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Beber todo dia eleva risco de câncer de mama e piora menopausa, dizem estudos

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Beber uma dose por dia  já aumenta em 7% o risco de câncer de mama entre mulheres - Freepik
Beber uma dose por dia já aumenta em 7% o risco de câncer de mama entre mulheres
Por Bianca Bibiano

05/08/2026 | 08h00

São Paulo - O aumento do consumo de bebidas alcoólicas entre mulheres no Brasil está preocupando os médicos. Segundo dados do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), o consumo abusivo entre elas aumentou cerca de 70% em quase duas décadas e se reflete no aumento dos casos de câncer e outros problemas graves de saúde.

Para o mastologista Daniel Buttros, pesquisador em estilo de vida e câncer de mama, a abordagem dos efeitos nocivos do álcool é questão de saúde pública.

As mulheres são biologicamente mais vulneráveis e podem desenvolver problemas graves de saúde relacionados à ingestão de bebida mais cedo e mesmo com menor consumo”. 

No caso de câncer de mama, o médico menciona uma meta-análise feita a partir de 53 artigos científicos mostrando que uma dose por dia (cerca de 10 gramas de álcool) representa 7% mais risco para a doença. Para as mulheres que ingerem entre três a quatro doses por dia, as chances de desenvolver a doença chegam a 32%. Em quantidades superiores, a perspectiva de aumento de risco é 46%.

“Na abordagem sobre câncer de mama, consideramos que o consumo de álcool afeta os níveis de estrogênio, que têm papel importante no desenvolvimento e na progressão da doença”, afirma o especialista, ressaltando que o impacto do etanol nesses níveis hormonais explica em parte o risco aumentado para a doença.

Consumo de álcool piora a menopausa

Além de aumentar o risco de câncer de mama, o consumo de álcool pode intensificar sintomas comuns tanto na perimenopausa quanto na menopausa, como ondas de calor, piora do sono e alterações de humor.

Segundo Buttros, que também é presidente da Comissão de Comunicação da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), a queda natural da produção de estrogênio associada à ingestão de bebidas tem potencial para prejudicar a absorção de cálcio, elevar a pressão arterial e interferir no metabolismo hormonal.

Entre mulheres que fazem reposição hormonal, o mastologista também observa riscos aumentados para a doença e cita outro estudo realizado durante 20 anos e que envolveu cino mil mulheres na Dinamarca, mostrando que entre pacientes submetidas ao tratamento, o consumo de uma ou duas doses diárias de bebida ampliou em três vezes o risco de desenvolver câncer de mama. Para duas ou mais doses ao dia, a progressão foi cinco vezes maior.

O conhecimento é fundamental na prevenção de graves problemas de saúde, entre eles o câncer de mama, e vai permitir também que as mulheres façam escolhas que melhorem a qualidade de vida”, conclui o especialista.

Fator de risco modificável

O médico e doutor em oncologia Wesley Pereira Andrade complementa observando que o consumo de álcool é classificado pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) como carcinógeno grupo 1, do mesmo nível do tabagismo, e diz que não existe quantidade segura.

"O álcool aumenta os níveis circulantes de estrogênio e age como solvente, facilitando a penetração de outros carcinógenos nas células. Em 2012, 17 mil casos de câncer no Brasil foram atribuíveis ao álcool, e o câncer de mama está entre os principais."

Nesse sentido, o médico afirma que em 2023 o câncer de mama matou mais de 20 mil brasileiras e que a taxa bruta de incidência no País é de 71,57 por 100 mil mulheres.

Ele observa também que o risco de câncer cresce progressivamente com o envelhecimento, sendo a idade acima de 50 anos um dos fatores de risco não modificáveis, juntamente com a menopausa tardia (após os 55 anos), por conta da maior exposição hormonal ao longo da vida.

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