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Anorexia após os 50: nutricionista alerta para riscos de canetas emagrecedoras

Sara Singer, autora do livro ‘Escolhi Viver’, explica como reconhecer sinais do transtorno na maturidade e destaca os riscos do uso indiscriminado do medicamento

Redação Viva

Por Redação Viva

28/09/2026 | 18h54

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O novo normal não deve ser não sentir fome, argumenta a autora - Adobe Stock
O novo normal não deve ser não sentir fome, argumenta a autora
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A pressão estética por um corpo perfeito atinge cada vez mais pessoas acima de 50 anos, exacerbada pelo uso de 'canetas emagrecedoras', que têm levado a quadros graves de desnutrição e anorexia na vida adulta.

A crença equivocada de que essas medicações devem eliminar completamente o apetite tem gerado um aumento de casos de Agonorexia, um transtorno alimentar relacionado ao uso abusivo dessas substâncias.

Sara Singer, nutricionista e autora de um livro sobre sua experiência com anorexia, destaca a importância de um tratamento multidisciplinar e alerta para a dificuldade de diagnóstico em adultos, que muitas vezes escondem o problema até chegarem ao limite do esgotamento físico e mental.

Resumo gerado por IA

São Paulo - A busca pelo corpo perfeito não é uma exclusividade da juventude. A pressão estética, intensificada pelas redes sociais e pelo incentivo à magreza extrema, também atinge mulheres e homens a partir de 50 anos. E o cenário ganhou um contorno ainda mais complexo com a popularização das "canetas emagrecedoras".

É o que explica a nutricionista Sara Singer, especialista em transtornos alimentares e autora do livro “Escolhi Viver! – Virei a mesa contra a Anorexia. Hoje, comer me faz muito bem!", da editora Autografia, que será lançado nesta segunda-feira (28) no Shopping Iguatemi. “Os 50 anos de hoje são os novos 30", ela afirma. A busca pelo corpo perfeito acompanha os anos de vida.

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O principal problema é que agora parte destes adultos tem recursos para comprar as canetas com as medicações, e o uso indiscriminado tem levado a quadros graves de desnutrição e anorexia na vida adulta. “As pessoas adultas, na busca do emagrecimento sem fim, constante, estão perdendo a mão na dosagem", afirma Singer.

O 'fim’ da fome

O principal erro no uso dessas medicações é a crença de que o remédio deve eliminar completamente o apetite. A medicação foi desenvolvida para reduzir o excesso de fome no tratamento da obesidade e do diabetes, mas muitos pacientes adultos passam a usá-la de forma manipulada para emagrecer sem necessidade.

Estão achando que não é para sentir fome, acham que não é para comer. O novo normal não é não sentir fome."
Sara Singer, nutricionista

Segundo a especialista, esse comportamento pode evoluir para a chamada Agonorexia — termo associado ao abuso das canetas emagrecedoras no espectro dos transtornos alimentares.

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A consequência direta desse emagrecimento desenfreado não é apenas esteticamente doentia, mas biologicamente perigosa. Ao parar de comer, o organismo consome a própria massa muscular. “É um corpo esquálido, catabólico, uma coisa doente. Você olha para a pessoa e vê que ela está se autocatabolizando.”

Sara ressalta que a perda de músculos elimina a reserva de segurança do corpo contra imprevistos. “Você tem que ter um mínimo de segurança para uma cirurgia ou uma internação. Sem reserva muscular, o organismo fica vulnerável.”

O desafio do diagnóstico no adulto

Identificar a anorexia em pessoas maduras é mais difícil do que em jovens. Enquanto adolescentes costumam ser levados ao consultório por familiares, o adulto muitas vezes esconde o problema do parceiro ou dos filhos, mora sozinho ou finge normalidade nas refeições cotidianas. “O adulto tem que querer ir com as próprias pernas, e ele não está se enxergando", explica a nutricionista.

