Como a tecnologia ajuda filhos a cuidar dos pais idosos mesmo à distância
Arquivo pessoal
São Paulo - Por muito tempo, filhos que se mudavam para longe sentiam a incerteza da separação, passando meses sem se conectar com os pais. Hoje, o cuidado encontra novas pontes nos dispositivos inteligentes.
O professor universiário Sebastião Rinaldi saiu de sua casa em Ubá, no interior de Minas Gerais, aos 18 anos. Na época, o contato com os pais era pouco frequente; dependendo de combinados e telefones públicos para acontecer.
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Vinte e quatro anos depois, morando em São Paulo, Rinaldi tem a "liberdade de ligar e falar à toa" todo o dia com alguém da família. Ele conta que seu pai, José Rinaldi Filho, aos 84 anos é completamente conectado, aproveitando as redes sociais para manter o contato com os filhos.
As videochamadas servem também para que a família se mantenha zelando pela saúde uns dos outros. Sebastião e seus irmãos constumam ligar sempre que os pais vão ao médico e, com a dificuldade de reuniões presenciais, se contectam virtualmente em datas comemorativas como o Dia dos Pais.
Hoje a atenção é diferente: você está falando com a pessoa, mas pode estar lavando uma louça ou fazendo almoço, o que gera uma presença mesmo na distância", conta.
Tecnologia para a segurança
Após uma vida de cuidado e amor paterno, uma preocupação de muitos filhos é manter o zelo durante a longevidade, mesmo separados por centenas de quilômetros.
Dados do Censo 2022 mostram que 28,7% dos domicílios cujo responsável tinha 60 anos ou mais eram ocupados por apenas um morador - a maior proporção de domicílios unipessoais entre todas as faixas etárias analisadas pelo IBGE
Uma solução atual são as câmeras inteligentes, que podem enviar alertas sobre movimentos ou sons detectados, permitir a visualização remota do ambiente e criar videochamadas entre os familiares.
A gerente de Marketing da empresa de segurança inteligente Ezviz, Helena Pacheco, explica que estes aparelhos fazem grande diferença na longevidade, desde que sejam aplicados com objetivos claros, controle do usuário e respeito à privacidade.
A tecnologia pode ampliar a comunicação e oferecer informações úteis a quem está longe, mas deve ser adotada com o consentimento da pessoa idosa e como parte de uma rede de apoio, nunca como substituta do contato humano.”
Medo de vigilância
O especialista em segurança eletrônica Rodrigo Roz mora a muitos anos no Rio de Janeiro, longe de sua cidade natal, no interior de Minas Gerais. Há três anos, Roz decidiu instalar câmeras inteligentes em sua casa, pensando especialmente nos quadros de epilepsia do pai, Nicola Roz.
No começo, a reação de Nicola foi de desconfiança. “Ele achava que vivia dentro de uma televisão e que ficávamos apenas monitorando a vida dele”, recorda Rodrigo.
Para superar a barreira, Rodrigo instalou recursos de privacidade, como máscaras digitais em algumas câmeras que restringem as imagens para a esposa de Nicola, Marisa Roz.
Com o tempo, o dispositivo deixou de ser um "vigilante" para se tornar um canal de comunicação e afeto. Além de brincadeiras com a esposa – perguntando se ela registrou alguma façanha que fez diante da câmera – Nicola recebe ligações do filho, até mesmo como "pegadinhas".
“Às vezes vejo como ele está e falo pela câmera como se fosse um fantasma; ele toma um susto e a gente começa a bater papo”, conta Rodrigo.
Estagiário sob supervisão de Pedro Marques
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