Abuso emocional contra idosos ocorre em casa e deixa marcas invisíveis
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São Paulo - O Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, lembrado nesta segunda-feira, 15, lança luz sobre agressões que frequentemente escapam aos olhos da sociedade por não deixarem hematomas visíveis.
Muito além dos abusos físicos, a violência emocional — caracterizada por humilhações, negligência, abandono afetivo e exclusão social — tem um impacto devastador na saúde mental e física da pessoa idosa.
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Segundo a geriatra da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, Luciana Louzada Farias, atitudes rotineiras que infantilizam ou diminuem a pessoa idosa geram um sofrimento psicológico profundo, comprometendo severamente sua autoestima e bem-estar.
Muitas vezes, a violência emocional acontece de forma silenciosa e repetitiva, por meio de atitudes que diminuem, infantilizam ou desconsideram a pessoa idosa. Esse tipo de situação pode comprometer a autoestima, aumentar o sofrimento psicológico e impactar diretamente a saúde física e mental”.
Ela aponta que o isolamento e a quebra de vínculos sociais são grandes catalisadores para o surgimento ou agravamento de quadros de depressão, ansiedade, declínio cognitivo e perda de funcionalidade.
Esse cenário silencioso de sofrimento encontra eco na realidade diária de milhões de brasileiros. Com o rápido envelhecimento da população, que saltou para 34,1 milhões de pessoas com 60 anos ou mais em 2024, a estruturação de redes de cuidado e proteção tornou-se imprescindível.
Os números refletem essa urgência: apenas nos três primeiros meses de 2025, o Disque 100 registrou cerca de 250 mil denúncias de violações de direitos desse grupo, englobando sobretudo casos de abandono e violência psicológica. No ano anterior, as pessoas idosas já haviam sido vítimas em 179,6 mil registros do canal.
Violência acontece dentro de casa
A Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia de São Paulo (SBGG-SP) alerta que grande parte dessas violações ocorre na própria residência da vítima, sendo praticadas por indivíduos próximos e do convívio familiar.
A diretora da SBGG, Marília Berzins, destaca que o cerceamento da autonomia, o controle indevido do dinheiro, o isolamento imposto e a infantilização são formas corriqueiras de violência.
De acordo com a especialista, o etarismo enraizado em nossa cultura faz com que a voz da pessoa idosa seja frequentemente invalidada, e suas dores, minimizadas.
Proteger não é controlar. Cuidar não é retirar direitos. A pessoa idosa precisa ser reconhecida como sujeito de vontade, história, desejos e escolhas”.
Para reverter esse quadro, é vital que as famílias, os profissionais de saúde e a comunidade estejam atentos aos sinais de socorro que, muitas vezes, não são verbalizados, como:
- Tristeza contínua;
- Retraimento social;
- Alterações inexplicáveis na saúde;
- Lesões recorrentes;
- Ausência em consultas médicas;
- Mudanças nas finanças sem justificativa.
Atendimento personalizado
Além de uma rede de apoio afetiva, o atendimento especializado desempenha um papel crucial no acolhimento dessas pessoas. Iniciativas como o Pronto-Socorro 60+ da Unidade Pompeia do Hospital São Camilo, reconhecido com o selo Amigo do Idoso, buscam preservar a independência e oferecer assistência geriátrica qualificada para auxiliar no envelhecimento saudável.
Como denunciar
Romper a barreira do silêncio é a principal ferramenta de proteção. Casos de violência, suspeitos ou confirmados, devem ser reportados ao Disque 100, que desde 2025 conta com um protocolo governamental de prioridade, com escuta qualificada que visa evitar a revitimização e realizar os encaminhamentos necessários.
Os contatos são:
- Telefone: Disque 100 (ligação gratuita);
- WhatsApp e Telegram: (61) 99611-0100;
- E-mail: disquedireitoshumanos@mdh.gov.br;
- Site oficial: gov.br/mdh/pt-br/ondh.
Em situações de emergência, a indicação é acionar também os serviços de segurança pública e saúde.
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