Transição de carreira e saúde pós-50 anos: as lições que vêm do esporte
Ana Mello/VIVA
São Paulo - No terceiro e último dia do MaturiFest 2026, neste sábado (15), a mensagem que fica do painel "Depois do Pódio - Transição de carreira e qualidade de vida depois dos 50" deixou é: envelhecer bem depende da capacidade de nos enxergarmos com clareza, cuidando do corpo, sustentando a mente no presente e encarando o futuro com autonomia e leveza.
O encontro, mediado pelo jornalista e escritor Xico Sá, reuniu a medalhista olímpica de vôlei Virna Dias, o bicampeão mundial de surfe Teco Padaratz e a médica especialista em nutrição esportiva Ana Beatriz Baptistella para discutir autonomia, saúde e autorreflexão após cinco décadas de vida.
Vale destacar que, diferentemente de executivos ou profissionais liberais, que costumam atingir o auge da experiência acumulada com o passar dos anos, o atleta é empurrado para fora do seu habitat por limitações físicas impostas pela idade, embora ainda cedo se comparado a outras atividades profissionais. O que torna a mudança de rumo depois do fim da carreira esportiva um dos mais complexos desafios enfrentados por atletas de alta performance.
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Virna lembrou o impacto dessa ruptura, mas diz que os aprendizados da vida em equipe continuam guiando sua rotina. Com a transição, tornou-se comentarista esportiva, palestrante motivacional e vem abordando temas como envelhecimento ativo, autoestima, atividade física e reinvenção profissional.
Mudança de hábitos e limites saudáveis
Ela conta que reorganizou hábitos alimentares e de treino e mantém a atividade física diária como inegociável. A ex-jogadora ressaltou que a maturidade traz a responsabilidade de estabelecer limites saudáveis, cultivar a disciplina diária e ser verdadeira consigo mesma.
Teco Padaratz disse que o processo de transição exige encontrar novos alvos e significados para preencher o vazio. Ele destacou que a rotina de treinos exaustivos molda a mente para resistir à dor, ao esgotamento e a momentos de crise extrema.
Para o ex-surfista, a preparação mental do esporte ensina que o desconforto faz parte da jornada e que a superação começa no instante em que se decide agir. A preguiça, segundo ele, dura até o momento em que a pessoa se levanta da cama; ao tomar uma atitude, o corpo responde e a inércia desaparece.
Ao abordar a longevidade, Teco acredita que a chave para a vida longa reside em eliminar as expectativas criadas pelo ego. Vivendo no presente e sem dramas desnecessários, reduz-se a ansiedade e as engrenagens da vida correm com mais leveza.
Poupança muscular e nutrição: base para autonomia
Ana Beatriz Baptistella destacou o conceito de poupança muscular. Assim como a reserva financeira garante tranquilidade no futuro, a manutenção da massa magra ao longo da vida é o ativo mais determinante para envelhecer com autonomia.
A partir dos 40 anos, conta a médica, ocorre uma diminuição natural na potência e força dos músculos. Depois dos 50, o declínio se acelera devido à resistência anabólica, processo no qual a musculatura passa a responder menos aos estímulos do exercício e da síntese proteica. Ela alerta que, para preservar a independência funcional — como o simples ato de levantar de uma cadeira sem auxílio —, é indispensável alinhar a rotina de treinos a uma ingestão adequada de nutrientes.
Baptistella também chamou a atenção para alterações normais do envelhecimento, como a desaceleração da digestão e a diminuição da produção de enzimas (a exemplo da lactase, o que pode resultar em intolerância à lactose), exigem que cada indivíduo ajuste sua dieta ao que seu organismo tolera no presente. Táticas simples, como fracionar o consumo de proteínas ao longo do dia em vez de concentrá-lo em refeições pesadas, evitam desconfortos e otimizam a absorção muscular.
Por fim, os debatedores revisitaram suas trajetórias. Virna reforçou a importância do equilíbrio, do respeito à diversidade e da perseverança em busca de escolhas conscientes. Teco refletiu sobre a maturidade de aceitar as derrotas com a mesma dignidade das vitórias. "Se no triunfo o ego prevalece, nas perdas a consciência se desperta, permitindo reconhecer fraquezas e evoluir", afirma.
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