CONFIRA

Casos de doença inflamatória intestinal sobem mais de 5 vezes em 13 anos

Fatores ambientais e comportamentais, como consumo de ultraprocessados, são principais causas do aumento

Emanuele Almeida

Por Emanuele Almeida

25/09/2026 | 15h57

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A projeção é que doenças inflamatórias intestinais podem crescer 67% até 2035 - Adobe Stock
A projeção é que doenças inflamatórias intestinais podem crescer 67% até 2035
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Um estudo revelou um aumento significativo das doenças inflamatórias intestinais no Brasil, com a prevalência saltando de 30 para 158 casos a cada 100 mil habitantes entre 2012 e 2025, o que representa um crescimento superior a cinco vezes em pouco mais de uma década.

As projeções indicam que até 2035 a prevalência pode alcançar 264 casos por 100 mil habitantes, enquanto os desafios na assistência à saúde incluem longos períodos para diagnóstico e altos custos com tratamentos, que podem chegar a R$ 500 mil anuais por paciente em casos avançados.

Resumo gerado por IA

São Paulo - Um levantamento epidemiológico indicou um crescimento expressivo das doenças inflamatórias intestinais (DII) no Brasil durante o período de 2012 a 2025. Os resultados da pesquisa foram apresentados durante o 74º Congresso Brasileiro de Coloproctologia, realizado em Balneário Camboriú (SC) nesta semana.

O estudo analisou registros de 337.539 pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e foi elaborado por pesquisadores ligados a instituições como a Universidade do Oeste de Santa Catarina (Unoesc), a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), a Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Universidade de Calgary, no Canadá.
Explosão na Prevalência e Ritmo dos Diagnósticos

Os dados coletados mostram que a prevalência das DII no País saltou de 30 para 158 casos a cada 100 mil habitantes entre 2012 e 2025. Esse avanço representa uma elevação superior a cinco vezes em pouco mais de uma década.

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Paralelamente, a incidência, que mede a taxa de novos diagnósticos anuais, subiu de 9,35 para 12,34 casos por 100 mil habitantes. O levantamento identificou uma mudança na curva de crescimento a partir do ano de 2018, período em que os diagnósticos passaram a ser registrados em ritmo mais acelerado.

Casos devem crescer até 2035

As estimativas do trabalho indicam a continuidade da expansão dessas patologias no território nacional. A projeção para o ano de 2035 aponta que a prevalência de pessoas com DII pode alcançar 264 casos por 100 mil habitantes, o que significaria um aumento de 67% em comparação com os números registrados em 2025.

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Além disso, a taxa de novos casos anuais pode atingir 22,7 por 100 mil habitantes, patamar equivalente às taxas atuais observadas em países europeus. 

Quais doenças intestinais são mais prevalentes?

As doenças inflamatórias intestinais englobam principalmente a retocolite ulcerativa e a doença de Crohn, ambas de caráter crônico, autoimune e sem cura. O estudo apontou que a retocolite ulcerativa apresentou expansão mais rápida do que a doença de Crohn no período analisado. Entre 2012 e 2025, a proporção entre os diagnósticos passou de 1,5 para 2,1 casos de retocolite para cada caso de doença de Crohn.

A distribuição geográfica dos casos demonstra forte concentração nas regiões Sul e Sudeste do País:

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  • São Paulo lidera a taxa nacional, com 278 casos por 100 mil habitantes;
  • Paraná aparece em segundo lugar, com 251 casos por 100 mil habitantes;
  • Santa Catarina ocupa a terceira posição, com 204 casos por 100 mil habitantes.

Em contrapartida, os Estados das regiões Norte e Nordeste registram os menores índices do levantamento, o que é atribuído, em parte, às barreiras de acesso a exames diagnósticos e à consequente subnotificação de casos.

Fatores ambientais, diagnóstico e custos

Conforme os dados apurados, alterações genéticas justificam apenas cerca de 30% dos quadros observados, ressaltando o peso predominante de fatores ambientais e comportamentais.

A ascensão dos diagnósticos é associada ao processo de urbanização e às mudanças nos hábitos alimentares, como o consumo elevado de alimentos ultraprocessados contendo aditivos e conservantes que alteram a microbiota intestinal, além de fatores como a poluição e a exposição a agrotóxicos.

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O levantamento aponta também desafios estruturais na assistência à saúde:

  • Demora no diagnóstico: os pacientes levam, em média, de três a quatro anos para obter a confirmação da doença via colonoscopia;
  • Cirurgias e complicações: a demora no tratamento pode levar ao acúmulo de fibrose no tecido intestinal, fazendo com que cerca de 50% dos pacientes com doença de Crohn precisem passar por cirurgia ao longo da vida;
  • Impacto financeiro: o controle inflamatório em fases avançadas exige o uso de medicamentos biológicos, cujo custo anual pode chegar a até R$ 500 mil por paciente.

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