Fisioterapia pélvica ajuda a prevenir problemas na saúde da pelve; entenda
Envato
São Paulo - Você já ouviu falar em fisioterapia pélvica? A técnica tem ganhado destaque como uma aliada na prevenção e no tratamento de problemas que afetam a saúde íntima, urinária, intestinal e sexual.
Segundo a fisioterapeuta pélvica e terapeuta sexual Marcia Oliveira, a especialidade atua diretamente nas estruturas localizadas na pelve, região responsável por funções relacionadas à sexualidade, reprodução e eliminação de urina e fezes.
Leia também
"A fisioterapia pélvica é uma área da fisioterapia que tem como foco as condições de saúde de tudo o que está localizado na pelve. Com isso, envolve cuidados com as áreas sexual, reprodutiva e de eliminação de fezes e urina", explica.
A especialista destaca que o acompanhamento pode começar ainda no início da vida sexual, especialmente em casos de dor íntima ou desconfortos relacionados à musculatura da região pélvica. Durante a fase reprodutiva, o trabalho também inclui ações preventivas e orientações voltadas à saúde da mulher.
Na perimenopausa, menopausa e no envelhecimento, a fisioterapia pélvica auxilia na manutenção da força muscular, da funcionalidade e da continência urinária e fecal.
Fortalecimento do assoalho pélvico
O assoalho pélvico é formado por músculos que sustentam órgãos como bexiga, útero e reto. Quando essa musculatura funciona adequadamente, pode contribuir para a melhora da sensibilidade, da percepção corporal e da resposta sexual.
De acordo com a fisioterapeuta, o tratamento não se resume apenas ao fortalecimento muscular.
É importante destacar que nem sempre o objetivo é apenas fortalecer. Em muitos casos, também é necessário trabalhar o relaxamento, a coordenação e a consciência corporal para que a musculatura funcione de forma equilibrada.
Além dos benefícios para a sexualidade, a fisioterapia pode reduzir perdas urinárias, sensação de peso vaginal e outros desconfortos que impactam a autoestima e o bem-estar, especialmente após os 50 anos.
Saúde pélvica no envelhecimento
Com o avanço da idade, alterações hormonais e estruturais podem comprometer a função da região pélvica. Entre as principais mudanças estão a redução da elasticidade dos tecidos, diminuição da lubrificação vaginal, perda de massa muscular e alterações na função da bexiga e do intestino.
Essas condições podem provocar sintomas como urgência urinária, incontinência, desconforto durante a relação sexual e sensação de peso na região íntima.
A fisioterapia pélvica atua de forma individualizada, utilizando exercícios específicos para cada mulher, terapia manual, recursos físicos e educação em saúde para melhorar a função muscular, reduzir sintomas e ajudar a paciente a manter autonomia, conforto e qualidade de vida ao longo dos anos.
A técnica também é utilizada no tratamento de condições como bexiga hiperativa, urgência miccional e prolapsos dos órgãos pélvicos, popularmente conhecidos como "queda da bexiga", "queda do útero" ou "queda do reto".
O acompanhamento ainda pode auxiliar em casos de constipação intestinal, incontinência fecal, dor pélvica crônica, recuperação pós-cirúrgica, preparação para o parto e reabilitação após o nascimento do bebê.
Homens também podem se beneficiar
Apesar de frequentemente associada à saúde feminina, a fisioterapia pélvica também apresenta resultados importantes para homens, principalmente após os 50 anos. A especialista explica que alterações urinárias relacionadas ao envelhecimento e às doenças da próstata podem causar aumento da frequência urinária, urgência, enfraquecimento do jato urinário e perdas de urina.
A técnica pode auxiliar na recuperação da continência urinária, na redução das dores pélvicas e na melhora da função sexual, contribuindo para a qualidade de vida e para a retomada das atividades do dia a dia com mais segurança e confiança", destaca Oliveira.
Quando procurar um fisioterapeuta pélvico
A especialista recomenda buscar avaliação profissional diante de sintomas como perda de urina ao tossir ou praticar exercícios, urgência urinária, dificuldade para evacuar, dor pélvica, dor durante a relação sexual e alterações persistentes da função sexual.
A avaliação também pode ser indicada durante a gestação, após o parto, na perimenopausa, menopausa e após cirurgias da região pélvica.
Envelhecer não significa perder qualidade de vida. Muitas mudanças são naturais, mas isso não quer dizer que a mulher precise conviver com desconfortos, dores ou escapes urinários como se fossem inevitáveis.
Comentários
Política de comentários
Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.