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Mulheres adotam atividade física como remédio contra o câncer de mama

Prática de exercícios melhora qualidade de vida durante e após tratamento de câncer de mama, dizem oncologistas; veja relatos de mulheres 50+

Bianca Bibiano

Por Bianca Bibiano

22/10/2026 | 08h47

Acervo pessoal

Marly Rodrigues, 57, encontrou no mar a superação para os desafios vivenciados após chegada do câncer - Acervo pessoal
Marly Rodrigues, 57, encontrou no mar a superação para os desafios vivenciados após chegada do câncer
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O diagnóstico de câncer de mama em mulheres na faixa dos 50 anos traz desafios significativos, exigindo uma reavaliação das prioridades e do autocuidado, como relatado por Marly e Selma, que encontraram na atividade física um suporte essencial durante e após o tratamento.

Ambas foram surpreendidas pelo diagnóstico durante exames de rotina, apesar de levarem vidas ativas e saudáveis, o que destaca a importância de exames preventivos regulares para a detecção precoce da doença.

As duas mulheres adotaram rotinas de exercícios como parte de seu tratamento, com apoio médico que comprova que a atividade física pode reduzir a mortalidade por câncer de mama e melhorar a qualidade de vida, além de ser um remédio complementar durante a recuperação.

Resumo gerado por IA

São Paulo - O diagnóstico de câncer de mama após os 50 anos se entrelaça às transformações hormonais e na rotina das mulheres em meio a diversos compromissos profissionais e familiares. O desafio vai muito além dos protocolos hospitalares. Exige ressignificar o próprio corpo, reordenar prioridades e encontrar meios de lidar com a ansiedade.

É o que relatam as aposentadas Marly Rodrigues, de 57 anos, e Selma Cristina da Silva, de 56, cuja luta contra o tumor tem um aliado em comum: a atividade física. As trajetórias, distintas nas modalidades que praticam e na forma como descobriram a doença se cruzam ao provar que manter uma rotina de atividade física funciona como um remédio complementar durante o tratamento e após a remissão de câncer. 

A descoberta do câncer em exames de rotina

Tanto Selma quanto Marly foram surpreendidas com a notícia da doença ao realizar exames de rotina. Ambas levavam uma vida ativa e não tinham sintomas visíveis no autoexame. "Eu tive esse baque, que foi a descoberta de um tumor na mama esquerda. O meu ginecologista, a princípio, até ficou meio em dúvida porque eu era uma pessoa que não tinha muito perfil, minha alimentação sempre foi muito boa, sempre fiz atividade física", relembra Marly.

No caso de Selma, o diagnóstico veio em maio de 2024. Na época, sem apresentar qualquer nódulo ou alteração visível, ela viajou de férias para o Nordeste.

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Selma da Silva buscou na atividade física a possibilidade de se manter ativa durante tratamento - Acervo pessoal

O uso prolongado de biquíni molhado acabou gerando uma candidíase, motivo que a fez agendar uma consulta ginecológica assim que retornou. Aproveitou o atendimento para colocar os exames em dia. "Sabe aqueles sintomas clássicos que a gente sempre ouve falar do câncer de mama? Eu não tinha absolutamente nada", conta.

A mamografia confirmou a alteração e modificou sua vida. "Você não sai a mesma pessoa depois de um tratamento de câncer. Seu corpo mudou, a sua cabeça, e eu estou falando da parte fisiológica mesmo. E as suas prioridades mudam. Às vezes coisas que você dava tanta importância, coisas que você se irritava, não têm a menor importância, sabe? Tem coisa tão mais importante, tão mais séria", relatou Selma, que pela primeira vez aceitou contar a história publicamente.

Exercício físico contra câncer de mama

Após tratamentos com cirurgia, quimioterapia e radioterapia, as duas descobriram na rotina de treinos a força necessária para enfrentar o cansaço e a sobrecarga emocional do tratamento.

Para Marly, que é nadadora de águas abertas e compete no Circuito Mares, com diversas conquistas no pódio de sua categoria, voltar a nadar no mar após a radioterapia representou uma superação.

"Isso foi só me dando força para que eu não deixasse me abater, para que eu voltasse à minha rotina. E, graças a Deus, continuo com a rotina. Agora um pouquinho mais difícil, porque o braço fica um pouco travado depois da cirurgia e da rádio, mas estou indo bem", contou ela.

A minha atividade física é o que me dá força para seguir adiante, controlar um pouco a ansiedade do processo.
Marly Rodrigues, aposentada
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Marly Rodrigues comemora pódio em prova de natação no mar - Acervo pessoal

Além da natação, Marly frequenta academia sempre que possível, encontrando no convívio social um pilar de sustentação do tratamento. "Não larguei em momento algum, porque eu sabia que era o que ia me dar força. Eu ia até a academia para estar junto das pessoas, dos amigos, porque eu sabia também que era muito importante, e eles realmente me deram muita força". conta.

A dedicação de Marly foi tão contagiante que ela se tornou uma referência entre amigos, familiares e até na equipe médica, incentivando muitos ao seu redor a realizarem exames preventivos e praticarem esportes.

Selma, por sua vez, conta que antes do câncer praticava o jogo squash, encontrou na musculação orientada por fisioterapia oncológica um apoio para se manter ativa durante e no pós tratamento: 

Hoje eu faço academia três vezes por semana. Para mim, é a mesma coisa do que eu abrir a caixinha do remédio e tomar o meu comprimido, entende? Eu vejo a atividade física como o remédio complementar do meu tratamento.
Selma Cristina da Silva, aposentada

Atualmente, com o câncer já curado, ela segue ativa enquanto faz tratamento com hormonioterapia, que bloqueia os efeitos dos hormônios no câncer, mas provoca sintomas semelhantes aos da menopausa. "O meu personal brinca que já saímos da fase do treino fofo e agora a gente vai para um treino de gente grande", orgulha-se.

O que a medicina diz sobre o papel dos exercícios 

Os relatos de superação de Marly e Selma encontram respaldo médico e em pesquisas. A oncologista clínica Mariana Monteiro, do Hospital Samaritano Higienópolis, da Rede Américas, destaca que a prática esportiva beneficia a paciente em todas as fases da doença e pode reduzir entre 30% a 40% a mortalidade por câncer de mama.

O exercício físico melhora o câncer de mama porque ele reduz a fadiga relacionada ao tratamento. Ele consegue preservar a massa muscular, que é importantíssima para que a paciente tenha mais tolerância, melhora os sintomas de ansiedade, de depressão e a capacidade funcional como um todo.
Mariana Monteiro, oncologista

A médica Bruna Zucchetti, oncologista do Hospital Nove de Julho, complementa explicando que o exercício também combate o chamado quimiobrain (nome dado a alterações de memória e raciocínio provocadas pela quimioterapia). Além disso, reduz o risco de recidiva da doença e ameniza os efeitos colaterais do bloqueio hormonal contínuo.

Em termos práticos, ela sugere seguir o padrão de atividades reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS). "Já há alguns estudos em câncer de mama com mulheres que fazem pelo menos 150 minutos de atividade física moderada por semana e tiveram menos risco de recorrência", explica.

O câncer volta menos se fizer exercício físico. Além disso, por conta das terapias hormonais, do bloqueio hormonal, exercício físico ajuda muito na questão de rigidez e dores articulares que as mulheres podem ter, e, principalmente, ajuda a diminuir as ondas de calor, que são aqueles fogachos semelhantes aos sintomas de menopausa.
Bruna Zucchetti, oncologista

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