Cosméticos anti-idade: entenda riscos e benefícios dermatológicos aos 50+
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São Paulo - Pessoas com mais de 50 anos podem apresentar respostas diferentes aos cosméticos anti-idade em comparação com adultos mais jovens. Isso acontece porque o envelhecimento provoca mudanças na estrutura, na hidratação, na produção de sebo do rosto e na capacidade de reparação da pele, o que pode aumentar a sensibilidade a determinados ingredientes.
Segundo dermatologistas ouvidas pelo VIVA, os testes de segurança e eficácia ajudam a verificar se um cosmético oferece o benefício indicado pelo fabricante e quais são os possíveis riscos associados ao seu uso.
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Por que os cosméticos anti-idade passam por testes?
Os testes de segurança avaliam o potencial de diferentes ingredientes causarem efeitos indesejados. Já os estudos de eficácia verificam se o benefício apresentado na embalagem é sustentado por avaliações objetivas.
A dermatologista Fernanda Bertanha, da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, ressalta que a análise de segurança considera os ingredientes, a formulação, a quantidade aplicada, a frequência e a forma de uso, além do perfil do consumidor.
Entre os possíveis riscos estão irritação, sensibilização, desconforto e, em determinadas situações, efeitos decorrentes da absorção de ingredientes pelo organismo.
“O efeito sistêmico resulta da passagem de quaisquer ingredientes do produto para a corrente sanguínea, independentemente da via de aplicação", destaca.
Os testes ajudam a reduzir essas incertezas antes que o produto seja utilizado por uma quantidade maior de consumidores.
O que muda na pele depois dos 50 anos?
A pele madura passa por alterações estruturais e bioquímicas ao longo do envelhecimento. Também podem ocorrer mudanças na percepção de estímulos, na permeabilidade da pele, na resposta a lesões e na capacidade de reparação.
Fernanda Bertanha explica que a pele fica progressivamente mais fina ao longo da vida adulta. A espessura diminui, em média, 6,4% por década, acompanhada por uma redução no número de células da epiderme.
O número de melanócitos enzimaticamente ativos diminui a uma taxa de 8% a 20% por década, resultando em pigmentação irregular na pele de idosos. Embora o número de glândulas sudoríparas não se altere, a produção de sebo diminui em até 60%.
Também há diminuição da quantidade de água no estrato córneo e alterações nos componentes responsáveis pela retenção de umidade. Com o avanço da idade, a derme também fica mais fina.
"O envelhecimento está inevitavelmente associado a uma diminuição na renovação do colágeno, devido à redução de fibroblastos e de sua síntese de colágeno, bem como da elastina", ressalta a especialista.
Essas mudanças fazem com que a pele 50+ tenha necessidades diferentes. A dermatologista Renata Sanseverino, da Sociedade Brasileira de Dermatologia do Rio Grande do Sul (SBD-RS), explica que um cosmético que funciona ou é bem tolerado por uma pessoa mais jovem pode produzir uma resposta diferente em uma pele madura.
A nossa pele passa por diversas transformações relacionadas, sim, ao ‘envelhecer’, mas também aos nossos hábitos do dia a dia, como exposição solar e tabagismo", pontua Renata.
Ela também destaca que a pele envelhecida apresenta características distintas, inclusive na barreira cutânea, e pode reagir de outra maneira aos mesmos ativos.
Cosméticos anti-idade podem causar irritação?
Mesmo produtos desenvolvidos para cuidados com a pele podem provocar irritação ou alergia em determinadas pessoas. Entre os fatores que podem favorecer uma reação estão: concentração dos ingredientes, a formulação, a quantidade aplicada, a frequência e o modo de uso.
O risco também pode aumentar quando o produto é aplicado sobre pele inflamada, com dermatite, fissuras ou alterações na barreira cutânea.
As especialistas afirmam que as áreas mais sensíveis, como as pálpebras, também exigem atenção. O uso simultâneo de vários cosméticos, a aplicação de concentrações maiores e o contato prolongado com o produto podem aumentar a possibilidade de reação.
“O cenário mais comum para isso acontecer é quando o produto contém alguma substância irritante ou abrasiva, como alguns ácidos, especialmente em casos de uso inadvertido", cita Renata Sanseverino. Segundo ela, aplicar um cosmético inadequado para o tipo de pele ou em quantidade superior à recomendada também pode aumentar o risco.
Qual é a diferença entre irritação e alergia?
A irritação ocorre por um dano direto ao tecido e pode aparecer após a primeira aplicação ou depois do uso repetido. Ela está relacionada à dose e a fatores como concentração, quantidade aplicada e frequência de utilização.
Já a sensibilização envolve uma resposta do sistema imunológico. Ela pode surgir depois de diferentes períodos de contato com determinado ingrediente. Depois que ocorre a sensibilização, novas exposições ao componente podem desencadear uma reação. Os sinais podem ser semelhantes, como vermelhidão, inchaço e alterações na pele.
Diferenciam-se pelo fato de a irritação ser dose-dependente, enquanto a sensibilização não. Uma vez sensibilizado, o indivíduo desenvolverá reação a toda exposição aos ingredientes", afirma Fernanda Bertanha.
Para pessoas com pele sensível, oleosa ou com outras características específicas, os próprios estudos clínicos podem selecionar participantes que representem o público para o qual o produto será destinado.
Misturas caseiras podem substituir cosméticos anti-idade?
Não é recomendado utilizar receitas caseiras sem orientação profissional. A aplicação de alimentos, plantas ou outras substâncias divulgadas na internet pode dificultar o controle da quantidade de ativos presentes.
O problema disso é que não existe uma padronização com relação a quantidade dos ativos presentes. Isso aumenta o risco de alergias, irritações e até queimaduras na pele", explica Renata.
A dermatologista recomenda procurar orientação médica antes de comprar ou aplicar qualquer substância na pele, especialmente quando existem dúvidas sobre a indicação do produto.
Como escolher um cosmético anti-idade depois dos 50?
Segundo as especialistas, a pele madura apresenta características próprias, por isso a escolha de um cosmético deve levar em conta o tipo de pele, os ingredientes presentes na fórmula e a finalidade do produto.
Também é importante seguir as orientações de quantidade, frequência e forma de aplicação. O uso de vários produtos ao mesmo tempo pode aumentar a exposição da pele a diferentes ingredientes e favorecer reações em algumas pessoas.
Antes de incorporar um novo cosmético anti-idade à rotina, principalmente quando a pele já apresenta irritação, dermatite ou sensibilidade, a avaliação de um dermatologista pode ajudar a identificar quais produtos são mais adequados.
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