Novo Nordisk prepara ao menos 5 novos medicamentos para obesidade e diabetes
Fabricante do Ozempic quer ter ao menos cinco novos medicamentos para obesidade e diabetes e um número semelhante em outras áreas terapêuticas
Por Broadcast
21/09/2026 | 08h00Adobe Stock
A Novo Nordisk planeja lançar novos medicamentos com potencial de vendas bilionárias e expandir para novas áreas terapêuticas, buscando reacelerar seu crescimento após perder participação no mercado de obesidade para a Eli Lilly.
A empresa pretende desenvolver pelo menos cinco novos medicamentos para obesidade e diabetes até 2030, além de explorar distúrbios do sangue, doenças do fígado e cardiovasculares, visando vendas de 150 bilhões de coroas dinamarquesas até 2035.
Apesar da pressão das vendas devido à concorrência de genéricos e preços mais baixos nos EUA, a Novo Nordisk está implementando uma reestruturação que inclui cortes de 9.000 empregos e uma nova estratégia de marca para se conectar melhor com os consumidores.
Londres - A Novo Nordisk pretende lançar vários novos medicamentos com potencial de vendas bilionárias nos próximos anos e, ao mesmo tempo, expandir sua atuação para novas áreas terapêuticas. O plano, apresentado em um evento com investidores em Londres nesta segunda-feira, busca reacelerar o crescimento da fabricante do Ozempic.
Além de pelo menos cinco novos "multiblockbusters", a empresa quer ter, até 2030, ao menos cinco novos medicamentos para obesidade e diabetes e um número semelhante em outras áreas terapêuticas em estudos de fase avançada. A companhia também mira mais de 150 bilhões de coroas dinamarquesas (US$ 23,05 bilhões) em vendas, em 2035, com produtos de seu pipeline. Em 2025, a receita total foi de 309,06 bilhões de coroas.
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No evento, o CEO Mike Doustdar disse que, embora a Novo Nordisk siga fortalecendo o portfólio de diabetes e ampliando o pipeline de obesidade, é hora de diversificar ainda mais. Segundo ele, a empresa buscará novas frentes de crescimento em distúrbios do sangue e endócrinos, doenças do fígado e doenças cardiovasculares.
As ambições vêm em um momento em que a farmacêutica dinamarquesa perdeu terreno no aquecido mercado de medicamentos contra obesidade para a rival Eli Lilly. A Novo Nordisk cedeu a liderança nas canetas emagrecedoras à concorrente americana, mas seus comprimidos para perda de peso, lançados recentemente, têm mostrado boa aceitação e deram à empresa uma vantagem inicial no mercado oral. Doustdar já afirmou que os sinais iniciais reforçam sua expectativa de que os novos produtos ajudem a recuperar parte do market share perdido.
Ao mesmo tempo, a semaglutida, ingrediente ativo de Ozempic e Wegovy, começou a perder exclusividade em alguns mercados, abrindo espaço para versões genéricas mais baratas. A patente perdeu exclusividade no Canadá, na Índia, no Brasil e na Turquia neste ano, enquanto, na Europa e nos EUA, o período de exclusividade vai até o início da década de 2030.
Doustdar afirmou nesta segunda-feira que a companhia vai "competir ferozmente" por volumes de semaglutida tanto nos mercados que ainda mantêm exclusividade quanto naqueles em que ela já expirou.
Por volta das 6h (de Brasília), as ações da empresa caíam 4% na Bolsa de Copenhague.
A Novo Nordisk já havia alertado que a chegada de genéricos deve pressionar as vendas neste ano. Além disso, preços mais baixos no mercado americano - após um acordo com o governo Trump para reduzir o custo de medicamentos contra obesidade - também tendem a afetar os resultados. A projeção mais recente aponta para queda de até 6% nas vendas ajustadas, a taxas de câmbio constantes, em 2026.
Em outras frentes do portfólio, a empresa também sofreu reveses recentes que frustraram investidores. Resultados de testes de um medicamento cardiovascular experimental não mostraram a redução de risco esperada para infarto ou AVC. Já o CagriSema, candidato de nova geração para obesidade e diabetes, decepcionou no efeito de redução de glicose no sangue em comparação com a tirzepatida, da Eli Lilly, segundo analistas.
Doustdar assumiu o comando no ano passado, promoveu uma rodada inicial de aquisições e mudanças no conselho e anunciou planos para cortar 9.000 empregos como parte de uma reestruturação. Em entrevista ao The Wall Street Journal no mês passado, ele disse que seguirá atento a ativos e tecnologias que complementem o pipeline e as áreas terapêuticas atuais, descartando grandes aquisições transformacionais.
Na semana passada, a empresa passou a adotar a marca Novo, apostando que um nome mais curto ajudará a se conectar melhor com consumidores na disputa com a Eli Lilly, mantendo Novo Nordisk como nome legal globalmente. Fonte: Dow Jones Newswires.
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