Dor na relação após os 50 é normal? Menopausa pode estar relacionada
Por tabu e desconhecimento, desconforto íntimo após a menopausa ainda é pouco investigado; veja recomendações de ginecologistas para os cuidados
Por Bianca Bibiano
20/10/2026 | 18h53Adobe Stock
A dor durante as relações sexuais, comum na pós-menopausa, não deve ser considerada uma consequência inevitável do envelhecimento, mas sim um sintoma que requer investigação médica.
Alterações hormonais, infecções e outras condições de saúde podem causar desconforto, afetando a qualidade de vida das mulheres, que muitas vezes abandonam a vida sexual sem buscar ajuda.
Tratamentos individualizados, como lubrificantes, fisioterapia pélvica e tecnologias como o laser íntimo, estão disponíveis para restaurar o conforto e a saúde íntima, destacando a importância de uma avaliação clínica adequada.
São Paulo - Embora seja uma queixa frequente na pós-menopausa, a dor durante as relações sexuais não deve ser encarada como algo inevitável do envelhecimento.
O desconforto decorre de alterações hormonais tratáveis e exige investigação clínica adequada, superando tabus e a subnotificação que ainda cercam o assunto, explica a ginecologista e especialista em medicina estética Mirelle Ossipi Ruivo, da rede Mulherez.
“Quando a relação começa a doer, algumas mulheres diminuem a frequência ou abandonam a vida sexual sem buscar ajuda. A dor recorrente precisa ser investigada, porque existem causas tratáveis e a conduta muda de acordo com o diagnóstico”, diz.
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Causas e sintomas que impactar saúde íntima
Parte desses sintomas integra a síndrome geniturinária da menopausa, nome dado ao conjunto de alterações relacionadas à queda do estrogênio. A condição pode atingir os lábios vulvares, a entrada e o canal vaginal, o clitóris, a uretra e a bexiga.
Além da falta de lubrificação, podem surgir coceira, sensação de queimação, pequenas fissuras, sangramento após a relação, dor ao urinar, urgência urinária e infecções recorrentes. Nesses casos, investigar a causa permite recuperar conforto e qualidade de vida.
A discussão acompanha uma mudança demográfica importante. Segundo a Organização Mundial da Saúde, mulheres com 50 anos ou mais já representavam 26% da população feminina mundial em 2021, diante de 22% uma década antes. A entidade também alerta que efeitos ginecológicos comuns da menopausa, especialmente secura vaginal e dor durante as relações, continuam sem atendimento adequado em muitos países.
A queda hormonal, porém, não é a única explicação possível para a dor íntima. Infecções, doenças da pele da vulva, tensão excessiva da musculatura pélvica, endometriose, vulvodínia e determinados medicamentos também podem provocar desconforto.
Como é a análise médica?
A avaliação ginecológica considera quando a dor começou, em qual região aparece, se ocorre em todas as relações e se está acompanhada de sangramento, corrimento, ardor ou sintomas urinários.
“Não existe uma única conduta adequada para todas as mulheres", destaca a ginecologista Bruna Paschoalim, especialista em estética íntima. "O cuidado precisa considerar os sintomas, a saúde geral, a fase da menopausa e o impacto da dor na rotina. O objetivo não se limita à relação sexual: também envolve conforto para caminhar, praticar exercícios, dormir e realizar atividades comuns sem ardor ou irritação”, complementa.
Quais sintomas atentar?
- Ardência
- Coceira
- Sensação de secura
- Dor durante a relação sexual
A ginecologista Mirelle Ruivo reforça o mensagem: "Independentemente da idade, esse é um sinal de que existe uma alteração que precisa ser investigada. Hoje dispomos de tratamentos capazes de devolver conforto, bem-estar e qualidade de vida", afirma.
Ainda que a queda dos níveis de estrogênio durante a menopausa altere a mucosa vaginal, mudanças hormonais relacionadas ao pós-parto, à amamentação e a alguns tratamentos médicos também podem provocar o problema.
Ela pondera que o impacto vai muito além da sexualidade. "Muitas pacientes acreditam que perderam o desejo sexual, quando, na verdade, passaram a evitar as relações porque sentem dor. Ao tratar a causa, a mulher recupera seu conforto, sua confiança e sua qualidade de vida."
Tratamento deve ser individualizado
O tratamento depende da origem e da intensidade das queixas. Lubrificantes podem reduzir o atrito durante a relação, enquanto hidratantes vaginais são utilizados regularmente para melhorar a umidade do tecido.
Fisioterapia pélvica, terapias hormonais locais e outras abordagens não hormonais podem ser indicadas após a análise do histórico clínico, das necessidades e das possíveis contraindicações de cada paciente.
Já para outras pacientes, tecnologias como o laser íntimo representam uma alternativa eficaz, especialmente quando há contraindicação ao uso de hormônios ou quando os sintomas persistem.
Realizado em consultório, o procedimento estimula a produção de colágeno, melhora a vascularização da região e favorece a recuperação da mucosa vaginal, contribuindo para aumentar a hidratação e a elasticidade dos tecidos.
"O laser é uma ferramenta importante da ginecologia moderna, mas a indicação deve ser sempre individualizada. Cada mulher precisa de uma avaliação para definir o tratamento mais adequado", finaliza Mirelle Ruivo.
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