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'Queria ver minha filha crescer', diz pai que superou câncer de testículo

Arquivo Pessoal/Junior Baptista
Por Emanuele Almeida

09/08/2026 | 08h00

São Pulo - Para Junior Baptista, o diagnóstico de câncer de testículo chegou em um momento de extrema felicidade e vulnerabilidade: ele era pai de uma bebê de apenas oito meses. Após esperar mais de dez anos pela chegada de Lucy, Junior, aos 44 anos,  viu sua rotina ser subitamente transformada por uma doença que, embora silenciosa, exige rapidez e atenção.

Começo de tudo

Tudo começou com uma sensibilidade no testículo direito após um treino na academia. Inicialmente, Junior acreditou ser apenas uma consequência do exercício físico, mas o surgimento de um pequeno inchaço na semana seguinte o levou a procurar um urologista. O que parecia simples tornou-se uma cirurgia de urgência e a confirmação de um diagnóstico que ele descreve como "perder o chão".

O tratamento trouxe limitações físicas severas. Enquanto a pequena Lucy descobria o mundo e pedia colo, Junior enfrentava a debilidade causada pela quimioterapia. "Muitas vezes eu queria brincar mais... mas meu corpo tinha limitações", relembra.

Contudo, foi justamente a paternidade que renovou suas forças; o sorriso da filha era o combustível para continuar enfrentando os dias mais difíceis.

O que é o câncer de testículo e como ele se desenvolve?

O câncer de testículo se desenvolve nas células germinativas, responsáveis pela produção de espermatozoides. É considerado o tumor maligno mais comum entre homens jovens, especialmente na faixa dos 15 aos 34 anos.

O desenvolvimento da doença costuma se manifestar através de um nódulo indolor, aumento do volume da bolsa escrotal ou um endurecimento do testículo.

Outros sinais de alerta incluem:

  • Dor imprecisa na parte inferior do abdômen;
  • Sensação de peso no escroto;
  • Alterações no tamanho (aumento ou diminuição) dos testículos;
  • Sangue na urina ou sensibilidade nos mamilos (em casos raros).

A detecção pode ser feita por meio do autoexame periódico durante a higiene, permitindo identificar alterações que necessitam de investigação médica imediata.

Segundo o líder nacional de tumores urológicos da Oncoclínicas, Denis Jardim, ficar atento aos primeiros sinais é crucial, pois as alterações iniciais costumam ser indolores e podem passar despercebidas ou ser confundidas com inflamações.

O médico destaca que nódulos, endurecimento ou aumento de volume na bolsa escrotal — frequentemente perceptíveis durante o autoexame no banho — exigem investigação imediata.

Muitas vezes, quando os sintomas aparecem, os jovens sentem vergonha em se abrir com os pais ou parceiro sobre o assunto. Contudo, conversar sobre o tema e alertar sobre o autoexame é uma maneira que a família pode transmitir confiança e informação de qualidade", orienta o oncologista.

Panorama da doença no Brasil

De acordo com estudos realizados com dados do DATASUS e do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o cenário do câncer de testículo no Brasil entre 2015 e 2024 revela pontos de atenção. Isso porque, foram identificados 13.354 casos no sistema oncológico nacional durante o período de 2015 a 2024. Para o triênio 2026-2028, a estimativa é de cerca de 1,8 mil novos casos anuais.

A idade é outro alerta: o pico de incidência ocorre entre os 25 e 29 anos (23,8% dos casos), seguido pela faixa de 30 a 34 anos (21,0%). Um dado preocupante é que 49,5% dos casos foram diagnosticados em estágios avançados. A mortalidade também é mais alta entre os jovens, com 41,7% dos óbitos concentrados na faixa de 20 a 29 anos.

A mortalidade pode ser diminuída a partir da prevenção, porque, quando o diagnóstico é feito precocemente, as chances de cura são extremamente altas, ultrapassando 95%.

Futuro e preservação da fertilidade

Junior Baptista com as filhas
Pai de Aline, de 17 anos, e de Lucy, Junior diz que o câncer transformou profundamente sua forma de viver a paternidade. Depois da doença, os grandes marcos deram lugar à valorização dos momentos cotidianos. Arquivo Pessoal/Junior Baptista

Além da cura, o planejamento familiar é uma preocupação central. Como o tratamento, especialmente a quimioterapia, pode afetar a produção de espermatozoides, Junior foi orientado a realizar o congelamento de sêmen antes de iniciar a terapia. Esse diálogo com a equipe médica é fundamental para garantir que homens jovens possam planejar a paternidade futura mesmo após enfrentar a doença.

Hoje, Junior Baptista, que também é pai de Aline, de 17 anos, celebra a vida e os momentos simples. "Aprendi que ser pai não é apenas cuidar do futuro dos filhos, mas estar presente no hoje", reflete. Sua principal mensagem para outros homens é clara: conheça seu corpo e não tenha vergonha de procurar ajuda médica ao notar qualquer alteração

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