Internações no SUS após mordidas de cachorro sobem 43% em 5 anos
Envato
São Paulo - O número de internações hospitalares no Sistema Único de Saúde (SUS) por mordidas de cães chegou a 1.361 em 2025, um aumento de 43,4% em comparação com 2020, quando foram registradas 949 ocorrências do tipo, aponta um levantamento da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). Entre as principais vítimas estão crianças pequenas.
Marcelo Sampaio, presidente da SBCP, afirma que o mais comum é a criança estar brincando com um cachorro doméstico e, ao se aproximar, sofrer uma mordida no nariz, na pálpebra ou no lábio.
Muitas vezes, esses ferimentos não colocam a vida em risco, mas exigem reconstruções, que são cirurgias de alta complexidade. Não é fácil reconstruir um nariz, por exemplo”, diz.
A cirurgia não busca apenas melhorar a aparência. Ela é fundamental para recuperar funções básicas do corpo e evitar danos permanentes. “A preocupação não é apenas com a sequela estética, mas também com a sequela funcional”, pontua Sampaio.
Leia também: Dia Nacional dos Animais: Brasil tem mais de 30 milhões de animais de rua
Nos lábios, a reconstrução é necessária para que o paciente consiga falar, conter a saliva e os alimentos. Já nas pálpebras, o objetivo é garantir que a pessoa consiga abrir e fechar os olhos normalmente.
Sampaio ainda destaca que, em casos em que há danos ao nervo facial, a reconstrução busca tratar a paralisia dos músculos do rosto, embora existam sequelas sem solução cirúrgica definitiva.
Em situações mais raras e graves, como ataques de cães de grande porte com perdas extensas de tecido ou da visão, a alternativa considerada pode ser o transplante de face.
Como evitar acidentes?
Diante do aumento de acidentes, a SBCP lançou a campanha “Crianças e Pets: Convivência Segura”, para alertar a população sobre os riscos.
Sampaio recomenda nunca deixar uma criança que não consegue se defender sozinha brincando com um cachorro, independentemente de quão dócil o animal pareça ser.
Também ressalta a necessidade de ensinar à criança que o cão não é um “bichinho de pelúcia” e que ela não deve colocar a mão na boca ou o dedo no olho do animal, pois essas ações podem assustá-lo e gerar um reflexo de defesa.
Leia também: Onde e como buscar atendimento gratuito para o seu pet; veja alguns centros
Outro cuidado citado, que vale tanto para crianças quanto para adultos, é não encostar o nariz no focinho do cachorro, evitando ataques por proteção ou susto.
O cirurgião também orienta que os responsáveis fiquem atentos à presença de cães de grande porte próximos às crianças e redobrem a vigilância nessas situações.
Para os donos de cães, a recomendação é utilizar focinheira, coleira e guia curta nos animais. No Estado de São Paulo, desde 2003, cães de grande porte e de raças consideradas potencialmente perigosas são obrigados a usar esses equipamentos para circular em locais públicos.
Leia também: Como cuidar de um gato idoso? Veja dicas de higiene e bem-estar do pet
Comentários
Política de comentários
Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.
