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Busca por renda e desejo de permanecer ativos mantêm 60+ no trabalho

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Pesquisa mostra que 25% dos brasileiros no mercado de trabalho são 60+, mas 53% estão na informalidade - Envato
Pesquisa mostra que 25% dos brasileiros no mercado de trabalho são 60+, mas 53% estão na informalidade
Por Bárbara Ferreira

10/06/2026 | 19h19

São Paulo - Um levantamento da Nexuas mostrou que os 60+ representam 25% dos brasileiros no mercado de trabalho, totalizando 8,7 milhões de pessoas. Especialistas acreditam que essa participação expressiva se dá por necessidade financeira, mas principalmente pelo desejo de permanecer ativo e produtivo.

Em um Brasil cada vez mais idoso, o comportamente da população 60+ é diferente da referência de “velho” do passado, segundo Eduardo de Rezende, pesquisador do centro de estudos FGVanalytics da FGV (Fundação Getúlio Vargas). “Há demanda para que essa população dure mais tempo no trabalho."

Eliane Kreisler, consultora de Gestão e Carreiras 50+ e cofundadora do canal LongeTalks.
Eliane Kreisler, consultora de Gestão e Carreiras 50+ e cofundadora do canal LongeTalks. - Reprodução / Instagram

Para Eliane Kreisler, da Longetalks, a longevidade se reflete no mercado de trabalho. A inserção de pessoas 60+ é a maior em 10 anos, e isso exige que as empresas revisem o que pensam de carreira, que não é mais linear.  Ela ressalta que pela primeira vez na história, até quatro gerações diferentes trabalham no mesmo ambiente, o que pede por novos modelos de gestão e flexibilidade

O envelhecimento da população está mudando a posição da força de trabalho”, disse Kreisler. 

O levantamento foi realizado pela Nexus, com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Necessidade de trabalho

A população envelhecida também é marcada pela desigualdade, segundo Rezende. Há uma disparidade em questões como escolaridade, acesso à saúde e renda. Estas diferenças ficam escancaradas nos recortes de raça e gênero, aponta o professor, com melhores condições na população branca e masculina.

Ronaldo Loyola, especialista em comportamento organizacional e gestão de pessoas, lembra também que muitos desses idosos ativos trabalham por necessidade, para se manter financeiramente ou complementar a renda. De acordo com o levantamento, mais da metade (53%) dos ocupados 60+ são informais: atuam sem carteira assinada, como autônomos, fazendo bicos ou consultorias sem contrato.

Mercado 60+

Mesmo com a prevista inversão da pirâmide etária, o mercado no Brasil não se preparou para o envelhecimento da população. Segundo Sérgio Serapião, fundador da Labora, o rápido envelhecimento significa que o mercado também precisa acelerar a absorção das pessoas mais velhas para continuar crescendo, “caso contrário vai haver um apagão de mão de obra”.

Apesar de considerar o dado positivo para os 60+, Serapião afirma que este é um desafio para os RHs do País. “As empresas, ao não se prepararem para esse novo momento, têm coflitos geracionais ou os mais velhos tendo que se adaptar à cultura jovem-cêntrica”, disse.

Para Kreisler, os modelos de carreira priorizam a mão de obra jovem, enquanto o mercado encontra profissionais mais velhos. Por exemplo, segundo Serapião, a leitura de mercado considera a tecnologia um ponto forte e, normalmente, esta preparação é mais ofertada para os jovens. Serapião ainda acrescenta que esse modelo pode fazer parecer que os mais velhos são menos preparados que os jovens no novo mercado.

Não é que os 60+ não são bons, é que a cultura ali não foi feita para a pessoa mais velha. O ambiente não está sendo preparado para uma pessoa mais velha”, diz Serapião.

60+ não tiram empregos dos jovens

O levantamento apontou que o Brasil tem mais jovens desocupados do que pessoas 60+. Isso não significa que os mais velhos estão tirando os empregos dos mais jovens, segundo os especialistas, esses são dois fenômenos diferentes.

Enquanto os jovens lidam com dificuldades na transição da educação para o mercado de trabalho, os idosos conseguem se manter no serviço por mais tempo. Mesmo enfrentando o etarismo, os 60+ apresentam experiência, redes de relacionamento, conhecimento especializado, o que garante permanência, segundo Kreisler.

Os especialistas concordam que o futuro está na convivência entre as diferentes gerações. Kreisler defende que, na verdade, esta é uma oportunidade econômica. “Aproveitar esses profissionais gera ganhos de produtividade, fortalece as equipes intergeracionais, cria oportunidades até de maior inovação”, afirmou. 

O desafio do mercado não é substituir uma geração pela outra, mas aprender que essa diversidade etária traz uma vantagem competitiva. É criar um ambiente onde diferentes gerações colaborem e aprendam”, disse Kreisler.

Loyola afirmou que os jovens buscam "propósito, flexibilidade e desenvolvimento acelerado". Enquanto isso, os maduros desejam maior estabilidade e previsibilidade na carreira. Justamente essas diferenças que precisam ser consideradas e coordenadas pelas empresas, o verdadeiro desafio, acrescenta ele.

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