Inverno exige atenção na pressão arterial e sintomas silenciosos do coração
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São Paulo - Com a chegada do inverno, a preocupação geral costuma se voltar para gripes e resfriados. No entanto, as baixas temperaturas escondem um perigo silencioso e perigoso: o aumento expressivo de problemas cardiovasculares.
Dados do Ministério da Saúde alertam que as doenças cardiovasculares, que já são a principal causa de morte no mundo e podem aumentar em até 30% nos meses mais frios, enquanto os casos de Acidente Vascular Cerebral (AVC) chegam a crescer 20%. Apenas em 2021, as internações cardíacas entre junho e setembro representaram 36,8% do total registrado no ano pelo SUS.
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Impacto do frio
Mas o que explica essa relação entre os termômetros em baixa e o sofrimento do coração? A resposta está em uma combinação de reações fisiológicas do próprio corpo humano e mudanças de hábitos sazonais.
Para preservar a temperatura corporal ideal, que fica entre 36,5 °C e 37,5 °C, em ambientes frios, o organismo promove a chamada vasoconstrição, que é o estreitamento dos vasos sanguíneos. Com vias mais apertadas, o sangue encontra maior resistência para circular, obrigando o coração a fazer muito mais força para bombeá-lo, o que eleva naturalmente a pressão arterial.
Além do fator mecânico, o frio ativa o sistema nervoso simpático, responsável por preparar o corpo para emergências. Isso desencadeia a liberação de hormônios e neurotransmissores como adrenalina, noradrenalina e dopamina, que também puxam a pressão para cima.
Mudanças na pressão atmosférica e nos ventos ainda favorecem o espessamento do sangue e a produção de substâncias que facilitam coágulos. Estima-se, por exemplo, que quedas bruscas na pressão atmosférica aumentem o risco de trombose venosa profunda (TVP).
A reação do corpo a essas mudanças, contudo, varia de acordo com a saúde prévia do indivíduo. O cardiologista e professor da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), Jairo Lins Borges, explica que, para pessoas com o coração saudável e artérias desobstruídas, inalar o ar frio significa um aumento saudável do fluxo sanguíneo para o coração, o que ajuda a bombear mais sangue para manter os órgãos vitais aquecidos.
Porém, em pacientes com artérias bloqueadas, o ar frio causa uma redução do fluxo sanguíneo nas artérias coronárias, levando a uma irrigação menor e possível dano ao coração”.
Hipertensão e os hábitos de inverno
Pequenas elevações na pressão não devem ser ignoradas, mito que frequentemente coloca pacientes em risco. O cardiologista do Centro Especializado em Cardiologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Leandro Costa , explica que a pressão normal fica abaixo de 12 por 8 e que medidas frequentes acima de 14 por 9 indicam hipertensão.
O problema se agrava porque a hipertensão é muitas vezes silenciosa, derrubando o mito de que dores de cabeça são um aviso garantido para a pressão alta. Segundo Costa, o desafio do inverno é a soma de vários fatores: "frio, menor hidratação, menor prática de atividade física, maior consumo de alimentos calóricos e, em alguns casos, menor adesão ao tratamento”.
Nessa época, as pessoas tendem a comer mais embutidos, sopas industrializadas e queijos com alto teor de sódio, piorando o controle pressórico e os níveis de colesterol no sangue
Outro mito comum é achar que quem toma remédios para a pressão está isento de preocupações; o tratamento reduz riscos, mas não anula a necessidade de monitoramento durante a estação, sendo a medição caseira (com aparelhos validados) uma excelente aliada.
Sinais de alerta e como se proteger
Como o ambiente interno das casas também pode ser prejudicial se for muito frio, a proteção passa por manter o corpo agasalhado e evitar mudanças bruscas de temperatura para prevenir a hipotermia. Pessoas com problemas cardíacos devem manter as medicações e os exames em dia. Também é importante estar atento a baixos níveis de vitamina D, bastante comuns em dias com pouca luz solar, pois isso eleva as chances de eventos cardiovasculares.
É importante lembrar que serviços de emergência costumam lotar nesta época , por isso é importante reconhecer rapidamente os sinais de eventos agudos.
No infarto, os principais sintomas são:
- Dor ou pressão no peito;
- Falta de ar;
- Suor frio;
- Náuseas.
Já o AVC pode se apresentar como fraqueza repentina em um dos lados do corpo, dificuldade para falar, rosto assimétrico ou perda súbita de visão. Nesses casos, a busca por socorro precisa ser imediata.
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