Entenda o que é delirium e como ele acelera o declínio cognitivo em idosos
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São Paulo - Muitas vezes confundido com demência ou apenas "confusão mental da idade", o delirium é uma condição médica séria que exige diagnóstico rápido. Segundo a geriatra e presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG SP), Rosmary Buse, o delirium não é apenas um distúrbio isolado, mas sim uma síndrome psiquiátrica que reúne um conjunto de sintomas de início agudo e apresentação abrupta.
Ele se caracteriza por uma alteração súbita na atenção e no nível de consciência do idoso, apresentando um curso flutuante ao longo do dia", explica.
Tipos de delirium
O delirium se manifesta de duas formas principais: o hiperativo e o hipoativo.
- Delirium hiperativo: o idoso apresenta agitação, agressividade ou alucinações. Por ser mais visível, costuma ser diagnosticado rapidamente;
- Delirium hipoativo: este é o tipo menos diagnosticado, pois o paciente fica quieto, sonolento e apático. Frequentemente, a equipe médica ou a família acredita que o idoso está apenas "descansando" ou "tranquilo", quando na verdade ele está em um estado de confusão profunda.
Até 70% dos casos de delirium não são diagnosticados. E, quando se fala do hipoativo, esse número aumenta ainda mais", adiciona Buse.
Impacto cognitivo
A gravidade do delirium vai além do episódio imediato. Um estudo recente publicado na JAMA Internal Medicine acompanhou 560 idosos com média de 76,7 anos para entender as consequências a longo prazo. Os dados revelaram que o delirium pós-operatório é o fator de risco mais forte associado ao declínio cognitivo de longo prazo em idosos.
No estudo, o cérebro do idoso recebe uma "nota" geral de Desempenho Cognitivo Geral (GCP) baseada em 11 testes diferentes de memória, atenção e raciocínio. A nota média inicial dos idosos era de 57,6 pontos, contudo, o delirium foi associado a um declínio anual de -0,33 unidades na pontuação anualmente.
Embora idosos com delirium tenham taxas mais altas de reospitalização, o estudo concluiu que essas novas internações não explicam o declínio cognitivo; o impacto negativo é causado diretamente pelo episódio de delirium em si. Como explica Rosmary Buse, presidente da SBGG SP:
Quando estamos frente a um caso de delirium, estamos na frente da ponta do iceberg do declínio cognitivo daquele idoso. É uma urgência geriátrica que eleva também as taxas de mortalidade nesse grupo".
Causas e fatores de risco
O delirium acontece geralmente de maneira pontual, sinalizando que algum desequilíbrio agudo está ocorrendo no corpo. A geriatra aponta que fatores como idade avançada, presença de demência, síndrome da fragilidade e perdas sensoriais (visão ou audição) predispõem o idoso ao quadro.
Já os gatilhos imediatos incluem:
- Infecções e desidratação;
- Cirurgias e dor;
- Alterações metabólicas ou de sais no sangue;
- Reações adversas a medicamentos;
- Constipação intestinal e retenção urinária.
Importância da prevenção
Para a especialista , a prevenção é a melhor forma de combate. Ela sugere estratégias práticas para manter o idoso seguro e orientado, especialmente em hospitais:
- Orientação: manter calendários e relógios visíveis para dar noção de tempo e espaço;
- Sentidos: garantir que o paciente use seus óculos e aparelhos auditivos para manter a qualidade sensorial;
- Mobilidade: estimular que o idoso caminhe o quanto antes após procedimentos;
- Ambiente: preservar o silêncio à noite para o descanso noturno e tratar qualquer dor.
- Presença familiar: estimular a companhia da família durante o cuidado hospitalar para reduzir a desorientação
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