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A cada 10 diagnósticos de autismo, 8 ainda são feitos na rede privada

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Ainda assim o SUS concentra a maior proporção de diagnósticos na primeira infância, - Envato
Ainda assim o SUS concentra a maior proporção de diagnósticos na primeira infância,
Por Emanuele Almeida

10/04/2026 | 11h19

São Paulo - Os dados mais recentes do Mapa Autismo Brasil (MAB) trazem um melhor contexto sobre a identificação do Transtorno do Espectro Autista (TEA) no sistema de saúde público e no privado. A pesquisa mostra que, em redes particulares onde há um acesso mais facilitado a especialistas, o diagnóstico de TEA é mais constante. Por outro lado, na rede pública é maior a proporção de notificações de crianças com o espectro. 

A análise da rede de saúde onde ocorre o diagnóstico aponta que a maioria ocorre na saúde suplementar (55,3%), seguida por planos de saúde (23,1%). O Sistema Único de Saúde (SUS) responde por apenas 20,4% dos casos, além de 1,2% categorizados como "outros" ou que não lembram.

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Em termos práticos, a cada 10 diagnósticos de autismo realizados no País, quase 8 ocorrem por vias privadas, enquanto apenas 2 são efetivados no sistema público. 

A predominância do setor privado evidencia a suboferta de atendimento especializado no SUS. Contudo, a rede pública ainda carrega uma importância singular: apesar de menor em volume total, o SUS concentra a maior proporção de diagnósticos na primeira infância, indicando um papel central na identificação precoce do autismo, apesar dos desafios constantes. 

Além disso, as variações regionais demonstram que, onde o mercado de saúde suplementar é menos denso, o SUS ganha protagonismo frente aos convênios:

  • Na região Norte, os diagnósticos ocorrem na rede particular (48%), no SUS (33,5%) e por planos de saúde (16,9%);
  • No Nordeste, a rede particular atende 56,8%, o SUS 24,1% e os planos de saúde 18,1%;
  • No Sul a divisão é rede particular (59,2%), planos de saúde (23%) e SUS (16,9%);
  • No Sudeste, particular (53,7%), planos (26,4%) e SUS (18,5%);
  • No Centro-Oeste, particular (58,1%), planos (22,8%) e SUS (17,9%). 

Autismo em idosos

A pesquisa também traz o contexto do diagnóstico de TEA em adultos e idosos. Do total de pessoas autistas que participaram da amostra da pesquisa, os adultos representam 27,6% e as pessoas idosas apenas 0,3%.

Quando o momento em que a confirmação do quadro ocorreu é analisado, os números revelam que 21,6% das pessoas receberam o diagnóstico de autismo já na fase adulta e 0,2% foram diagnosticadas na terceira idade.

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Para dimensionar esse cenário, é importante ressaltar que a grande maioria das confirmações do diagnóstico ocorre na infância, com as crianças e jovens concentrando 77,7% de todos os diagnósticos no País. Esse contexto mostra que, para cada pessoa idosa que recebeu o diagnóstico de autismo hoje no Brasil, existem aproximadamente 388 crianças e jovens já diagnosticados.

Diagnóstico tardio 

A presença dos diagnósticos tardios na fase adulta e idosa é o principal fator que eleva a média geral de idade de diagnóstico da amostra para 11 anos, embora a idade mediana seja de apenas 4 anos, o que indica que a metade de todos os diagnósticos ocorre na primeira infância.

A menor presença de adultos e idosos com diagnóstico reflete o subdiagnóstico histórico e as barreiras de acesso enfrentadas em décadas anteriores. Isso porque, historicamente, até o ano de 1989, o autismo viveu um período de invisibilidade diagnóstica, sendo compreendido clinicamente como psicose infantil (CID-9), com diagnósticos restritos a casos graves – apenas 0,2% da amostra – e geralmente institucionalizados em hospitais psiquiátricos ou locais de longa permanência.

Depois, entre os anos de 1990 e 1994, houve uma transição conceitual com a CID-10 reconhecendo-o como transtorno do desenvolvimento, mas com baixo impacto prático, mantendo os diagnósticos na faixa de 0,2%. 

Foi somente entre 2015 e 2019, período que concentra 15,2% dos diagnósticos, que houve a consolidação do conceito de TEA, permitindo a identificação de casos leves e moderados. A partir do avanço do acesso à informação e maior circulação de conhecimento, o País viveu uma aceleração do diagnóstico impulsionada pela pandemia e por redes de apoio.

Assim, a maior parte dos diagnósticos da amostra ocorreu nos últimos anos: 69,6% apenas no período de 2020 a 2024. Esse contexto revela que, para cada pessoa diagnosticada com autismo até o ano de 1989, quase 348 diagnósticos foram realizados recentemente, entre 2020 e 2024.

Quem faz o diagnóstico

A confirmação do diagnóstico é feita a partir de um processo altamente especializado:

  • Os responsáveis por fechar o diagnóstico são predominantemente o médico neurologista ou neuropediatra (67,1%) e o psiquiatra (22,9%);
  • Em menor escala, a confirmação também vem por meio de psicólogos (6,4%), outros profissionais da saúde (1,7%), pediatras (1,4%) e médicos de família (0,3%), com 0,2% das pessoas sem saber informar quem confirmou.

Como a pesquisa foi feita

O Mapa Autismo Brasil (MAB) 2025 foi realizado por meio de um questionário on-line, voluntário e gratuito, aplicado na plataforma SurveyMonkey entre março e julho de 2025. 

Composto por 43 questões clínicas e sociodemográficas, o levantamento reuniu 23.632 respostas válidas de pessoas autistas maiores de 18 anos e responsáveis em todo o País.

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