Radioterapia preventiva de Lula: o que é e quais são os efeitos colaterais?
Foto: Ricardo Stuckert / PR
São Paulo - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou nesta segunda-feira, 25, sessões de radioterapia preventiva no couro cabeludo. O tratamento complementar ocorre cerca de um mês após a retirada cirúrgica de um carcinoma basocelular, considerado o tipo de câncer de pele mais comum no mundo.
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O que é a radioterapia preventiva?
De modo geral, o câncer de pele pode ser curado apenas com a cirurgia de remoção ou apenas com a radioterapia. No entanto, em diversas situações clínicas, a combinação dos dois métodos é a estratégia mais segura.
A radioterapeuta e coordenadora do serviço de radioterapia do Instituto de Radiologia (INRAD) do Hospital das Clínicas da FMUSP, Heloisa de Andrade, explica que a radioterapia entra de forma preventiva ou complementar quando o tumor é operado, mas o procedimento resulta no que a medicina chama de "margem exígua". Isso significa que a margem de segurança de pele saudável retirada ao redor do tumor foi pequena.
No caso de lesões no couro cabeludo, como a do presidente Lula, essa margem reduzida costuma ocorrer devido à própria anatomia da área.
O objetivo, portanto, é atuar nas regiões de maior risco para garantir que não restem células do tumor no local.
Como funciona o tratamento na prática?
A radioterapia preventiva é rápida e pensada para causar o mínimo impacto possível. A especialista detalha como o tratamento é conduzido:
- Duração das sessões: os esquemas de radioterapia variam conforme o resultado da cirurgia, podendo envolver aplicações diárias (em dias úteis) de 15 até 30 sessões. No caso específico do presidente, foram estipuladas 15 sessões ao longo de três semanas, sendo que cada aplicação dura em média apenas dois minutos;
- Impacto na rotina diária: o tratamento é caracterizado por ser muito superficial e bem localizado. Dessa forma, não há efeitos colaterais sistêmicos ou restrições maiores. O paciente consegue manter sua vida normal, continuar trabalhando e cumprir sua agenda sem impedimentos;
- Efeitos na pele: o único efeito colateral esperado é uma leve reação na pele da região que está recebendo a radiação. Essa reação é resolvida de forma simples, com cuidados básicos de limpeza local e, eventualmente, a aplicação de algum creme específico recomendado pela equipe médica.
Tumor e as chances de cura
O carcinoma basocelular é o câncer de maior incidência no mundo inteiro, atingindo preferencialmente pessoas de pele clara e surgindo em áreas do corpo que recebem exposição crônica ao sol sem filtro solar.
Apesar da palavra "câncer" gerar apreensão, o diagnóstico tem uma evolução bastante favorável. Trata-se de um tumor localizado que não apresenta risco de metástase.
Os tumores de pele basocelulares são altamente curáveis na maioria das vezes, dependendo de fatores como o tamanho da lesão e a localização", diz a médica.
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Proteção contínua
O serviço de prevenção do paciente não acaba ao fim das sessões de radioterapia. Como as pessoas que já apresentaram um tumor de pele possuem risco de que outras lesões surjam no futuro, o acompanhamento deve ser constante.
A regra de ouro indicada pela especialista é a proteção rigorosa da região contra os raios solares. É estritamente necessário proteger a área afetada durante todo o período da radioterapia e transformar o uso de filtro solar e de acessórios físicos, como chapéus, em um hábito diário e definitivo.
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