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Exame alterado indica doença? Saiba o que pode interferir nos resultados

Alimentação, exercícios e medicamentos: descubra como esses elementos podem impactar seus exames laboratoriais e veja recomendações de especialista

Bianca Bibiano

Por Bianca Bibiano

09/10/2026 | 08h15

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Fatores cotidianos podem alterar resultados de exames, por isso, sempre consulte o médico que fez o pedido - Envato/luismanuelm
Fatores cotidianos podem alterar resultados de exames, por isso, sempre consulte o médico que fez o pedido
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Resultados de exames laboratoriais fora dos padrões de referência não devem causar pânico, pois precisam ser analisados em conjunto com sintomas e condições de coleta, segundo a especialista Milena Santana Cabral.

Fatores como alimentação, exercícios intensos e uso de medicamentos podem influenciar os resultados, tornando essencial seguir orientações específicas para cada exame e informar ao laboratório sobre qualquer alteração na rotina do paciente.

Medidas recomendadas incluem confirmar o preparo com o laboratório, respeitar períodos de jejum e informar sobre medicamentos e condições de saúde, além de consultar um médico antes de repetir exames em caso de resultados duvidosos.

Resumo gerado por IA

São Paulo - O resultado de um exame laboratorial fora dos valores de referência costuma nos deixar apreensivos. Contudo, segundo a farmacêutica bioquímica, e doutora em imunologia Milena Santana Cabral, ele não deve despertar pânico. "Um resultado fora da referência não é, sozinho, um diagnóstico".

Há uma série de fatores que podem modificar determinados resultados. Por isso, ela explica que o exame precisa ser interpretado junto com:

  • os sintomas
  • o histórico da pessoa
  • os medicamentos utilizados
  • as condições da coleta - horário, por exemplo
  • alimentação adequada
  • se fez atividade física intensa antes
  • comportamento do paciente - tranquilo ou estressado

Ela diz ainda que alguns hormônios, por exemplo, variam ao longo do dia e que também existem alterações relacionadas à própria amostra.

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"Se as células do sangue se rompem durante a coleta ou o transporte, fenômeno chamado hemólise, o potássio pode aparecer elevado sem representar o nível real no organismo", explica a especialista, que palestrou sobre o tema em setembro no 58º Congresso Brasileiro de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial, em Florianópolis (SC). 

Antes de perguntar 'qual doença é essa?', precisamos perguntar 'em que condições esse resultado foi produzido?'. Isso não significa desconsiderar uma alteração, mas investigá-la com critério.
Milena Santana Cabral, doutora em imunologia

Jejum e alimentação impactam resultados de exames?

Segundo a doutora, que também é membro do Conselho Regional de Farmácia do Estado da Bahia, a alimentação influencia principalmente na análise de glicose e triglicerídeos. "Uma refeição rica em carne também pode elevar temporariamente a ureia e creatinina, utilizada na avaliação dos rins", pondera. Mas nem todo exame exige jejum, e o perfil lipídico pode ser realizado sem jejum em muitas situações, conforme a indicação e a orientação do laboratório, assim como a última diretriz de dislipidemia preconiza.

Já os exercícios intensos podem elevar a chamada 'CK', uma enzima dos músculos, e também modificar outros marcadores, como AST, LDH e creatinina. Além disso, ela destaca que o álcool pode afetar triglicerídeos, glicose e marcadores relacionados ao fígado, dependendo da quantidade e do padrão de consumo. "Minha orientação é seguir o preparo específico de cada exame e informar qualquer situação diferente da rotina."

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Suplementos e remédios interferem nos exames?

A farmacêutica esclarece que uma substância pode mudar de verdade o funcionamento do organismo e interferir na forma como um exame é medido. Um corticoide pode aumentar realmente a glicose, por exemplo. Medicamentos como dapagliflozina e empagliflozina aumentam a eliminação de glicose pela urina como parte do seu mecanismo de ação, cita a especialista.

E destaca: "Encontrar glicose na urina de quem utiliza esses medicamentos não deve ser interpretado isoladamente como diabetes descontrolado".

Entre os suplementos, ela destaca o uso da biotina, que pode produzir resultados falsamente altos ou baixos em determinados métodos. A creatina também merece atenção, porque pode elevar a creatinina sem que isso, isoladamente, comprove perda da função renal.

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Os hormônios, anticoagulantes e diuréticos também precisam ser informados antes da coleta. "Não existe uma lista única que sirva para todos os exames. O paciente não deve suspender o tratamento por conta própria para tentar 'melhorar' o resultado. O objetivo é compreender sua condição real, inclusive durante o tratamento", completa.

Preparos para garantir uma boa coleta de exame

  • O primeiro cuidado é confirmar o preparo diretamente com o laboratório, porque ele varia conforme o exame.
  • Quando houver indicação de jejum, respeitar o período solicitado;
  • Água pura geralmente é permitida nos exames. Manter a hidratação habitual, sem exageros e respeitar eventuais restrições médicas.
  • Evitar exercício intenso e álcool pelo intervalo orientado para os testes solicitados; caso isso aconteça, informar antes da coleta.
  • Ao chegar no local do exame, indicar o tempo de jejum feito, mesmo que seja diferente do solicitado.
  • Informar doenças conhecidas e sintomas recentes.

Além disso, é preciso informar desde remédios com prescrição médica até produtos sem receita, vitaminas, suplementos, fitoterápicos e fórmulas manipuladas, anotando:

  • Nome do remédio ou suplemento.
  • Dose diária.
  • Horário da última utilização.
  • Para facilitar, pode tirar uma foto das embalagens.

"A confiabilidade começa antes de a amostra chegar ao equipamento. O resultado dos exames precisam exprimir a realidade da condição do paciente, naquele momento. E para isso, faz-se necessária uma boa interpretação clínica, para além dos resultados numéricos", complementa a farmacêutica.

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Devo refazer um exame em caso de erro?

A principal orientação sobre isso é conversar com o médico que solicitou o exame e esclarecer as condições de coleta e os resultados anteriores. "Conforme a suspeita, pode ser necessário repetir a análise, fazer uma nova coleta ou utilizar outro método. Nem sempre justifica-se uma repetição, mas claro, erros aleatórios na fase analítica, podem acontecer."

Milena Cabral destaca a necessidade de reconhecer situações mais urgentes. A confirmação deve ser conduzida sem atrasar um cuidado necessário. Ela recomenda não modificar tratamento por conta própria com base em um número isolado, mas também não presumir que uma alteração importante seja apenas erro. "Um resultado crítico ou sintomas importantes exigem avaliação imediata", conclui. 

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