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Contaminação silenciosa: veja hábitos comuns que favorecem os germes

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Usar esponja é um hábito comum que pode esconder contaminações silenciosas e o crescimento de bactérias - Adobe Stock
Usar esponja é um hábito comum que pode esconder contaminações silenciosas e o crescimento de bactérias
Por Alexandre Barreto

06/08/2026 | 08h11

São Paulo - Objetos usados constantemente, como celulares, esponjas de cozinha, tábuas de corte, controles remotos e maçanetas, podem acumular microrganismos e facilitar a transmissão de bactérias quando não são higienizados corretamente. É a chamada contaminação silenciosa, que acontece todos os dias dentro de casa e, na maioria das vezes, passa despercebida. 

Especialistas em infectologia ouvidos pelo VIVA alertam que a presença de microrganismos faz parte do ambiente e nem sempre representa um risco. O problema surge quando bactérias ou outros agentes capazes de causar doenças encontram condições favoráveis para se espalhar, principalmente por meio das mãos, alimentos contaminados ou superfícies compartilhadas.

Segundo o guia de orientações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), medidas simples, como lavar corretamente as mãos, armazenar alimentos de forma adequada e evitar a contaminação cruzada na cozinha, ajudam a reduzir esse risco.

Quais são os objetos mais contaminados da casa?

Embora muitas pessoas associem sujeira apenas ao que é "visivelmente sujo", alguns dos objetos mais contaminados costumam ser justamente aqueles usados diariamente.

homem idoso mexendo no celular
Celulares estão entre os itens que mais acumulam microrganismos - Freepik

O infectologista Dr. Igor Marinho, da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, destaca que celulares, controles remotos, interruptores, teclados, mouses e maçanetas estão entre os itens que mais acumulam microrganismos.

"Isso não significa que esses objetos sejam necessariamente perigosos, mas sim que precisam de limpeza regular, especialmente quando são compartilhados entre várias pessoas".

Um comportamento bastante comum pode favorecer a disseminação de microrganismos sem que as pessoas percebam. De acordo com Marinho, muitas pessoas chegam da rua e começam a tocar em diversos objetos antes de higienizar as mãos.

Muitas pessoas pegam o celular, abrem a geladeira, cumprimentam familiares ou começam a preparar alimentos logo após entrar em casa, transferindo microrganismos das mãos para diferentes superfícies."

Cuidado com a esponja de pia

O especialista destaca que a esponja merece atenção especial. "Ela reúne umidade, restos de alimentos e matéria orgânica, criando um ambiente ideal para o crescimento de bactérias".

Apesar de não existir uma norma ou portaria federal de um órgão regulador, como a Anvisa, que defina um prazo único e obrigatório para a troca de esponjas de pia após o início do uso, especialistas em microbiologia recomendam substituir a bucha de limpeza a cada 7 a 15 dias, ou semanalmente em casos de uso diário intenso.

De olho no pano de prato

O infectologista Klinger Faico, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), acrescenta que panos de prato, torneiras, puxadores de geladeira e tábuas de corte também fazem parte da lista de itens que exigem limpeza frequente.

Outro erro frequente é utilizar o mesmo pano de cozinha para diferentes funções, como secar as mãos, limpar bancadas e enxugar utensílios, favorecendo a disseminação de bactérias entre superfícies.

A cozinha costuma ser um dos pontos mais críticos porque reúne umidade, matéria orgânica e a manipulação de alimentos crus.

Quando a contaminação passa a representar risco?

Os especialistas ressaltam que conviver com microrganismos é algo natural. No entanto, a situação muda quando há contato com agentes capazes de provocar infecções.

"Isso pode acontecer, por exemplo, quando alimentos prontos entram em contato com carne crua, quando superfícies contaminadas são tocadas antes de levar a mão à boca ou quando há pessoas mais vulneráveis em casa, como idosos, crianças pequenas, gestantes, pessoas em quimioterapia ou com imunidade comprometida", explica Klinger.

Criança lava as mãos em torneira com água corrente em ambiente escolar.
Lavagem inadequada das mãos continua sendo uma das principais falhas de higiene - Marcelo Camargo/Agência Brasil

Lavar bem as mãos é simples

A lavagem inadequada das mãos continua sendo uma das principais falhas de higiene dentro de casa. "Precisa envolver água e sabão, fricção de todas as áreas das mãos e tempo suficiente para remover sujeira e microrganismos", destaca Klinger.

A Anvisa recomenda esfregar todas as regiões das mãos e secá-las completamente após a lavagem para aumentar a eficácia da higienização.

Outra falha comum é esquecer de lavar as mãos em momentos importantes, como depois de manipular carne crua, chegar da rua, usar o banheiro, trocar fraldas ou cuidar de alguém doente", complementa.

Misturar produtos de limpeza é mito

Os infectologistas também destacam que usar grandes quantidades de produtos de limpeza ou misturar diferentes substâncias não torna a higienização mais eficiente. Segundo eles, esse é um dos principais mitos relacionados à limpeza doméstica.

Mais importante do que exagerar na quantidade de produtos é utilizá-los corretamente. Uma limpeza bem feita, associada à higiene adequada das mãos, costuma ser muito mais eficaz na prevenção de infecções", ressalta Marinho.

Ele também explica que o álcool 70% deve ser utilizado apenas depois que a superfície estiver limpa e precisa permanecer em contato com o local pelo tempo adequado para exercer seu efeito desinfetante.

Guia de Boas Práticas da Anvisa

Para consultar o guia da Anvisa sobre o Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC), sistema preventivo de segurança dos alimentos voltado à identificação e ao controle de riscos biológicos, químicos e físicos, acesse este link.

O APPCC é aplicado em conjunto com as Boas Práticas de Fabricação (BPF) e serve como uma das principais diretrizes para garantir a qualidade sanitária dos alimentos.

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