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Pele muda com a idade: saiba como o envelhecimento varia entre as pessoas

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Mudanças hormonais, redução de colágeno e menor hidratação deixam a pele mais frágil depois dos 50 anos - Pexels
Mudanças hormonais, redução de colágeno e menor hidratação deixam a pele mais frágil depois dos 50 anos
Por Alexandre Barreto

23/08/2026 | 11h10

São Paulo - A pele muda com a idade, mas não existe um único padrão para esse processo. O tipo de pele, a genética, os hormônios, a exposição solar e a rotina de cada pessoa determinam quais sinais tendem a aparecer e em que momento. 

Dermatologistas ouvidas pelo VIVA apontam que, depois dos 50 anos, essas transformações podem ficar mais evidentes, pois o envelhecimento combina fatores intrínsecos, ligados à passagem do tempo e à genética, com fatores extrínsecos, principalmente a exposição solar acumulada.

Com os anos, a renovação celular diminui e há mudanças na produção e organização do colágeno e das fibras elásticas. A distribuição da gordura facial e até a estrutura óssea também sofrem alterações.

Dra. Camila Rosa é médica dermatologista especializada pela SBD
Dra. Camila Rosa é médica dermatologista especializada pela SBD - Divulgação
Clinicamente, isso se traduz em pele mais fina e seca, perda de elasticidade e firmeza, rugas, flacidez e alterações de pigmentação", pontua a Dra. Camila Rosa, médica dermatologista.

Além disso, a especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) explica que nas mulheres a menopausa pode intensificar essas mudanças. A redução dos níveis de estrogênio está associada à perda de colágeno, elasticidade e hidratação, o que pode deixar a pele mais ressecada e vulnerável.

Médica dermatologista e cirurgiã dermatológica, Carla Vidal também destaca a redução de colágeno, elastina e ácido hialurônico nessa fase. "A pele demora mais para se regenerar", ressalta.

Ela também aponta que pele pode perder parte do contorno facial, apresentar rugas mais marcadas e ficar mais suscetível a pequenos machucados e hematomas.

Dra. Carla Vidal é médica especializada em dermatologia e cirurgia dermatológica
Dra. Carla Vidal é médica especializada em dermatologia e cirurgia dermatológica - Divulgação

Por que a pele envelhece de formas diferentes?

A quantidade e a distribuição de melanina estão entre os fatores que ajudam a explicar as diferenças. Peles mais pigmentadas têm maior proteção natural contra parte dos danos provocados pela radiação ultravioleta. Por isso, as rugas relacionadas ao fotoenvelhecimento tendem a aparecer mais tarde nesses grupos.

Em peles claras, os efeitos acumulados da exposição solar podem aparecer como rugas precoces, manchas solares, vasos aparentes e queratoses actínicas. Esse grupo também apresenta maior risco de danos relacionados à radiação ultravioleta, incluindo câncer de pele.

Já nas peles negras e em outros fototipos mais altos, alterações de pigmentação podem ter maior destaque. A hiperpigmentação pós-inflamatória e a irregularidade do tom estão entre as mudanças que podem se tornar mais perceptíveis. Por exemplo, manchas após inflamações, acne ou procedimentos.

Nas peles asiáticas, também pode haver menor quantidade de rugas em determinadas faixas etárias, mas alterações de pigmentação e mudanças no volume e no contorno facial podem se destacar com o passar dos anos.

Mulher asiática adulta de meia-idade e idosa olha no espelho com a pele seca no rosto
Em peles asiáticas, pode haver menor quantidade de rugas em determinadas faixas etárias - Adobe Stock

As dermatologistas ressaltam que fatores individuais podem ter peso tão grande quanto as características associadas ao grupo étnico. Histórico de exposição solar, predisposição genética e hábitos acumulados ao longo da vida ajudam a explicar essas diferenças. Por isso, essas características não significam que todas as pessoas de um determinado grupo terão os mesmos sinais. 

