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Brasileiros vivem 12,5 anos com doenças ou limitações, aponta estudo

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A cada 6 anos de vida do brasileiro, cerca de 1 ano é vivido com algum grau de perda de qualidade de saúde - Adobe Stock
A cada 6 anos de vida do brasileiro, cerca de 1 ano é vivido com algum grau de perda de qualidade de saúde
Por Emanuele Almeida

24/07/2026 | 10h50

São Paulo - O avanço da medicina e a melhoria das condições de vida permitiram que os brasileiros vivessem mais. No entanto, um novo estudo internacional revela o "preço" dessa longevidade: a expansão da morbidade. No Brasil, o tempo médio vivido com doenças ou incapacidades passou de 10,4 anos em 1990 para 12,5 anos em 2023.

Esse aumento no tempo médio representa um aumento de 2,1 anos, ou 20%, no período em que a população convive com limitações físicas ou mentais. Em termos práticos, a cada 6 anos de vida, cerca de 1 ano é vivido com algum grau de perda de qualidade de saúde, tendo em vista que o brasileiro médio vive 76 anos, de acordo com dados do IBGE.

Os dados fazem parte do estudo Global Burden of Disease (GBD) 2023, coordenado pelo Institute for Health Metrics and Evaluation (IHME) da Universidade de Washington, publicado no The Lancet Public Health. A pesquisa utiliza o conceito de "hiato de morbidade", que é a diferença entre a expectativa de vida total e a expectativa de vida saudável (HALE).

Brasil supera média mundial

Enquanto a média global do hiato de morbidade em 2023 foi de 10,7 anos, o Brasil registrou um índice significativamente superior, com seus 12,5 anos. Esse desempenho coloca o país na 16ª posição entre as 204 nações e territórios analisados com os maiores períodos de vida passados em má saúde.

Em termos comparativos, o Brasil apresenta um cenário de morbidade mais extenso do que a média da super-região da América Latina e Caribe, que é de 11,9 anos.

Viver mais nem sempre é viver melhor

O estudo aponta que, embora o Brasil tenha tido sucessos notáveis — como a redução de 34,5% na taxa de mortalidade padronizada por idade entre 1990 e 2023 —, a queda na carga de doenças não fatais não acompanhou esse ritmo.

O estudo mostra que a expectativa de vida no Brasil teve um ganho líquido de 7,18 anos desde 1990. Contudo, como as mortes prematuras por doenças infecciosas e neonatais diminuíram, as pessoas agora sobrevivem o suficiente para desenvolver condições crônicas de longa duração.

Mulheres vivem mais anos doentes

As mulheres brasileiras apresentaram uma redução ligeiramente maior na mortalidade e nos anos de vida perdidos por incapacidade (-36,3%) do que os homens (-32,3%), mas, seguindo a tendência global, elas tendem a viver mais anos com doenças do que a população masculina:

  • Mulheres: em 2023, as mulheres passaram 15,9% de sua expectativa de vida com alguma incapacidade (12,1 anos);
  • Homens: no mesmo período, os homens passaram 13% de sua expectativa de vida nessas condições (9,3 anos). 

Causas 

O "hiato de morbidade" não é causado apenas por doenças fatais, mas por condições que geram sofrimento contínuo. O estudo indica que, globalmente, e com reflexos no Brasil, os principais vilões são os:

  • Distúrbios musculoesqueléticos (especialmente a dor lombar);
  • Transtornos mentais (depressão e ansiedade);
  • Doenças dos órgãos sensoriais (como a perda auditiva).

Essas condições são impulsionadas por fatores de risco cada vez mais comuns:

  • Alto índice de massa corporal (IMC);
  • Glicose elevada;
  • Tabagismo.

No Brasil, doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), como o acidente vascular cerebral (AVC) e a doença isquêmica do coração, continuam sendo determinantes centrais tanto para a mortalidade quanto para a perda de qualidade de vida. 

A pandemia também teve um impacto no progresso da longevidade. Isso porque, o Brasil enfrentou um revés drástico com a covid-19, que eliminou 3,4 anos da expectativa de vida dos brasileiros entre 2019 e 2021, tornando-se a principal causa de morte no País naquele período.

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