O que é adenocarcinoma pouco diferenciado? Veja o caso do cacique Raoni
Divulgação/Instituto Raoni
São Paulo - Uma das mais conhecidas lideranças indígenas do Brasil e referência internacional na defesa dos direitos dos povos da floresta, o cacique Raoni Metuktire, de 94 anos, enfrenta um quadro delicado de saúde devido a um câncer no aparelho digestório.
De acordo com nota do Instituto Raoni, após apresentar dores abdominais e episódios de vômitos, o líder indígena foi diagnosticado com uma obstrução intestinal na altura do duodeno, provocada por uma lesão tumoral que impedia a passagem dos alimentos.
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Em junho de 2026, Raoni passou por um procedimento cirúrgico chamado gastroenteroanastomose por videolaparoscopia no Hospital São Paulo (Unifesp). O objetivo da intervenção não foi a cura ou remoção do tumor, mas a desobstrução do trânsito digestivo para restaurar a alimentação e proporcionar conforto.
A análise anatomopatológica do tecido confirmou o diagnóstico de adenocarcinoma pouco diferenciado.
O que é o adenocarcinoma pouco diferenciado?
O adenocarcinoma é um tipo de tumor maligno que se origina nas células glandulares do tecido epitelial, responsável pela produção de secreções como muco e enzimas. Esse tipo de câncer pode se desenvolver em diversos órgãos, incluindo o estômago, o intestino e o pâncreas.
A classificação "pouco diferenciado" refere-se ao grau de alteração das células tumorais em relação ao tecido saudável de origem:
- Células alteradas: as células perdem a estrutura normal e apresentam grandes modificações morfológicas e núcleos anormais;
- Comportamento agressivo: esse tipo de adenocarcinoma é caracterizado por crescimento mais rápido, alta atividade de replicação celular e maior tendência à invasão local e metástase.
Por que cacique Raoni está em cuidados paliativos?
A decisão pela transição para os cuidados paliativos foi tomada conjuntamente pelas equipes médicas e familiares ao avaliar a agressividade do tumor, a idade avançada de Raoni e o seu histórico de saúde prévio.
Além do câncer, o cacique apresenta diversas comorbidades graves:
- Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC);
- Insuficiência cardíaca e hipertensão arterial;
- Uso de marcapasso (devido a bloqueio atrioventricular);
- Hérnia diafragmática traumática crônica.
Diante desse quadro clínico complexo, terapias com objetivo curativo — como cirurgias de grande porte, quimioterapia ou outras abordagens oncologicas agressivas — trariam riscos elevados de morte e não foram consideradas adequadas.
Diferente do que muitos imaginam, os cuidados paliativos não significam abandono do tratamento ou que "não há mais o que fazer". Na medicina, significa uma mudança no foco da assistência médica:
- Objetivo principal: controlar a dor, aliviar sintomas como sangramentos ou náuseas e preservar a dignidade e a autonomia possível do paciente;
- Acompanhamento multiprofissional: mantém-se o suporte de enfermagem, fisioterapia, suporte nutricional e monitoramento contínuo;
- Apoio familiar e cultural: permite ao paciente permanecer em sua residência, rodeado por familiares e integrado ao seu ambiente cultural e linguístico.
No caso do cacique Raoni, os cuidados paliativos domiciliares em Peixoto de Azevedo (MT) unem a medicina ocidental e as tradições do povo Mẽbêngôkre. Por ser também pajé e uma liderança altamente espiritualizada, Raoni recebe o acompanhamento contínuo de pajés de sua confiança, integrando a assistência médica formal às práticas espirituais e culturais de sua comunidade.
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