Isso mostra que não existe um único padrão de envelhecimento e, justamente por isso, cada pele precisa ser avaliada e tratada de acordo com suas características biológicas e sua história de vida", afirma Vidal.

Melanina não é o único fator

A diferença entre os sinais de envelhecimento também está relacionada à estrutura da pele. Espessura e organização da derme, características das fibras de colágeno, atividade dos fibroblastos e anatomia facial influenciam o processo.

A mudança da gordura, dos músculos e da estrutura óssea da face também interfere na perda de volume, na flacidez e no contorno.

Envelhecimento não significa apenas 'ter mais ou menos rugas'. Uma pessoa pode apresentar, predominantemente, manchas, outra perda de firmeza e outra alteração de volume e contorno facial", explica Camila Rosa, especialista em pele negra.

Entre os fatores externos, a exposição acumulada à radiação ultravioleta é apontada pelas dermatologistas como um dos principais responsáveis pelo fotoenvelhecimento.

A radiação pode provocar danos ao DNA, estresse oxidativo e alterações no colágeno e nas fibras elásticas. Com o tempo, isso contribui para rugas, manchas, perda de elasticidade e mudanças na textura da pele.

Mulher idosa de perfil, com cabelos brancos, iluminada pela luz do sol enquanto repousa a mão sobre a cabeça
Exposição acumulada à radiação ultravioleta é um dos principais responsáveis pelo fotoenvelhecimento - Pexels

O cigarro também está relacionado ao envelhecimento precoce. Outros fatores citados pelas especialistas incluem alimentação inadequada, consumo excessivo de álcool, sedentarismo, privação de sono, estresse crônico e poluição.

Isso ajuda a explicar por que duas pessoas com a mesma idade podem ter aparências e condições de pele diferentes. O envelhecimento é resultado da interação entre genética, características biológicas e exposição acumulada a diferentes fatores ao longo da vida.

Como cuidar da pele durante o envelhecimento

As especialistas defendem uma mudança de perspectiva: o objetivo não é interromper o envelhecimento, mas preservar a saúde e a função da pele. Veja as principais medidas:

  • Fotoproteção: uso regular de protetor solar de amplo espectro, combinado com sombra, roupas, chapéus e óculos, ajuda a reduzir os danos causados pela radiação ultravioleta.
  • Limpeza e hidratação: com o avanço da idade, a manutenção da barreira cutânea ganha importância porque a pele tende a perder água com mais facilidade.
  • Ativos tópicos: os retinoides estão entre os mais estudados para o fotoenvelhecimento, pois podem contribuir para melhorar a textura, as linhas finas e as alterações de pigmentação, mas devem ser utilizados considerando a tolerância e as características de cada pele.

Carla Vidal também cita ativos como vitamina C e niacinamida, além de reforçar a importância de acompanhamento dermatológico para definir os produtos mais adequados a cada pessoa.

Hábitos como dormir bem, praticar atividade física regularmente, manter uma alimentação equilibrada, não fumar e controlar doenças crônicas ajudam não apenas a preservar o colágeno, mas também a manter a barreira cutânea íntegra e a pele funcionando melhor".

Envelhecimento saudável não é apagar a idade

Para Camila Rosa, envelhecer é um processo biológico natural. O cuidado dermatológico deve buscar reduzir fatores que aceleram o processo, preservar a barreira cutânea e tratar alterações específicas quando necessário.

O que faz diferença é a combinação de fotoproteção, preservação da barreira cutânea, hábitos saudáveis e constância ao longo dos anos".
Uma mulher negra idosa posando com uma flor
Envelhecimento saudável não significa tentar eliminar os sinais da idade da pele - Pexels

A mesma ideia aparece na avaliação de Carla Vidal, que defende o conceito de envelhecimento saudável em vez da tentativa de eliminar os sinais da idade.

"Não existe um único produto capaz de manter a pele saudável. O que realmente produz resultados é a constância de bons hábitos ao longo da vida. É essa consistência, muito mais do que promessas de rejuvenescimento imediato, que faz diferença no envelhecimento da pele", conclui.

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