Ministério da Saúde vai oferecer 9 mil bolsas para formar agentes populares
Divulgação/Ministério da Saúde
06/01/2026 | 11h06
São Paulo, 06/01/2026 - O Ministério da Saúde anunciou um novo edital que vai oferecer mais de nove mil bolsas para a formação de agentes populares de saúde. Ao todo, serão criadas 450 turmas em 17 unidades da federação, cada uma delas com um educador e 20 educandos. Essas pessoas serão selecionadas junto a movimentos sociais populares em 17 estados.
O edital é destinado a lideranças comunitárias e é aplicável a mestres da cultura popular, tradição oral, erveiras, parteiras, benzedeiras, raizeiras, meizinheiras e afins. O edital prevê o pagamento de bolsas para os educadores selecionados, no valor de R$ 2.500 por mês, ao longo de nove meses.
Também oferecerá uma bolsa incentivo aos educandos no valor de R$ 560 para custos de deslocamento e outras despesas que permitam a permanência no curso. Segundo o edital, o valor aos participantes será pago em duas partes.
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O que é faz um agente de educação popular em saúde?
De acordo com o Ministério da Saúde, os agentes de educação popular em saúde são pessoas que atuam em defesa do Sistema Único de Saúde (SUS) nas comunidades em que vivem, contribuindo com trabalhadores e trabalhadoras da equipe de saúde da família, a partir do incentivo à participação da população nos conselhos locais, no combate à desinformação e na promoção de ações para potencializar o acesso à saúde.
Os educadores selecionados podem ser agentes populares formados durante a pandemia da covid-19, conselheiros locais de saúde e representantes de movimentos sociais e da sociedade civil organizada, podendo ter ou não experiência prévia em cursos de formação.
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Os educadores indicados pelos movimentos sociais populares deverão conduzir o desenvolvimento pedagógico dos educandos, utilizando o material disponibilizado pelo projeto.
Quem pode participar?
O requisito mínimo é ter formação de nível médio com certificação de uma instituição reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC) ou possuir notório saber comprovado. Além disso, é necessário o reconhecimento por, pelo menos, duas lideranças comunitárias ou entidades e instituições públicas.
Já o grupo dos educandos inclui pessoas interessadas nas práticas tradicionais e populares de cuidado, comunicação e educação popular em saúde, com perfil de lideranças e ativistas comunitários ou participante dos movimentos populares.
Segundo a divulgação do Ministério, o curso levará em conta a distribuição das turmas entre os Estados, priorizando "a equidade (onde a pobreza é concentrada), o impacto em escala (maior volume populacional vulnerável) e o porte populacional" em 17 unidades da Federação: Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe e Distrito Federal.
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Entenda o programa
O edital faz parte do Programa de Formação de Agentes Educadores e Educadoras Populares de Saúde (AgPopSUS), criado em 2023 pelo Ministério da Saúde em parceria com a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS). Seu objetivo é contribuir para a atuação dos movimentos sociais e populares na defesa do SUS e do direito à saúde, fortalecendo o protagonismo popular e a articulação de saberes nos territórios.
A iniciativa integra saberes tradicionais e populares e, segundo o site oficial, "nasceu da experiência de atuação de movimentos sociais durante a pandemia de Covid-19, quando lideranças comunitárias atuaram como agentes populares de saúde para proteger seus territórios".
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De acordo com o secretário de Gestão do Trabalho e da educação na Saúde, Felipe Proenço, o edital reforça a participação popular no âmbito do sistema público. “O programa fortalece ainda mais a saúde e a participação popular como direitos presentes na construção diária do SUS, a partir da mobilização dos voluntários que organizam a comunidade onde vivem para garantir direitos sociais. Também reconhece o notório saber de mestres da cultura popular, incentivando e valorizando as práticas tradicionais e populares de cuidado”, disse em nota.
“Com essa formação, qualificamos pessoas para atuar junto às suas comunidades, promovendo saúde, direitos e a defesa do SUS. É uma oportunidade de construir uma rede nacional de agentes comprometidos com o cuidado, a educação popular e a equidade no Sistema Único de Saúde”, destacou Luciana Maciel, diretora de Atenção Integral à Saúde da AgSUS.
A entidade realizará na sexta-feira, 9, uma sessão pública virtual no seu canal institucional do Youtube para sanar dúvidas dos movimentos interessados.
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