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Muitas vezes, a busca por ajuda só ocorre quando o paciente chega ao limite do esgotamento físico e mental ou por encaminhamento psiquiátrico. Como a anorexia está frequentemente atrelada ao perfeccionismo, à ansiedade e à depressão, o tratamento exige uma equipe multidisciplinar, com médico psiquiatra, psicólogo e nutricionista, além do envolvimento direto da família.

No consultório, medidas práticas são tomadas imediatamente: “Uma das primeiras coisas que eu peço é tirar a balança de casa. O paciente anoréxico pesa três, quatro vezes por dia. Tudo interfere no peso e vira uma loucura na cabeça dele.”

Sinais de alerta: como identificar o transtorno

A nutricionista destaca que é essencial diferenciar a perda natural de apetite da restrição obsessiva típica da anorexia. Famílias e amigos devem ficar atentos aos seguintes comportamentos no dia a dia:

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  • Restrição de alimentos habituais: quando a pessoa para abruptamente de comer itens de que sempre gostou, como uma fatia de pizza ou um doce, sob o pretexto de regras rígidas que criou na própria cabeça.
  • Sentimento intenso de culpa: sensação de angústia profunda ou arrependimento após ingerir qualquer alimento fora do seu padrão restritivo.
  • Pensamentos obsessivos de compensação: preocupação constante sobre como “queimar” o que comeu, seja por meio de exercícios físicos em excesso, uso de laxantes ou privação prolongada.
  • Distorção da imagem corporal: incapacidade de enxergar a própria magreza, percebendo-se sempre acima do peso, independentemente de quão magra a pessoa esteja.
Sara Singer se inspirou na própria experiência de vida para se dedicar ao tema
Sara Singer se inspirou na própria experiência de vida para se dedicar ao tema. Daniele Justus

Da dor pessoal à escolha de viver

A dedicação de Sara Singer ao tema nasceu de sua própria experiência de vida. Aos 13 anos, ao tentar emagrecer para sua festa de 15 anos, ela desenvolveu um quadro severo de anorexia, passando de cerca de 80 kg para 39 kg. Anos mais tarde, cursou nutrição como uma forma de "resolver sua própria dor".

Já são três décadas de trajetória. As memórias pessoais e a história profissional se misturam no livro “Escolhi Viver". Além da autobiografia, a publicação reúne depoimentos de pacientes e familiares para abordar o surgimento da doença em adultos, o papel das redes sociais e os caminhos para construir uma relação saudável, prazerosa e consciente com a comida, mostrando que a verdadeira cura ultrapassa os números na balança.

O título escolhido está longe de sugerir que superar a anorexia é uma mera questão de escolha ou força de vontade. Singer explica que ele reflete a gravidade do diagnóstico e a necessidade de uma decisão ativa do paciente pela saúde. “Anorexia de fato mata. Ninguém anda sem combustível. Cheguei aos 39 kg e, se não fosse a minha família e a equipe pegar minha mão, eu não estaria aqui. A gente não quer ganhar peso, mas a gente quer viver.”

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Para Sara, a verdadeira recuperação não é medida na balança, mas na paz de espírito diante do prato. “A cura e a recuperação acontecem quando você não tem mais culpa ao comer e quando não quer fazer nenhuma compensação porque comeu. Quando você entende que, no aniversário ou no Natal, o bolo faz parte da comemoração e da vida emocional de forma saudável”, conclui a nutricionista.

Serviço

Lançamento de Escolhi Viver! – Virei a mesa contra a Anorexia. Hoje, comer me faz muito bem

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  • Autora: Sara Singer
  • Editora: Autografia
  • Data: 28 de setembro de 2026
  • Local: Livraria da Travessa, Shopping Iguatemi, São Paulo
  • Horário: 18h
  • Formato: 14 x 21 cm | 140 páginas

(Por Bárbara Marques, especial para o VIVA)

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