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Miscigenação brasileira pode ser o segredo da longevidade, aponta estudo

Antonio Cruz/Agência Brasil

Pesquisa aponta que a miscigenação do povo brasileiro pode ser um fator determinante para uma longevidade de qualidade - Antonio Cruz/Agência Brasil
Pesquisa aponta que a miscigenação do povo brasileiro pode ser um fator determinante para uma longevidade de qualidade
Por Emanuele Almeida

06/01/2026 | 14h32

São Paulo, 06/01/2026 — Uma pesquisa do Centro de Estudos do Genoma Humano e Células-Tronco da Universidade de São Paulo (Genoma USP) indica que a miscigenação da população brasileira pode ser um fator positivo para a longevidade e a qualidade de vida.

Os resultados do artigo, publicado nesta terça-feira, 6, no periódico científico Genomic Psychiatry, derivam de uma análise iniciada durante a pandemia de Covid-19. O estudo avaliou três idosos com mais de 110 anos que, mesmo infectados pelo vírus e não vacinados na época, recuperaram-se plenamente.

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A pesquisa aponta que a miscigenação do povo brasileiro — composta por raízes europeias, africanas, indígenas e asiáticas — parece ser um fator determinante. Segundo os pesquisadores, essa ampla variabilidade genética pode atuar como um "escudo". Contudo, o fenômeno vai além da idade avançada: a manutenção da qualidade de vida desses idosos é o que realmente impressiona a comunidade científica.

A tese de que a genética desempenha um papel central ganha força ao se observar a longevidade concentrada em grupos familiares. Um dos casos emblemáticos acompanhados pelo centro é o de uma mulher de 110 anos que possui três sobrinhas também centenárias, com 106, 104 e 100 anos. O exemplo reforça a ideia de que o "viver bem" pode estar registrado na genética de linhagens brasileiras.

Nesse contexto, o Brasil é um caso interessante para estudos, visto que abriga também três dos dez homens mais longevos do mundo com idades validadas. Entre eles está o homem vivo mais velho do planeta, cujo nascimento remonta a 5 de outubro de 1912.

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Expansão do estudo

Após a fase inicial focada na Covid-19, o estudo foi expandido para incluir outros perfis. Hoje, a pesquisa abrange mais de 160 idosos com pelo menos 95 anos, distribuídos por diversas regiões brasileiras com contextos sociais e ambientais diferentes.

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A análise constata que os supercentenários representam um modelo humano raro. A população miscigenada do Brasil oferece a oportunidade de compreender mecanismos de proteção muitas vezes negligenciados em populações mais homogêneas.

O foco principal da pesquisa reside na genética por trás da longevidade, visto que muitos participantes mantêm saúde ativa e lucidez, mesmo vindo de regiões carentes com acesso limitado à medicina moderna ao longo da vida.

Como funciona o estudo

Após uma triagem inicial com entrevistas e exames de sangue, os participantes passam por monitoramento anual. Esse acompanhamento permite observar a evolução da saúde dos centenários que, com exceção de óbitos por causas naturais, demonstram notável estabilidade clínica. 

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As descobertas podem abrir caminho para o desenvolvimento de fármacos capazes de modular a genética, permitindo que os benefícios de uma vida longa e saudável sejam estendidos a qualquer indivíduo.

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