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Automedicação: conheça os limites entre o autocuidado e os riscos à saúde

Entender a importância de diferenciar o uso seguro de remédios e da automedicação evita complicações e diagnósticos tardios

Redação Viva

Por Redação Viva

28/09/2026 | 08h11

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Uso inadequado de medicamentos pode provocar eventos adversos e interações medicamentosa - Adobe Stock
Uso inadequado de medicamentos pode provocar eventos adversos e interações medicamentosa
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A automedicação é um hábito comum entre os brasileiros, mas especialistas alertam para os riscos do uso inadequado de medicamentos, que pode levar a complicações e atrasar diagnósticos. A presidente da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para o Autocuidado em Saúde (Acessa) destaca a necessidade de diferenciar o uso responsável da auto prescrição indiscriminada.

Uma pesquisa recente revelou que 90% dos brasileiros utilizam medicamentos sem prescrição, principalmente para sintomas leves. A Anvisa regulamenta a venda de medicamentos isentos de prescrição, que devem atender a critérios específicos para garantir a segurança do usuário.

Profissionais de saúde, especialmente farmacêuticos, desempenham um papel crucial na orientação sobre o uso seguro de medicamentos. A educação em saúde é fundamental para que os cidadãos reconheçam quando podem se automedicar e quando devem buscar ajuda profissional.

Resumo gerado por IA

São Paulo - Aquela dor de cabeça no meio da tarde ou o resfriado que não passa costumam ter um destino certo: a farmácia mais próxima. Embora a automedicação seja um hábito da esmagadora maioria dos brasileiros, o debate médico atual tenta traçar um limite claro: quando o alívio rápido e responsável se transforma em um consumo perigoso e indiscriminado de remédios?

A presidente-executiva da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para o Autocuidado em Saúde (Acessa), Cibele Costa Zanotta, reforça a importância de diferenciar o uso responsável, dentro dos limites considerados seguros, da autoprescrição e do consumo indiscriminado de remédios. 

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A preocupação está justamente no uso inadequado, que pode provocar eventos adversos e interações medicamentosas, além de mascarar sintomas e retardar o diagnóstico de condições que exigem avaliação e acompanhamento profissional.

Zanota afirma que distinguir os dois comportamentos é importante em uma sociedade na qual as pessoas têm cada vez mais acesso à informação e querem participar ativamente das decisões relacionadas à própria saúde. “O desafio não deve ser reduzir essa autonomia, mas criar condições para que ela seja exercida com segurança, informação de qualidade e responsabilidade”, diz.

Papel ativo na saúde

Uma pesquisa do Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ), da Universidade Estadual de São Paulo (USP), realizada em 2024, revela que nove em cada dez brasileiros tomam medicamentos sem prescrição. O levantamento também indicou que a automedicação é mais comum para sintomas como dores de cabeça, gripes, resfriados, febres e dores musculares.

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Nesses casos, em que os problemas de saúde tendem a se resolver sozinhos e a automedicação é feita com medicamentos de venda livre, como analgésicos e antitérmicos, na avaliação de Zanotta, ela pode ser adequada, desde que siga as orientações da bula.

No Brasil, a Resolução RDC nº 98/2016 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estabelece os procedimentos e critérios para o enquadramento de medicamentos como isentos de prescrição (MIPs, ou em inglês de Over the Counter - OTC).

Para isso, eles devem cumprir sete exigências fundamentais, como tempo de comercialização, gravidade da doença, segurança, manejo pelo paciente, uso de curta duração, ausência de mascaramento e risco de dependência.

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Quando usar medicamentos isentos de prescrição

De acordo com Zanotta, os MIPs têm uma função específica e são destinados a situações nas quais é possível ao indivíduo reconhecer determinados sintomas e usar um medicamento aprovado para aquela finalidade, seguindo corretamente as informações de uso.

Diversas cartelas de medicamentos amontoados
Os medicamentos que podem ser comprados sem prescrição médica são chamados de Mips (ou OTC, em inglês) - Adobe Stock

Mas o autocuidado responsável não deve substituir médicos, farmacêuticos ou serviços de saúde, mas fortalecer o indivíduo como participante do cuidado individual. Trata-se de adquirir conhecimento sobre a própria saúde, adotar hábitos que contribuam para sua promoção e para a prevenção de doenças, reconhecer sintomas, tomar decisões responsáveis. 

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“Isso não elimina a importância dos profissionais de saúde. Ao contrário, reforça a necessidade de uma rede de orientação que ajude o cidadão a saber o que pode cuidar sozinho e quando precisa procurar ajuda”, afirma.

A presidente-executiva da Acessa destaca que um dos papéis mais essenciais nesse processo é o do farmacêutico, já que ele pode orientar sobre o uso correto do remédio, a duração do tratamento e possíveis interações e, principalmente, identificar situações em que o paciente deve procurar atendimento médico.

“Da mesma forma, sintomas intensos, persistentes ou recorrentes exigem outro nível de cuidado e investigação profissional”, afirma.

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Letramento em saúde

Segundo Zanotta, a dor é um exemplo dessa fronteira, uma vez que é um dos principais motivos que levam as pessoas a recorrer aos medicamentos por conta própria -- uma condição frequente na população brasileira. Um estudo nacional com usuários da Atenção Primária à Saúde indicou que, aproximadamente, 50,7% dos entrevistados relataram algum grau de dor ou desconforto, enquanto cerca de 10% referiram dor intensa ou extrema.

Uma dor eventual e de menor complexidade pode fazer parte de situações passíveis de autocuidado. Mas uma dor que persiste, se intensifica ou se repete não deve ser simplesmente silenciada sucessivamente com medicamentos. Saber reconhecer essa diferença é letramento em saúde”
Cibele Costa Zanota, presidente da Acessa

É nesse sentido que, para a executiva, não basta somente oferecer informações, mas também ajudar as pessoas a compreendê-las e transformá-las em decisões melhores. “Ler corretamente uma bula, conhecer contraindicações, respeitar doses e tempo de uso, entender possíveis interações e reconhecer sinais de alerta são competências práticas de saúde”, diz.

Grupos que exigem mais atenção, como crianças, idosos, gestantes e pessoas que convivem com doenças crônicas ou utilizam vários medicamentos, precisam de cuidados ainda maiores.

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“Fatores como idade, peso corporal, função hepática e renal, presença de doenças crônicas, uso concomitante de outros medicamentos e histórico de alergias podem influenciar a segurança e a eficácia do tratamento”, afirma a presidente-executiva da Acessa.


(Por Ana Magalhães, especial para o VIVA)

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