundo ele, a queda seria consequência de um governo com maior controle das contas públicas e credibilidade junto ao mercado.
O candidato também abordou a política de valorização do salário mínimo e garantiu que os trabalhadores não terão perda provocada pela inflação, mas condicionou eventuais aumentos reais ao desempenho da economia.
“Eu garanto que ninguém vai ter perda. Se tiver inflação, nós daremos toda a inflação. É um absurdo um aposentado não ter a reposição inflacionária ou, pior, ficar sem receber a aposentadoria”, disse.
Zema afirmou ainda que pretende manter a regra orçamentária que vincula os pisos de educação e saúde às receitas da União, mas afirmou que quer “debater” a norma.
O candidato do Novo manteve a promessa de privatizar estatais federais, como Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, e criticou a atual situação das companhias: “As empresas brasileiras hoje estão subavaliadas porque têm uma gestão muito ruim”.
Zema defende anistia e nega golpe de estado
Um dos momentos mais controversos da entrevista ocorreu quando Zema falou sobre os atos de 8 de Janeiro de 2023. O candidato afirmou que não considera os episódios uma tentativa de golpe de Estado e defendeu a anistia para os condenados. Como alternativa, disse que os processos deveriam ser submetidos a novos julgamentos por tribunais que, na sua avaliação, não tenham caráter político.
Na segurança pública, Zema voltou a defender medidas mais duras contra o crime organizado e mencionou a criação de um presídio de segurança máxima na região Norte do país. O candidato também reforçou posições relacionadas às chamadas liberdades individuais, incluindo críticas à obrigatoriedade da vacinação.
Zema mantéve uma postura de oposição ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e tenta se apresentar ao eleitorado como uma alternativa de direita com foco em gestão, responsabilidade fiscal e redução do tamanho do Estado.
Na área de educação, o candidato se comprometeu em aumentar o número de escolas em tempo integral em dez vezes, caso seja eleito. “Eu vou avançar o que for possível. Eu não sei quantas escolas hoje no Brasil nós temos que ainda não têm o ensino integral. Mas como eu falei, em Minas, nós multiplicamos por 12: de 70 para mais de 800", disse.
Primeira de uma série de entrevistas
A Globo selecionou seis candidatos para a série de entrevistas, considerando os nomes mais bem posicionados na pesquisa Quaest divulgada em agosto. Depois de Zema, a emissora programou as participações de Ronaldo Caiado, Renan Santos, Lula, Flávio Bolsonaro e Augusto Cury.
(com Gabriel Máximo)
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