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Será que estou entrando na menopausa? Especialistas explicam sintomas

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Sintomas podem indicar chegada do climatério, período de transição hormonal que antecede a menopausa e que pode durar vários anos - AdobeStock
Sintomas podem indicar chegada do climatério, período de transição hormonal que antecede a menopausa e que pode durar vários anos
Por Bianca Bibiano

07/08/2026 | 08h22

São Paulo - Mudanças no ciclo menstrual, ondas de calor, alterações de humor e sono, perda do desejo sexual e até dificuldade de concentração. Para muitas mulheres, especialmente a partir dos 40 anos de idade, esses sinais despertam uma dúvida comum: afinal, isso já é menopausa? Na maioria das vezes, ainda não.

O mais provável é que o organismo esteja passando pelo climatério, período de transição hormonal que antecede a menopausa e que pode durar vários anos, apontam especialistas.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a menopausa natural costuma ocorrer entre os 45 e os 55 anos, sendo confirmada apenas após 12 meses consecutivos sem menstruação, sem outra causa clínica que explique essa ausência.

Já o climatério, também chamado de transição menopausal ou perimenopausa, pode começar anos antes, período em que os ovários passam a produzir hormônios de forma irregular e surgem os primeiros sintomas.

A menopausa não representa um fim, mas uma transição natural e significativa na biografia feminina”, explica o ginecologista Dorval de Andrade Tessari.

Autor do livro 'Climatério e Menopausa – Uma conversa sincera, longe das paixões', que será lançado este mês em Caxias do Sul (RS) e médico disponível na Doctoralia, Dorval de Andrade Tessari explica que o climatério pode provocar sintomas que nem sempre são imediatamente relacionados às oscilações hormonais. "É importante olhar para o conjunto dos sintomas e não apenas para a interrupção da menstruação."

Sintomas do início do climatério

Embora cada mulher vivencie essa fase de maneira diferente, alguns sintomas são frequentes:

  • Irregularidade menstrual
  • Ondas de calor (fogachos)
  • Suor noturno
  • Dificuldade para dormir
  • Alterações de humor
  • Irritabilidade
  • Ansiedade
  • Dificuldade de concentração
  • Perda da libido
  • Ressecamento vaginal
  • Fadiga
  • Ganho de gordura abdominal

Desafio para saúde da mulher

Apesar de fazer parte do envelhecimento natural feminino, o climatério é cercado por desinformação e frequentemente passa despercebido, fazendo com que muitas mulheres convivam com sintomas sem entender o que está acontecendo com o próprio corpo.

Um estudo brasileiro publicado em 2025 na revista científica PLOS One avaliou mais de 1.100 mulheres entre 40 e 65 anos e mostrou que apenas 30,3% das participantes estavam satisfeitas com as informações recebidas sobre menopausa e opções de tratamento.

O levantamento também revelou que 92,97% demonstraram pouco ou nenhum conhecimento sobre terapia hormonal, reforçando a necessidade de ampliar o acesso à informação qualificada e ao acompanhamento médico.

Sintomas não devem ser silenciados

O médico Dorval Tessari observa que o climatério não precisa ser enfrentado em silêncio. "Hoje existem diversas estratégias para aliviar os sintomas, desde mudanças no estilo de vida até tratamentos individualizados, quando indicados".

Quanto mais cedo a mulher compreender o que está acontecendo com seu corpo, maiores são as possibilidades de manter sua saúde física, emocional e sexual ao longo dessa etapa".

Mudanças hormonais do climatério

A especialista em saúde hormonal Izabelle Gindri, CEO da bio meds Brasil, diz que é difícil separar onde termina o efeito dos hormônios e começa a mudança de perspectiva que acompanha essa etapa da vida. "Mais do que isso, ela costuma coincidir com um momento em que muitas mulheres também vivem outras transformações, filhos que deixam a casa, pais envelhecendo, auge da carreira profissional, redefinição de relacionamentos e um novo olhar sobre si mesmas."

A menopausa não é um colapso. É uma transição biológica complexa, marcada por mudanças hormonais que afetam praticamente todos os sistemas do organismo, do cérebro aos ossos, da pele ao coração."

Apesar disso, observa a cientista, ainda existe uma tendência cultural de minimizar essas queixas. "Muitas mulheres escutam que 'isso passa', 'faz parte da idade' ou 'é preciso aprender a conviver'. Mas não deveria ser assim."Depois de duas décadas marcadas pelo receio em relação à terapia hormonal, as principais sociedades médicas internacionais passaram a defender uma abordagem mais individualizada.

As recomendações mais recentes da International Menopause Society (IMS) reforçam que a terapia hormonal continua sendo o tratamento mais eficaz para os sintomas vasomotores da menopausa e também desempenha papel importante na prevenção da perda óssea em mulheres elegíveis. A indicação, no entanto, deve considerar idade, tempo desde a menopausa, histórico clínico e fatores de risco individuais, destaca Gindri.

Quando indicada para mulheres saudáveis, especialmente antes dos 60 anos ou nos primeiros dez anos após a menopausa, a reposição hormonal apresenta benefícios que frequentemente superam os riscos [...] e pode devolver qualidade de vida a mulheres que convivem diariamente com sintomas incapacitantes."

Em outra frente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou em junho o registro do primeiro medicamento sem hormônios desenvolvido especificamente para combater os sintomas vasomotores (SVM) de moderados a intensos, conhecidos popularmente como fogachos.

A chegada dessa opção ao Brasil foi vista por especialistas como um marco para pacientes que possuem restrições médicas. Apesar da aprovação pela Anvisa, o medicamento ainda aguarda uma etapa de regulamentação para chegar às farmácias.

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