Estudo detecta cocaína em rios do Rio de Janeiro; entenda riscos
De todas as 60 amostras coletadas, apenas uma não apresentou cocaína. No restante, foi identificado o principal derivado da droga, a benzoilecgonina
Por Emanuele Almeida
07/10/2026 | 13h23 ● Atualizado | 13h24Reprodução/Fiocruz
Uma pesquisa da Fiocruz revelou a presença de cocaína em rios da capital do Rio de Janeiro e região metropolitana, com altos níveis de contaminação que afetam organismos aquáticos.
Das 60 amostras de água coletadas entre 2022 e 2023, apenas uma não apresentou cocaína, sendo que a maioria indicou contaminação por esgoto sanitário. Os pesquisadores destacam a necessidade de monitorar a cocaína e seus subprodutos para proteger a vida aquática, após constatar que a exposição a esses contaminantes causa aumento de mortalidade e deformações em embriões de peixes.
São Paulo - Uma pesquisa feita pela Friocruz detectou a presença de cocaína em rios da capital do Rio de Janeiro e região metropolitana do Estado. As análises mostraram alto nível de contaminação em cinco rios que causa efeitos tóxicos para organismos aquáticos.
Para o levantamento, os pesquisadores fizeram coletas mensais de água durante 2022 e 2023. De todas as 60 amostras coletadas, apenas uma não apresentou cocaína, no restante, todas positivaram para o principal derivado da droga, a benzoilecgonina. Os resultados da pesquisa foram publicados na revista internacional Aquatic Toxicology.
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Quais rios continham cocaína?
A investigação científica incluiu cinco rios:
- Rio Irajá;
- Rio Carioca;
- Canal Cunha;
- Canal Mangue;
- Rio Meriti.
Todos os rios analisados desaguam na Baía de Guanabara. De acordo com as análises, a contaminação foi maior durante a estação chuvosa - de outubro a março - fator que se alinha a estudos nacionais e internacionais que indicam um aumento de presença de drogas ilícitas no ambiente em períodos de férias.
Em quase todas as amostras, os níveis da benzoilecgonina foram superiores aos da cocaína, o que indica contaminação via esgoto sanitário pelo consumo da droga. Apenas uma amostra apresentou o padrão inverso, com quatro vezes mais cocaína do que o metabólito, apontando para o provável descarte direto do entorpecente na rede.
Efeitos da cocaína em rios
Para avaliar os efeitos da substância em organismos aquáticos, os pesquisadores realizaram ensaios de laboratório com embriões de zebrafish, um peixe utilizado amplamente em análises. Como resultado, a exposição deles às concentrações dos contaminantes dos rios levou ao:
- Aumento de mortalidade;
- Deformações;
- Alterações cardiovasculares;
- Alterações neurológicas.
O metabólito mostrou-se ainda mais prejudicial do que a droga original: em testes de laboratório, apenas 13% da concentração de benzoilecgonina achada na natureza já foi suficiente para causar danos aos peixes. Diante desse cenário, o artigo conclui apontando que incluir a cocaína e seus subprodutos no monitoramento e na avaliação de riscos ambientais é crucial para resguardar a vida aquática em regiões de alta densidade urbana.
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