Fratura de quadril é a que mais mata idosos após quedas, dizem especialistas
Emanuele Almeida/VIVA
São Paulo - As quedas são a segunda causa de morte por acidente em idosos, e a fratura de quadril em si é o que mais mata esse grupo, reforçam especialistas no 4º Congresso Brasileiro de Medicina Geral, que acontece nesta quinta-feira, 11.
O médico do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Unifesp, Renato Hiroshi explica que, hoje, as fraturas na região são aquelas que mais debilitam o idoso e levam a óbito. "Não é a coluna que mata o idoso, mas sim a fratura de quadril", observa.
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Ele explica que a estrutura óssea do idoso se degrada com o tempo e, assim, as fraturas graves são mais difíceis de identificar na rotina de atendimento, do que aquelas que acontecem com os jovens. Esse contexto se dá, porque, quando um adolescente chega ao hospital fraturado, na maioria das vezes, aquele acidente levou a uma fratura aguda provinda de um impacto forte - no idoso, isso não acontece, devido ao processo gradual que essas fraturas podem levar.
O chefe do grupo de Coluna da Santa Casa de São Paulo, Robert Meves, explica que às vezes o idoso sente um incômodo em uma região e é tratado com medidas preventivas.
Mas quando ele volta se verifica uma grande fratura na região decorrente dos movimentos do cotidiano, ou ele já chega muito debilitado após uma queda. Isso pode até assustar o médico que não esperava por aquilo", aponta.
Segundo dados do Ministério da Saúde, o primeiro quadrimestre de 2024 registrou mais de 62 mil internações e 67 mil atendimentos ambulatoriais de idosos devido a quedas. Ao longo de todo o ano, o total de assistências e hospitalizações superou 344 mil ocorrências, resultando em 13.385 mortes associadas a esse tipo de acidente.
Atenção primária ainda falha
Tendo em vista esse contexto, os especialistas observam que a atenção primária ainda falha na prevenção e identificação de fraturas em idosos, mesmo diante do envelhecimento exponencial da população.
"Nós não evoluímos nesse quesito nos últimos anos. Na atenção primária nós podemos indicar um tratamento postural, clínico, nutricional e preventivo para esse idoso, mas ainda não fazemos", avalia a médica do Grupo de Coluna do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Santa Casa de São Paulo, Maria Fernanda Caffaro.
Ela reforça que é necessário uma mudança de foco dizendo que o paciente tem o direito de seguir com acompanhamento sem necessariamente estar fraturado ou internado. "É direito dele ter essa assistência cotidiana na atenção primária", atesta a especialista.
Como prevenir fraturas
Robert Meves reforça que ações cotidianas ajudam qualquer pessoa em qualquer faixa etária a prevenir fraturas, mas, especialmente para os idosos, ele indica:
- Usar o celular na linha da visão, sem abaixar muito a cervical, tendo em vista que o peso da cabeça pode levar a má postura e futuras lesões;
- Sempre deixar os joelhos em 90º ao sentar;
- Exercícios de baixa intensidade para idosos.
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